Paisagem Interna I

julho 27, 2007 at 7:30 pm (Paisagem Interna)

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CULTA MELANCOLIA NIILISTA  

Extasiado e com dúvidas morais

Sinto-me um sábio dos porcos,

Um dos loucos de Shakespeare

(Os únicos que dizem a verdade).

Minha bondade é burra.

Minha honradez é bestial.

Bebo cálices de pessimismo.

Alimento-me de pseudofilosofias. 

Tenho a angústia dos cancerígenos.

 A dor dos leprosos na alma. 

Fui infectado pela culta melancoliaNiilista.

Não há revesso… só loucura!!

PAREDES DE CARNE

A João Carlos Aguiar  

Vazio do tempo, bêbado de tristeza!

Estalo cacos de vidros nas paredes

De carne do meu próprio ser quimera.

Que merda ser quem sou sozinho insano!

  

Vivo de amarras de paixões antigas

E abismos claros de desassossego.

Visto a tristeza que encontro em cada rota.

E brinco antigo de versos desesperos.

  

Parto poemas como dou um beijo.

Parto desejos como leio um livro

Parto a minha dor…em versos vivos.

  

Encontro à vida perdida em cada pranto

Inerte contemplo o sono da paisagem humana

Maldito ser o resto,  o desvalido.

CLARO ENIGMA II

  

Nunca estou só:

os meus demônios estão comigo.

OFÉLIA

        Escutei a cor dos lábios de Letícia

Respirei o gosto da pele de Tereza,

                                  Mas só a ti Ofélia

Amei

                      com a perfeição

         dos verbos

         dos versos

e dos sentidos.

  

POEMETO IRÔNICO

   

     Deus existe.

Mas está escondido

Na música de Bach.

  

    O diabo existe.

Mas está escondido

Na música de Bar.

ADÁGIO BAUDELARIANO  

Fica o Dito

 Pelo o Maldito.

 

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Paisagem Interna II

julho 17, 2007 at 2:27 pm (Paisagem Interna)

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DEMÉRITOS

Nasci, cresci

colecionei dores e revoltas

                abortei palavras

poemas nus e sujos

                calos e feridas

a amostra

                primeiros versos

primeiras angústias:

simples imperfeições.

POEMA SUJO

a Priscila Nilo

                   Joguem para os céus as flores!!!

Mastiguem os espinhos!!!! 

              pois da boca maldita do poeta louco

sairam espadas sujas de dor e revolução…

NO BANHEIRO

A Kledna Sonalle

no chuveiro uma cabeça desepada

na privada o coração que toma banho

na parede a morte desenhada:

sangue preto, pútrido e resecado…

Piso num olho que me olhava lá do chão

encontro um dedo pendurado no ferrolho

a pressão baixa…vem uma ãnsia

e corro e mais corro…

Chego em meu quarto

encontro-me dormindo com os anjos

quando acordo

choro a minha própria morte…

MOLDURA

Sob a moldura do poema

         que eu não fiz

desenho o meu enigma:

           Finjo e fujo

         das palavras

     Lúcidas e loucas. 

CLARO ENIGMA III

Amormente

Mortalma

FANTASMA

               encontrei um velho suéter

                 do meu avô que já morreu.

                 encontrei uma antiga bota

           da minha prima que mora longe.

           encontrei a minha alma solitária

vagando esquecida nos espelhos do quarto vazio…

            e me dei conta que eu havia morrido,

                        que os meus retratos

     estavão mofando nas gavetas sujas da sala,

            que minha mulher estava com outro

         e que principalmente nem minhas filhas

                    lembravam mais de mim…

SONETO DE DIÁRIO TRISTE*

È triste quem vive só

sem amigos, sem ninguém

não há palavras bonitas

nada que lhe convém.

*

E junto da solidão

da tristeza e da doença

logo vem a depressão

e no suicidio se pensa.

*

Nestes dias tão vazios

em que os rios não se banham

nem os sonhos estão presentes

*

Vivo louco angustiado

totalmente alucinado

com a morte na minha mente.

*

*Este foi um dos meu primeiros poemas, escrito quando eu tinha 15 anos.

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Paisagem Interno III

julho 11, 2007 at 9:20 pm (Paisagem Interna)

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Naúsea

Será possível viver sem dizer eu?

em vão me tento explicar

estou sujo de morte.

O Inferno do Céu (quadro zero)

Líricos são os pássaros

que insistem em voar,

mesmo mortos nos

quadro surdos e surrealistas…

Sete chaves

das pedras que estão

nas gavetas dos meus sonhos

a única que não fere

é uma carta de amor

que eu nunca escreverei…

Errante

Hoje esta um dia morto

Hoje esta um dia morto

Hoje esta um dia morto

Hoje esta um dia morto.

A Poesia rir de mim…

Sem Sombra ou Sobra

A cor do silêncio

bebe a luz dos meus olhos

e espanta os meus sonhos –

sem sombra ou sobra

de algum simbolo simples…

***********

saboriei a morte

vendo os meus ouvidos

susurarem prantos

no espelho vazio.

O Morto

A vida é Rosa

como um cachimbo preto.

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Paisagem Interna IV

julho 4, 2007 at 5:22 pm (Paisagem Interna)

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Estes são alguns dos meus humildes poemas: 

O POETA DA ALMA DE VIDRO

O poeta com sua alma de vidro

e seus olhos de espelhos

respira a pelicula dos poros

dos seus desesperos.

FOBIAS

A Tomires Nascimento

Sinto flores nas bocas.

Sinto dores nas roupas.

Sinto cores nas calmas.

Sinto caimbras nas almas.

Sinto espelhos nas folhas.

Sinto dedos nas telhas.

Sinto lobos nas trovas

Sinto rezas nas covas.

Sinto mortes nos ventres.

Sinto sombras nas lágrimas.

Sinto estrelas nas mentes.

Sinto estranhos nas casas.

Sinto feras nas jantas.

Sinto cantigos nas fugas

Sinto chuvas nas mantas.

Sinto sopros nas nucas….

PAISAGEM INTERNA II

O silêncio me falou

que o vazio

me completa

intensamente.

A MANEIRA DE ALVARO DE CAMPOS

Adormeço sem dormir, ao relento da vida

a alma goza ou sofre o intimo tédio de tudo

Meu coração esta cansado como um mendigo vadio

sou um monte confuso de forças cheias de infinito.

Quando olho pra mim não me percebo

devo tomar qualquer coisa ou suicidar-me.

Começo a conhecer-me, não existo.

nunca fiz mais do que fumar a vida.

Quando é que despertarei de estar acordado?

trago um grande cansaço de ser tanta coisa

chego a ter vontade de ter sossego

estou escrevendo versos realmente simpáticos-

versos a dizer que não tenho nada a dizer.

CLARO ENIGMA

Antes de nascer

estavamos todos mortos.

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