Frases sobre o Casamento e o Divórcio.

maio 9, 2008 at 3:47 pm (Relicário de Frases)

CASAMENTO

O casamento é uma tragédia em dois atos: civil e religioso.

Barão de Itararé (1895-1971) Jornalista e Humorista Gaúcho (Máximas e Mínimas de Barão de Itararé).

Casar é cômico, e não casar, é trágico.

Julio Camargo (1930-2007) Jornalista e Aforista Pernambucano (A Arte de Sofismar).

O casamento é como um número de trapézio, um precisa confiar no outro até de olhos fechados.

Luis Fernando Veríssimo (1936-) Cronista Gaúcho (As Mentiras que os Homens Contam).

Há pessoas que se casam em comunhão de males.

Marisa Raja Gabaglia (1942-2003) Escritora e Jornalista Paulista (O Pirol Brasileiro).

A diferença nos sexos é que produz a união.

Marquês de Marica (1773-1848) Pensador Carioca (Máximas Reflexões e Pensamentos).

A felicidade conjugal é extremamente difícil. Mas, quando existe, é extraconjugal.

Millôr Fernandes (1924-) Escritor e Humorista Carioca (Millôr Definitivo: A Bíblia do Caos).

A felicidade conjugal só é possível a três.

Millôr Fernandes (1924-) Escritor e Humorista Carioca (Millôr Definitivo: A Bíblia do Caos).

Casamento ainda é a melhor forma de duas pessoas descobrirem que casamento não dá certo.

Millôr Fernandes (1924-) Escritor e Humorista Carioca (Millôr Definitivo: A Bíblia do Caos)

DIVÒRCIO

Não foi só para os desonestos que se inventou o divórcio.

Artur Azevedo (1855-1908) Dramaturgo e Jornalista Maranhense (Os Melhores Contos de Artur Azevedo).

No casamento a expressão mais usada entre os dois é “meu bem”. No divórcio é “meus bens”.

Eno Teodoro Wanke (1929-2001) Poeta Paranaense (Numa Naice).

O divorcio é uma chance que se dá ao indivíduo para errar outra vez.

Leon Eliachar (1922-1987) Jornalista e Humorista Egípcio Radicado no Brasil (O Homem ao Quadrado).

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REPRESENTAÇÕES DO FEMININO NO TEATRO DE QORPO SANTO.

maio 9, 2008 at 3:36 pm (Ensaios)

I. Qorpo Santo: um corpo que queria ser santo.

O propósito desta comunicação é investigar as representações de gênero feminino no universo do Teatro de Qorpo-Santo, compreendendo assim como esse escritor construiu em suas peças teatrais os diversos processos de relações dinâmicas de gênero. José Joaquim de Campos Leão, mais conhecido como Qorpo-Santo, (1829-1883), pseudônimo que ele próprio se deu, nasceu na Vila do Triunfo, na então província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Suas peças levaram quase um século para serem encenados, sendo tanto elas, como seus dados biográficos terem chegados aos nossos dias de forma fragmentada. O motivo, segundo os estudiosos, – dentre eles Eudinyr Fraga, foi à invenção de uma dramaturgia irreverente e de um absoluto desprezo as convenções, ao contrário do Teatro produzido em sua época, marcado pelos costumes convencionais burgueses.

Mestre-escola em diversas vilas e cidades do interior do Rio Grande do Sul, Qorpo-Santo casou-se em 1856, tendo três filhas e um filho. Entre 1862-1864 começou a ter problemas com a justiça, sendo acusado de alienação, o que terminou por conduzi-lo até o Rio de Janeiro, sendo examinado no hospício D. Pedro II (1868). Os médicos diagnosticaram uma exaltação cerebral e uma monomania (caso específico da escrita).

