Um Homem chamado Cinema:Vida e obra de Machado Bittecourt.

setembro 10, 2008 at 1:21 pm (Ensaios)

Primeiros contatos.

A primeira vez que ouvi falar no nome Machado Bitencourt nunca poderia imaginar que encontraria um personagem tão importante para a história da produção cultural da Paraíba, em especial de Campina Grande, nestes últimos tempos. Para mim, um aspirante a jornalista e interessado em cinema, seu nome era resguardado por um inigualável sentido de mistério, traçado por nuvens de simplicidade e distinção, todavia sem nenhum dado inventivo, original ou extraordinário. Estava no terceiro semestre do curso de jornalismo, ano de 2005, no intervalo das aulas nós “meros estudantes” costumávamos passearmos pelos corredores, e em um destes passeios, iniciei uma pequena conversa informal com o professor de cinema Rômulo Azevedo tendo como temática a história do cinema paraibano. Foi nesta conversa rápida de corredor que escutei pela primeira vez o nome: Machado Bitencourt. O sujeito teria sido – segundo Rômulo, ex-professor do curso em décadas passadas e produzido dezenas de filmes aqui mesmo em Campina Grande. No início não achei nada demais, pensava eu em minha inteira ingenuidade de iniciante que tal ato era bastante comum neste período. Ledo engano. Semanas depois outra professora, Jaldete Soares, no mesmo corredor, agora em conversa com outro aluno, fazia menção novamente ao personagem, desta vez não só como Cineasta, mas como brilhante fotógrafo e jornalista. Achei que todas aquelas alusões pareciam um chamado, e de cara captei a possibilidade da construção de uma “bela história”, de um enredo pautado na obra deste ilustre desconhecido na época, entretanto era necessário buscar mais subsídios, investigar, só assim poderia criar alguma narrativa. Logo me voltei novamente ao professor Rômulo Azevedo, e perguntei se existiria algum livro que trabalhasse a vida e a obra deste homem que ousou construir um dos raros estúdios de cinema do Interior do Nordeste: A Cinética Filmes. A resposta foi pausada. ”Existe sim, mas são simplórios”. Decidi então procurar assim mesmo os livros. Na verdade o único livro no qual naquele momento Rômulo me indicou foi: o Discurso Cinematográfico dos Paraibanos, obra clássica do jornalismo Wills Leal.

Na biblioteca encontrava-se lá a obra referida, que mais parecia um grande álbum, cheio de fotos e nomes e datas. Uma história esquecida, jogada na estante da velhice… Mas pouco a pouco fui navegando calmamente pelas Histórias de nosso Cinema, capítulo a capítulo. Linduarte Noronha, Wladimir Carvalho, Aruanda, Pais de São Saruê e enfim: Machado Bittecourt. Finalmente, conhecia com alguns traços maleáveis e sensíveis o personagem em questão, e com o passar do tempo (três anos depois do primeiro encontro), somando aos olhares e as falas de outros nomes e livros, fui percebendo a dinamicidade deste agitador e produtor cultural, chamado: Machado Bitencourt, nome que dentro de certos limites pretendo nesta narrativa jornalística, biografar, – ou melhor, traçar um perfil, mesmo que resumido deste notável sujeito.

O cerne pela qual me proponho a desenhar este encurtado retrato será o entendimento da recuperação atual da memória de Machado Bitteconurt ocorrida nestes últimos anos no estado da Paraíba, através da intitulação de prêmios e entidades cinematográficas. Para a realização de tal objetivo, foram entrevistados nomes como o já mencionado Wills Leal, os irmãos Rômulo e Romero Azevedo, além do jovem realizador, André da Costa Pinto, idealizador do prêmio Machado Bitencourt no Comunicurtas 2007. Evidente que livros que tratam do personagem e sua obra também foram usados, como Cinética Filmes, de Eliabe de Castro. Infelizmente não foi possível assistir a obra de Machado, que são de difícil acesso.

Piauiense de sangue, Campinense de coração.

Juremi Machado Bitencourt nasceu no dia 3 de setembro do ano de 1942, na pequena e desconhecida cidade de Pirancuruca, no estado do Piauí. Em 1960, com apenas 18 anos, veio a residir em Campina Grande, – cidade famosa pelo seu desenvolvimento, pretendendo assim trabalhar e estudar. Neste município acabou se identificando com o seu povo e com a sua história, mesmo viajando por todo o Brasil, e às vezes pelo mundo afora, chegando a morar em outras cidades, Machado nunca deixou de ter vínculos afetivos com o município conhecido como “Rainha da Borborema”.

