Blecaute: uma entrevista com Bruno Gaudêncio

janeiro 26, 2009 at 11:16 pm (Entrevistas)

Por Bruna Ferrari

Neste último mês de Dezembro fui entrevistado, como gostei bastante do resultado decide quase dois meses depois, publicar. O tema é a revista eletrônica Blecaute, que publiquei neste final de 2008. Em breve o segundo número sai por aí. Vamos à entrevista, realizada pela estudante de jornalismo Bruna Ferrari.

1-) Qual sua formação acadêmica?

Bem, sou formado em Comunicação Social, com habilitação em jornalismo, pela Universidade Estadual da Paraíba. Terminei ano passado. Atualmente curso História na mesma instituição.

2-) Aonde nasceu? Idade? Trabalho em outra área?

Nasci em Campina Grande no ano de 1985, portanto tenho 23 anos de idade. Atualmente sou estagiário da FIEP (Federação das Indústrias do Estado da Paraíba), no projeto: Memória, Patrimônio e Cidadania: Arquivo Documental da FIEP, sob orientação dos professores Maria José Silva Oliveira e José Edmílson Rodrigues.

3-) Você foi o idealizador da revista blecaute?

Exatamente… Desde faculdade de jornalismo que eu pensava realizar uma revista de cultura. Todavia, não tive espaço de colocar em prática esse sonho. Neste último mês de novembro, em um destes Domingos quentes em frente ao meu computador, coloquei na cabeça que deveria fazer uma experiência neste sentido. Comecei a mandar convites através de e-mails a amigos literatos, como Janaílson Macedo e João Matias, contistas aqui da cidade, e outros mais famosos como Franklin Jorge e Ricardo Kelmer, amigos também, contudo mais conhecidos nacionalmente e de outros estados. E daí fui afinando a idéia…juntando sempre os valores locais com os mais experientes… no final estava pronto a revista.

4-) Se sim, como você conseguiu colocar sua idéia em prática??

Eu devo muito a Internet. Até o ano passado eu não tinha um computador se quer…quando foi no mês de março de 2007 meu pai comprou com muito esforço um ,e daí eu desandei a escrever, a interagir, a fazer amizades…como eu já tinha um gosto por literatura e artes fiz várias amizades nestes campos. Ganhei muitos livros. Hoje sou até conhecido no âmbito local. Por exemplo, tenho amigos como Astier Basílio, Linaldo Guedes, Amanda K, André Ricardo Aguiar, em parte graças ao orkut, na minha opinião uma bela ferramenta de comunicação…outros amigos que tenho como Franklin Jorge, Rinaldo de Fernandes e Nélson de Oliveira foram decorrência de matérias e livros que escrevi ou estou a escrever…

5-) Você conta com algum tipo de patrocínio para fazer a revista???

Nenhum… É uma atividade espontânea, meio marginal mesmo..tenho em mim que devo fazer isso sempre sabe, colocar em prática minhas idéias e não são poucas. Em breve quero publicar meus livros, produzir outras Revistas e Suportes impressos, como Almanaques… mas isso é para o futuro. A revista esta sendo bem aceita, e a nossa idéia, e quem sabe colocar uma versão impressa. É o nosso sonho.

6-) E quanto aos colaboradores? Como é o critério de seleção dos textos que vai pra revista??
O primeiro número saiu uma lista de colaboradores amigos meus como eu bem disse. Eu fui o editor chefe e Janaílson Macedo, historiador e contista, amigo meu, trabalhou um pouco a questão estética.. o visual
Na realidade a idéia da BLECAUTE nasceu do contato com outras duas revistas. A primeira é a ORPHEU, no qual o Fernando Pessoa colaborou no início do século XX em Portugal. A segunda é a GARATUJA, essa nossa, aqui de Campina grande, que contou com colaboradores do nível do Bráulio Tavares, José Antonio Assunção, meu primo Edmundo Gaudêncio e tantos outro da década de 1970. Essas revistas me influenciaram muito pela simplicidade, pelo jeito puro de expressar idéias literárias, sem arrudeios ou usos de artefatos artificiais gráficos.
Abro um espaço aqui para explicar o nome da revista. O porquê que ela se chama BLECAUTE. É uma referencia ao apagão literário que campina grande sofre nestes últimos tempos. Praticamente não temos espaços de divulgação. Não temos eventos literários. As duas faculdades de letras são inertes. A academia de letras local não sabe outra coisa a não ser relembrar seus mortos. O outro motivo é uma referencia a um romance que gosto muito chamado BLECAUTE, de Marcelo Rubens Paiva, um grande livro, e que decidi homenagear.

7-) Quantas edições a revista já teve??

Ele teve um número apenas. O segundo sai ainda esse ano, final do mês de dezembro.

😎 Na sua opinião, o que falta para o Brasil dar mais incentivo à cultura??
Somos um povo culturalmente artístico, gostamos de produzir arte. Isso se deve a nossa mistura étnica e de raça. O nosso problema é a questão da recepção, é a ausência de público, de gente que possa consumir música, cinema, literatura, etc. devido em parte pela falta de educação e refinamento estético, por outro, pela ausência de capital financeiro para consumir bens simbólicos e culturais. Mas incentivo existem, apesar de poucos, temos o FIC, FUMUC, e outros nomes esquisitos para Fundos de incentivo institucionais Nacionais…

9-) Estamos em uma área do Brasil, onde a cultura não é difundida, onde quase nunca as peças teatrais chegam e que são raros os shows de música popular brasileira. De que maneira a cultura poderia ser mais viável ao povo paraibano, especialmente o campinense??