Sua obra foi descoberta a cerca de 50 anos por alguns intelectuais do Rio Grande do Sul, sendo construída e intitulada com o nome de Ensiqlopédia qorposantense, que se componha de nove volumes, súmula do seu pensamento e de suas idéias. Nelas habitam vários poemas, reflexões, sobre política, moral, ética jornalística, anúncios, bilhetes, máximas, tudo amontoado sem nenhuma preocupação com a organização. Dos noves volumes que foram editadas nos idos de 1870, apenas seis chegaram até o momento até nós. Entre estes escritos descobertos está o material de nossa pesquisa, que é considerado a melhor parte de sua obra: suas peças teatrais.

As dezessete peças existentes encontram-se no volume IV da Ensiqlopédia, e foram escritas entre os dias 31 de janeiro e 16 de maio de 1866. Boa tarde dos textos jamais foi montado, sendo que a primeira encenação das peças da história ocorreu apenas no ano de 1966, portanto, cem anos depois de serem escritas. Destaque maior para as peças: Mateus e Mateusa, A Impossibilidade da Santificação e Hoje sou um; e amanhã outro.

Um dos aspectos mais interessantes da obra de Qorpo-Santo foi sua proposta de reforma ortográfica, daí a grafia do seu nome Qorpo e do vocabulário Ensiqlopédia. Abordando temas ousados em relação aos que correntes no seu tempo, tais como: o incesto, o homossexualismo, o adultério, seus personagens, tanto homens, como mulheres, são sujeitos presos em contradições terríveis, amparadas por uma atmosfera caótica e profundamente demarcada por situações de injustiça e angústia. Segundo Fraga (2001)

Na Dramaturgia de Qorpo-Santo inexiste qualquer preocupação de coerência psicológica na construção das personagens: são personalidades intercambiáveis que mudam de nome sem qualquer necessidade visível, deambulando por espaços inexplicáveis, nos quais o tempo se torna, ele próprio, uma ficção. Por conseguinte, desaparece qualquer tipo de verossimilhança mimética com o que se convenciona denominar “realidade quotidiana”, decorrência, na verdade, da falta de contorno das personagens e do mundo em que transitam.(FRAGA, 2001, p.11)

De acordo com Guilhermino César (1971), seu maior defensor, Qorpo-Santo teria sido o criador do chamado Teatro do absurdo em pleno século XIX, pois as características de sua obra são consideradas modernas e se comparam a Ionesco, ou mesmo Jarry. Vejamos como César (1971) se refere ao dramaturgo gaúcho:

É com toda certeza, o criador do “Teatro do Absurdo” ; veio muito antes de um Jarry e de um Vian, precedeu Ionesco na ousadia das soluções. Não conhecemos, em língua portuguesa, ninguém que lhe compare. Embora em muitas vezes não chegue a ser congruente, a ação que imagina, em termos de aliciante inventiva, deixa entrever uma concepção que está atual em qualquer época. (CÉSAR, 1971, p.268)

Na contramão deste pensamento o próprio Fraga (2001) discorda desta afirmativa. Para o ensaísta as peças teatrais de Qorpo-Santo se assemelham mais as características do surrealismo de André Breton e Duchamp, do quê o do Teatro de Absurdo, de Ionesco e Vian. “ Pois no mundo dos sonhos recuperados, do mergulho no insciente, é que deve ser encaixada a obra de Qorpo-Santo” (FRAGA, 2001) . Todavia, longe destas definições o que fica claro é o sentido de representar em escrita uma crise existencial íntima, apontando os paradigmas e os valores morais da sociedade como fatores principais da crise do homem, em meio à loucura e a razão.