A maioria das referências ligadas à personalidade de Machado Bitencourt são de um sujeito extremamente dinâmico e pragmático. Um homem de ação. Suas atuações parecem ser movidas à cima das aparentes dificuldades existentes, seja no produzir, seja na comercialização de seus filmes e outros produtos ligados à comunicação social na região Nordeste. Além de dinâmico, pragmático, empreendedor, há alusões à forma autoritária que exercia enquanto profissional muitas vezes, centralizando demasiadamente muitas vezes as atividades em grupo que realizava, (o Cinema e o jornalismo são em sua essência atividades coletivas), por outro lado íntimos como Wills Leal e Franklin Bonfim (ex-aluno e assistente de alguns trabalhos seus) enfatizaram em depoimentos o lado amigo e sensível de nosso personagem.

Não podemos esquecer que seu empreendedorismo está ligado a várias outras atividades do qual exerceu durante a vida. Pois temos um Machado múltiplo, realizador de várias atividades, diríamos um artista multimídia, pois temos: o Machado Jornalista, o Machado fotógrafo, o Machado escritor, o Machado Historiador e Memorialista, o Machado empresário, o Machado Cineasta, entre outros Machados. O Machado jornalista foi àquele repórter de textos interessantes, chamados por Wills Leal de “Cinematográficos”, pelas qualidades imagéticas em suas descrições. Extremamente ligado ao jornalismo temos o Machado fotógrafo, com retratos maravilhosos do estado paraibano em seu Guia de Turismo da Paraíba (considerados por muitos com um dos mais belos e representativos registros de nosso estado), não podemos esquecer dos seus trabalhos no Correio da Paraíba e Jornal do Comércio, como repórter fotográfico. Uma faceta bem desconhecida de muitos foi o Machado Escritor, com seu livro Apontamentos Históricos da Piracuruca (considerado uma obra fundamental para a História da região do qual nasceu o cineasta) e seus textos atrelados as suas origens e memórias familiares, publicados postumamente. Ainda relacionado a essa face de escritor temos o Machado historiador e memorialista, não só nas pesquisas escritas realizadas, entre estudos e ensaios avulsos, mas principalmente em seus documentários que tinham uma preocupação clara com as questões históricas, com a memória material e simbólica dos sujeitos e lugares, de Campina Grande, da Paraíba, do Nordeste. Inclusive Machado chegou a ser membro do Instituto Histórico e Geográfico de Campina Grande e da cidade de Goiânia (PE), coordenador do acervo inicial de exposição de abertura do Museu do Algodão e presidente da Fundação Cultural Luiz Carlos Virgulino.

Machado: da fotografia ao cinema, e vice-versa.

Machado Bitencourt chegou ao cinema através da Fotografia, trabalhando na surcussal do Correio da Paraíba no ano de 1963 na qualidade de foca, ou seja, de iniciante. Neste mesmo ano começava a funcionar em Campina Grande a TV Borborema, um dos poucos TVs do interior do Brasil. “Sem deixar o Correio da Paraíba e as máquinas fotográficas, Bitencourt se introduziu no mundo da televisão através da prestação de serviços como cinegrafista fre-lancer.” No começo, ele apenas filmava acontecimentos sociais, inaugurações e banquetes, mas logo o uso permanente da câmara o obrigou a proceder em um aprendizado melhor do cinema, lendo vários livros clássicos, entre eles as obras de George Sadoul. Assim começou, dando prova de seu dinamismo, uma série de reportagens filmadas sobre a tese da Descoberta do Brasil pelos Fenícios, viajando por todo o Nordeste. Apesar das criticas dos analistas devido à ausência de qualidades do material filmada ele não desistiu de fazer cinema e continuou sua luta.

Neste mesmo início da década de 1960, Machado fazia o curso de Direito na URNE (hoje UEPB) em Campina Grande, contudo devido as suas ações durante o período militar, acabou não terminando o curso, perdendo a matricula em uma suspensão que durou vários anos. Com isso, teve que ausentar-se para o Uruguai, segundo ele “voluntariamente”, escapando, assim do ato Institucional nº 5, de 1968. Em depoimento a Eliabe de Castro Machado expôs que estivera presente na famosa 30º Congresso da UNE em Ibiúna. Entretanto, ele nunca deu detalhes sobre as suas atividades neste período conturbado da História do Brasil, seja em Campina Grande, ou em outros lugares do país.

Um pouco antes do AI-5, 1966, inicia-se um período fértil de produção de filmes na Paraíba. Vários sujeitos principalmente em João Pessoa começaram, – graças ao incentivo do sucesso de Aruanda no início da década, a produzirem filmes, a planejarem roteiros. Entre eles estavam: Paulo Melo, Ipojuca Pontes, Alex Santos, Virginuis de Gama e Melo, etc. Este último convidou Machado Bittencourt para realizar a fotografia do filme Contraponto Sem Música.

