CORREIO DAS ARTES: UMA TRAJETÓRIA LITERÁRIA

março 28, 2009 at 3:50 pm (Ensaios)

I. Primeiras incursões

Neste mês de março o suplemento literário Correio das Artes completou os seus sessenta anos de História. Considerado o mais antigo e um dos importantes suplementos em circulação no Brasil, ele é publicado mensalmente como encarte no jornal A União, órgão oficial Governo do Estado da Paraíba. Com uma periodicidade mensal, sem publicidade em suas páginas, o suplemento publica sempre em sua estrutura jornalística: entrevistas, reportagens, poemas, dicas de leitura, contos, crônicas, ensaios, dossiês, críticas e resenhas sobre literatura e cinema, e eventualmente sobre música, teatro e quadrinhos. Suas páginas compostas por uma inegável qualidade estética registram um universo panorâmico com uma qualidade impressionante; matérias interessantes, acompanhamento dos cânones literários, comemorações dos “afamados” de nossa literatura, não esquecendo dos registros de novos escritores e suas produções contínuas, sempre como muita sensibilidade e dinamismo.

Venho acompanhado de perto nestes últimos anos a trajetória deste suplemento, que declama aos quatro cantos do Brasil, a todos nós apaixonados pela arte e pela literatura, o seu afamado e lírico sentimento de vanguarda e respeito à produção cultural local e nacional. Com suas páginas inundadas de êxito de estilo, descobrimos dados e reflexões sobre a vida literária local e Brasileira periodicamente.

II. Pequeno Histórico da Revista

Surgida no dia 27 de março de 1949, sobre a orientação do jornalista e poeta Edson Régis, o Suplemento Correio das Artes já na época surgia com o mesmo objetivo que tem hoje, dar um espaço jornalístico privilegiado para a produção literária e artística do estado da Paraíba e do Brasil.

São 60 anos de História, atravessados por vários momentos de altos e baixos, tempos de descontinuidades em seu despenho, tendo sua história interrompida por várias vezes, possuindo assim várias fases ao longo de seis décadas de existência, em boa parte devido à idéia da qual o suplemento seria um gasto a mais para a política dos governadores da Paraíba em seus momentos de crise. Mas o Correio das Artes sobrevive a todos estas dificuldades, reinando com sua qualidade histórica.

Ao longo de todos estes anos colaboraram alguns dos mais notáveis nomes da intelectualidade paraibana e brasileira, tais como: Paulo Mendes Campos, Roger Bastide, Carlos Romero, Eduardo Martins, Eudes Barros, Ascendino Leite, Tomas Santa Rosa, entre outros tantos, pensadores e literatos empenhados em discutir e publicar as suas obras e de seus contemporâneos. Durante a sua trajetória uma de suas melhores fases foi no início da década de 1980 quando ganhou um prêmio nacional de melhor suplemento literário do país. Na época o editor era o famoso poeta paraibano Sérgio de Castro Pinto. Neste início de século XXI, o Correio das Artes vive mais uma vez uma grande fase.

III. A literatura no jornalismo e o jornalismo na literatura.

Tendo como editor já há alguns anos o nome do poeta e jornalista Linaldo Guedes, empreendedor e arregimentador literário, o suplemento tem entre os seus mais assíduos colaboradores os nomes do poeta Astier Basílio, o crítico cinematográfico João Batista de Brito (colunista de Cinema, o mais importante da história da imprensa do estado), o crítico literário Hidelberto Barbosa Filho (outro “medalão” de nossa literatura nestes últimos tempos), o ensaísta e contista Rinaldo de Fernandes, dono do rodapé literário no final da revista, entre tantos outros, jovens ou experientes, valores locais ou de todo o Brasil, que colaboram com seus poemas, contos, ensaios, entre outros gêneros e estilos.

O público alvo desta revista é constituído em sua maioria de pessoas interessadas em cultura em geral, mas principalmente em literatura. Estudantes, professores, escritores, artistas e intelectuais em geral prestigiam as sua páginas mensalmente. Apesar de ser uma revista paraibana, ela também é bastante disputada em vários estados do país pelos seus fãs, principalmente do Nordeste.

A sua diagramação singela, com toques muitas vezes artísticos, – responsável pelo editor de artes Cícero Félix (experiente profissional da área), possuem em suas páginas uma expressão cadenciada por fotos e imagens que relacionam e complementam muito bem as mensagens das matérias e textos literários. As capas são muitas vezes chamativas e esteticamente perfeitas, o que traz um envolvimento por parte dos seus leitores.

Atualmente alguns dos mais destacados nomes da literatura paraibana e do país são constantes colaboradores da revista, e reafirmam o histórico de qualidade deste suplemento, são exemplos:: Antonio Naud Junior, Políbio Alves, José Inácio Vieira de Melo, Adalberto Barreto, Gildemar Pontes, Ronaldo Cagiano, Welligton Pereira, José Aloise Baía, André Ricardo Aguiar, Franklin Jorge, Ronaldo Monte, entre outros.

A Linguagem do Correio das Artes pode ser definida pelos padrões do que o comunicólogo Felipe Pena chama de Jornalismo Literário, com textos bem construídos, cheios de informações e opiniões fundamentadas. O jornalismo sobre artes, escrito e trabalhado de forma artística. Há um aprofundamento sistemático nos textos muitas vezes não encontrados em revistas do gênero. Um destaque que chama atenção do ponto de vista jornalístico são as matérias da repórter Calina Bispo, um exemplo de jornalismo literário de boa qualidade.

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1 Comentário

  1. Jaquelyne Costa said,

    Amigo!
    Saudades de vc!!
    Como anda?
    Manda notícias, meu caro jornalista poeta!

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