É um problema que percebo também, na verdade todos nós que gostamos de arte percebemos esse problema, mas assim, a chamada cultura refinada, ou clássica não tem muitos consumidores aqui, mas percebo mesmo assim algumas resistências nossas que podem melhorar no futuro, como o PROJETO SEIS E MEIA, O REP/REPENTE, entre outros projetos culturais. Mas o que nos falta mesmo é uma militância artística, a organização de uma comissão de arte, a criação por parte da prefeitura de uma secretaria especifica de cultura e lazer…sinceramente acho esse governo Veneziano um dos piores em relação a cultura, apesar de ter votado nele, falta algum artista, um intelectual consciente destes problemas, a sua equipe de governo é demasiadamente simplista e antiestética, espero que nessa segunda gestão isso mude. Pelo bem cultural de Campina. Por outro lado, a oposição também não é lá muito criativa, e perceptiva a esses problemas, principalmente se percebemos o nome de João Dantas como líder cultural da cidade, fato que discordo totalmente.

10-) Você pensa em ampliar a revista, e ir para as gráficas imprimi-la?

Exatamente. É nosso sonho.

11-) Quando você começou a escrever para a revista??

Nos mais longínquos sonhos eu já esquecia nesta minha revista.

12-) Você acha que com a invasão da internet nos meiios de comunicação, vai acabar fazendo com que as editoras rumem para as revistas digitais??

Não acredito nisso, a cultura impressa é muito forte. As duas serão sempre parceiras e às vezes inimigas, mas sempre estarão juntas no mercado.

13-) Qual a sua perspectiva para o futuro da revista Blecaute:??

Ela tem um propósito vanguadistico, criar uma cultura de discussão literária e artística na cidade, ou para parte da cidade. Ser uma espécie de centro irradiador de idéias e valores culturais, tudo com muito bom gosto e sofisticação. É bom deixar claro que Todos podem participar desde que tenham boas idéias para expressar. Antes de terminar quero dizer que no próximo numero além de mim, João Matias de Oliveira (Contista e estudante de Jornalismo e Ciências Sociais) e Janaílson Macedo (Contista e estudante de História) serão os editores da revista Blecaute. Somos uma equipe agora.
Para terminar eu convido os interessados a mandarem seus textos, como contos, poemas, ensaios e artigos científicos ligados a literatura e artes para meu e-mail: gaudencio_bruno@yahoo.com.br, em breve a revista vai ter seu próprio e-mail…uma coisa eu desejo: que a revista chegue ao e-mail de vocês…rsrs

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Frases sobre O Brasil e Os Brasileiros

janeiro 19, 2009 at 1:43 pm (Relicário de Frases)

parkeharrison-luciddreame1

BRASIL

O Brasil só não cai no abismo porque já roubaram o abismo.

Agildo Ribeiro (1932-) Ator e Humorista Carioca (Extraído do Livro: È Dando que se Recebe, de Carlos Eduardo Novaes).

Nunca seremos uma “grande nação” – isso é um sonho integralista. Somos uma nação grande que tem de melhorar no presente. Não há “país do futuro”.

Arnaldo Jabor (1940-) Jornalista e Cineasta Carioca (A Invasão das Salsichas Gigantes)

Choca-me (ouso dizê-lo) fazer parte de um país cujo símbolo é o rabo das mulheres.

Arnaldo Jabor (1940-) Jornalista e Cineasta Carioca (Os Canibais estão na Sala de Jantar).

O Brasil só não anda pra frente porque roubaram as rodas.

Antonio Callado (1917-1997) Escritor carioca (Citado por Zuenir Ventura em Artigo para o Jornal do Brasil).

O Brasil é o país que desmoraliza o absurdo, porque o absurdo acontece.

Dias Gomes (1922-1999) Dramaturgo e Escritor Bahiano (Extraído do livro Viver e Escrever, volume 2, de Edla Van Steen).

Quem não gosta do Brasil não me interessa.

Gilberto Amado (1887-1969) Escritor Sergipano (A Chave de Salomão)

O Brasil é o país pobre mais metido a besta que conheço.

João Saldanha (1917-1990) jornalista e treinador de futebol gaúcho (Extraído do livro È dando que se recebe, de Carlos Eduardo Novaes).

Se a história do Brasil ensina alguma ciosa é que ninguém paga pelo que foi, fez e falou.

Luis Fernando Veríssimo (1936-) Cronista Gaúcho (Aquele Estranho Dia que Nunca Chega).

Nascer no Brasil até que é bom, meu querido. O triste é não ter voz. Nem ter vez.

Lygia Fagundes Telles (1923-) Escritora Paulista (A disciplina do Amor).

De todos os países do mundo, o Brasil é o mais rico em pobres.

Millõr Fernandes (1924-) Escritor e Humorista Carioca (Millõr Definitivo: A Bíblia do Caos).

Acho que a história do Brasil è um romance sem heróis.

Raymundo Faoro (1925-2003) Escritor e Cientista Político Gaúcho (Extraído em Entrevista a Revista Veja).

BRASILEIROS

Somos um dos povos mais sensatos e inteligentes do mundo.

Alberto Torres (1865-1917) Político e Jornalista Carioca (O Problema Nacional Brasileiro).

O brasileiro tem na alegria o seu patrimônio. Do contrário, não sobreviveria a tanta provação.

Jaime Lerner (1937-) Político e Urbanista Paranaense (Extraído da Revista Superinteressante).

Feitas as contas é muito bom ser brasileiro. Se Deus não é compatriota nosso, não sabe o que esta perdendo.

Moacyr Scliar (1937-) Escritor Gaúcho (Extraído da revista Superinteresante )

Herdamos a desconfiança do português e o amor do Francês à burocracia.

Paulo Francis (1930-1997) Escritor e Jornalista Carioca (Waaal: O Dicionário da Corte de Paulo Francis).

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