Depois de trabalhar em João pessoa durante cinco anos como fotógrafo fre-lancer e produtor de sistemas audiovisuais, ele decide fazer Jornalismo, no curso de Comunicação Social da URNE, pois nem desejava, como também não poderia cursar Direito, pois sua matricula tinha sido caçada. Inicia-se assim uma nova fase do nosso personagem, agora, cada vez mais ligado ao mundo da comunicação.

Uma aventura cinética

Depois de voltar a Campina Grande, e filmar A Feira no ano de 1967 em parceria com Luiz Barroso, e iniciar o curso de Jornalismo na URNE (primeiramente como aluno, depois como professor), Machado Bittecourt percebeu as necessidades de se trabalhar mais profissionalmente no ramo do qual escolhera viver, o mundo do jornalismo, da propaganda, da fotografia e do cinema. Desta maneira, através do convívio com o mercado de trabalho mais estreito em Campina Grande, ligado quase que exclusivamente as empresas privadas, Machado opta por trabalhar na oferta de serviços de produção publicitária da TV Borborema. Com isso funda no ano 1974. A Cinética Filmes Ltda. empresa que funcionou em Campina Grande até o ano de 1985 e um dos raros estúdios cinematográficos de bitola 16 mm que funcionou no país.

Nesta empresa desenvolveu-se uma intensa atividade relacionada em campo da comunicação social, produzindo filmes destinados ao uso e transmissão na TV Borborema, além de comerciais ou vídeos institucionais. Segundo Linduarte Noronha “A cinética foi criação aos moldes da Vera Cruz, respeitando as latitudes. Mas a filosofia era empresarial. Assustei-me, um dia, quando ele me levou a Campina Grande para ver sua empresa. Não acreditei. Era uma miniatura de cinema indústria, no bom sentido” na concepção de Wills Leal seria “uma Hollywood de um Nordeste miserável, com seu único dono-dirigente próximo de Sancho Pança, sim, mas com a sensibilidade, as virtudes e a pertinência de Dom Quixote.”

A empresa operou num galpão anexo ao prédio da família Bittencourt. Entre o prédio e o galpão, com uma largura aproximada de dois metros, existia O Beco do Cinematógrafo. A empresa esteve durante onze anos nesse local, no final da Rua João Suassuna, no bairro do Monte Santo, uma das zonas mais pobres da cidade de Campina Grande.

Havia uma parceria não oficializada entre a FURNE (Fundação Regional do Nordeste) e a empresa, visto que as instalações da Cinética serviram de laboratório para os colegas e, depois, alunos de Machado nas disciplinas de Técnicas de Cinema e Jornalismo Cinematográfico. Segundo Rômulo Azevedo suas aulas era muito práticas O professor Machado não gostava muito da sala de aula, preferia as aulas em campo onde passava seus ensinamentos na prática”.

O importante é percebemos a grande Contribuição desta empresa que operou durante muitos anos em Campina Grande para produção cinematográfica local, seja na fabricação, seja na idealização e no sonho de fazer cinema na Paraíba. Encerrada as atividades em Campina Grande por falta de mercado, no ano de 1985, o empreendimento transferiu-se para a cidade de Santa Rita, grande João Pessoa.

Documentários Históricos, Ficções Regionalistas.

Machado Bittencourt produziu cerca de 200 filmes, entre documentários, ficções, reportagens cinematográficas, comerciais e propagandas políticas. Segundo Wills Leal os filmes de Machado eram em sua maioria realizados com uma intensa improvisação, muitas vezes sem roteiros, apenas com “uma idéia na cabeça e uma câmera na mão”, para usarmos a afamada máxima de Glauber Rocha, e em condições materiais encontradas em cada momento. Sendo que as características gerais de linguagem de seus filmes eram quase sempre expostos de forma artesanal, com uma estética e técnicas primitivas. Romero Azevedo destaca esse lado pragmático e muitas vezes inventivo do nosso personagem: Machado não era um cinéfilo, era um fotógrafo que também adorava fazer filmes. Nunca conversei com Machado sobre cineastas e filmes, o negócio dele não era “ver” era “fazer”. Cada um assimila o cinema de acordo com suas predileções, Machado, como todo bom fotógrafo, gostava de imprimir película, quanto mais filmar melhor”.

Mas voltando aos seus filmes, Wills Leal divide, ainda que de uma maneira não muito criteriosa, a obra cinematográfica de Machado Biitencourt em três blocos distintos. São eles: os filmes memorialistas, culturais e comerciais. Os primeiros são aqueles que têm uma preocupação especial na busca por definir um espírito campinense. Desde A Feira, sua primeira produção, documentário com interesses sociológicos que trata sobre os costumes da feira de Campina Grande (uma parceria com Luiz Barroso, de 1967), passando por Campina Grande: da prensa de algodão a prensa Gutenberg (que trata dos processos de desenvolvimento da cidade) até Memórias do Velho Sòter (filme sobre o fotógrafo Sóter Farias), há uma significativa preocupação em produzir pedaços da história deste município, enfatizando monumentos e pessoas que caracterizaria as maneiras do povo campinense. Já os filmes culturais, são aqueles, a exemplo de Um dia na vida de um cantador, que trazem questões relacionadas aos hábitos e as práticas do povo Nordestino, em um sentido identitário, a exemplo do cantador de viola ou as rendeiras do interior da Paraíba. Por ultimo temos os filmes comerciais, realizações, segundo Wills Leal, sem quase nenhum apuro estético ou preocupação cultural, os chamados filmes institucionais e/ou publicitários.

Todavia, apesar do grande número de documentários, foram às ficções que mais chamaram atenção do público e da crítica campinense. Na realidade de maneira geral “Os lançamentos causavam um impacto na cidade. Eram acontecimentos importantes. A URNE agitava-se nos desdobramentos de um pioneirismo que somente Machado conseguia equilibrar. De um lado pela falta de recursos, de outro, a necessidade pedagógica de visualizar o aprendizado num filme concluído, se referiu o professor João de Lima.

Machado Biitencourt produziu duas ficções longas metragens em Campina Grande, a primeira foi Maria Coragem, em 1978, e a segunda O Caso de Carlota, do ano de 1982. Ambos os filmes produzidos como matéria prática para os alunos das cadeiras de Técnicas de Cinema e Jornalismo Cinematográfico, no curso de jornalismo da FURNE. Apesar das limitações técnicas, de todo o “amadorismo, baixa produção e um forte apelo á linguagem do cinema mudo”, como de referiu Wills Leal, ambos os filmes são marcos importantíssimos para a história da cidade de Campina Grande. Maria Coragem, por exemplo, foi o primeiro longa metragem ficcional realizado na cidade e um dos primeiros filmes feitos desta natureza dentro de uma universidade brasileira.

Abro um parêntese aqui para descrever as minhas sensações, quando tive meu primeiro contato com a obra de Machado Bittencourt. Era a estréia do cineclube Machado Bittecourt, várias personalidades do cinema local estavam presentes e a sala estava repleta de alunos do curso de comunicação social, local da exibição. O filme: Maria Coragem. A cópia do Longa pertencia ao já citado Romero Azevedo, professor de cinema da UFCG, assistente do Machado e um dos atores da produção. A história era banal: uma jovem mata o pai e dois bandidos para ter direito de amar o rapaz da qual estava apaixonada. Não gostei de início. Achei demasiadamente arcaico. Entretanto, percebi pouco a pouco, mesmo durante a exibição, toda a força de Machado Bittencourt em cada centímetro daquela película. Todo o entusiasmo. Toda a vontade e o desespero de fazer cinema.

Durante a sua carreira de cineasta Machado Bittencourt venceu alguns prêmios com suas realizações. É o caso dos documentários O Ultimo Coronel (Prêmio de melhor filme fora eixo Rio – São Paulo produzido no Brasil na Jornada de Salvador em 1975) e Campina Grande, da prensa de algodão, da prensa de Gutemberg (Vencedor do prêmio de seleção Embrafilme INC, também de 1975). Entretanto, o seu filme mais premiado e considerado a sua melhor realização cinematográfica foi Parahyba, do ano de 1985, feito sob encomenda da Comissão do quarto centenário da Paraíba. A película Venceu os prêmios de melhor filme sobre a temática Nordestina no Fest Céara, Prêmio de melhor fotografia no Fest Cine Maranhão e ganhou ainda a Menção Honrosa no famoso Festival de Brasília. Todas essas premiações ocorridas em 1985.

Na primeira metade da década de 1980, Machado Bittencourt viveu uma crise financeira grave, que aliada aos problemas econômicos nacionais dos Governos Sarney e Collor anos depois, fizeram do nosso personagem mudar em parte as suas atividades no mercado publicitário. Sua saída de campina Grande para João Pessoa não fez resultados. Machado não acompanhou as mudanças e acabou colecionando várias dívidas. Pouco a pouco foi se desfazendo dos equipamentos de sua Cinética. Anos à frente, já velho e doente Machado definha vendo o seu sonho desmoronar. Depois de Parahyba ainda fez Águas do São Francisco em 1993. Morre esquecido pela Paraíba. Foram vários anos de ostracismo, de 1985 a pouco mais 2004, quando sua memória foi revisitada.

A (re)invenção de Machado

Machado Bitencourt parece ser a primeira vista uma invenção sentimental discursiva de Wills Leal, uma construção escrita feita com muito carinho e esmero, fruto de um convívio de amizade de cerca de 30 anos. Wills Leal pinta um Machado como um exemplo a ser seguido, enxergando nele um ícone libertário de como fazer cinema, mesmo com todas as condições sendo adversas. A exemplo de Liduarte Noronha e Wladimir Carvalho, Machado vira um modelo, um arquétipo, pela determinação no qual realizou seus filmes, pela saga de vitórias, pela força de vontade em vencer as deficiências. Não importa as imperfeições estéticas de suas películas, não importa o autoritarismo no caráter, o que importa é a sua obra realizada com todo o empenho, com muito sangue, suor e lágrimas.

Portanto, aliada a luta pela manutenção da memória da família Bittecourt , o que me chama a atenção é justamente este fato, que muito da manutenção da memória existente sobre Machado esteja ancorado nas lembranças sentimentais de Wills Leal, principalmente devido às alusões personalistas deste homem de imprensa, que assim como fez com Walfredo Rodrigues, “ressuscitou” via memória local, e nos mostrou deverás a importância deste sujeito tão admirável para as artes do seu tempo. Seus textos transmitem essa necessidade.

Incorporando este discurso, um grupo de jovens campinenses, ávidos de produzirem filmes, empenhados em se afirmarem buscaram nesta mesma “memória esquecida” marcada pelo pioneirismo, os subsídios para uma legitimação histórica na atualidade. Ao lado de Torquato Joel e Marcus Villar, Machado Bittencourt esta sendo transformado em um patrimônio, uma bela referência prática para os novos produtores neste inicio do século XX em Campina Grande. A maioria nunca assistiu se quer um filme de Machado. Mas não importa, o necessário é ver no nosso personagem um modelo de pragmatismo e libertação. Tanto André da Costa Pinto, idealizador do prêmio Machado Bittencourt no Comunicurtas (festival de Cinema de Campina Grande), assim como Rômulo Azevedo, que batizou o cineclube do curso de Comunicação Social de cineclube Machado Bittecourt, como os organizadores do Festival Aruanda, que pretendem ainda este ano homenagearem o mesmo, dão continuidade a este espírito de resgate, de exemplificação, de molde, Indo dentro das carnes da memória, caçando indícios de um exemplo feliz. Nossos jornalistas e cineastas atuais resgatam assim um corpo morto que ainda respira nas lembranças dos mandarins, e sem sepultura, este mesmo corpo se eterniza. Um exemplo pode ser sentido na fala do próprio André da Costa Pinto, quando ele diz em entrevista: “Creio que todo esse reconhecimento se deve a grande efervescência que vem movimentando o cinema nos últimos tempos na Paraíba. Hoje temos uma grande produção de curtas com qualidade, isso fica claro pela repercussão que muitos trabalhos vêm tendo país a fora como é o caso de Torquato Joel, Marcus Vilar, Taciano Valério, Bruno de Sales, dentre outros. Então nada mais justo do que reconhecer o trabalho de um pioneiro nessa área”. Desta forma, Machado Bittencourt, esse homem chamado Cinema, é fruto de uma Memória revivida, ressuscitada de forma brilhante e justa, para a glória do presente e do futuro do cinema paraibano e em especial de Campina Grande. É como escreveu Wills Leal: “Machado foi importante no seu tempo e, certamente, sempre o será”

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3 Comentários

  1. neusa barros said,

    é muito bom saber que fiz parte desta história. fui aluna de machado no curso de jornalismo. participei do filme o caso de carlota. tive uma boa relação com o prof machado. moro no rio e continuo sendo atriz. neusa barros

  2. Aparecida Barbosa said,

    Bruno, (sou Cida sua colega da disciplina de Cabral), parabéns pela sua iniciativa brilhante.
    Épreciso resgatar esses filmes, e derrepente fazer um amostra de de cinema de Bitencourt.
    Patrocínio se o projeto for bem feito a gente arranja.
    Conte comigo e com a nossa Produtora ARTCOM STUDIO DIGITAL.
    Abraços
    Cida

  3. eliane said,

    isso e d+++++++++++++++++++++++=

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