II. Representações do feminino no Teatro do século XIX.

O debate sobre as representações vem rendendo várias divisões nas ciências sociais e humanas nestes últimos tempos. Alguns vêem a representação como “verdades escritas” dentro de um contexto discursivo, como o filósofo francês Michel Foucault (2004). Outros têm a posição de que a representação é uma construção de parte de uma realidade, que pode corresponder ou não com certas determinações do real, como é o caso do sociólogo BECKER citado por ANDRADE (2000). Para Pesavento (2005), uma das mais destacadas estudiosas da história cultural brasileira, representar significa estar no lugar de algo (representação como imagem presença) ou algum ou alguém que está ausente (representação como objeto ausência), mas ao mesmo tempo é um apresentar de um novo. Este novo é o chamado reescrever a realidade. E conclui a historiadora: “a representação não é uma cópia do real, sua imagem perfeita, espécie de reflexo, mas uma construção feita partir dele” (PESAVENTO, 2005, p.26), o que envolve desta maneira processos de percepção, identificação, reconhecimento, classificação, legitimação e exclusão.

Não é com esta compreensão que utilizamos o conceito de representação. Entendemos que as representações criadas dentro do campo discursivo criam imagens do mundo, não importando serem reais ou não, se verdadeiras ou inverídicas. A realidade assim pode ser compreendida como uma unidade fragmentária e indefinida, sem compromissos com coerências e convecções formais, em um mundo a parte constituído de sentidos e significados múltiplos. (CHIANPPARA, 2007).

Vamos agora a um pequeno passeio pelas representações de gênero feminino no universo do Teatro de Qorpo-Santo.

III. Qorpo Santo: O discurso feminino como representação da conquista de um espaço manifestação.

Na obra de Qorpo Santo(2001) o lugar privilegiado das ações dramáticas é o espaço da casa, ou seja, a residência familiar, sendo um lugar de múltiplos conflitos nos quais seus personagens se mostram em verdadeiros dilemas de relações interpessoais. A maior parte das tramas é construída dentro de uma relação familiar (pai /mãe / filho (as)), em uma lógica quase sempre de teor moral e religioso, onde a desrazão se sobressai a razão nos discursos.

A prioridade sempre é o conflito entre o marido e a esposa nas ações familiares. Na peça O Hóspede Atrevido ou o Brilhante Escondido, o autor revela através da voz do personagem principal Ernesto qual deveria ser a função do homem e da mulher na sociedade de sua época. Depois de referir-se ao homem como um ser que deveria produzir serviços ligados pela pena, pela palavra e pela espada, assim Ernesto distingue as mulheres em relação aos homens:

Quanto às mulheres, elevam-se e brilham por sua conduta moral, pela obediência, respeito e afeto para com seus pais; pelo recato e honestidade em suas maneiras e em seus vestidos, pela brandura, suavidade e encanto pela sua palavra; pela escolha dos trabalhos mais delicados e dos prazeres inocentes, pelo gosto e pela perseverança nos estudos das pelas artes , belas –artes e de tudo o mais que lhe é próprio e que pode concorrer para que sejam sociais; inteligentes, boas filhas, boas mães, boas esposas e respeitáveis senhoras. (QORPO-SANTO, 2001, p.29)

Em uma outra peça intitulada A Separação de Dois Esposos, Esculápio (protagonista) em mais um conflito de casais refere-se à função primordial da mulher: “È dever das mulheres cuidarem de tudo quanto se acha das portas para dentro, inclusive os maridos”. (QORPO-SANTO, 2001, p. 209). Todavia, esta função de cuidar dos afazeres domésticos, de criar os filhos, de ser dedicada ao marido dificilmente acontece entre as mulheres personagens de Qorpo-Santo. Pois suas posturas radicalizam em suas indignações de falas, a mulher reage a cada discurso do marido, impõe pensamentos, questiona-o a autoridade, inclusive se referindo a prática da infidelidade, como acontece na Peça Mateus e Mateusa, uma das mais interessantes produzidas pelo dramaturgo gaúcho. Nesta comédia, o mote mais uma vez é o conflito de casais. A traição conjugal parece ser comum numa lógica de escape às perturbações das relações me várias da obras. Mateusa é a mulher que se mostra, se revela, e que principalmente que “bate de frente” com o marido. Segundo Franco de Sá (2007) “Para um autor como Qorpo-Santo, que abriu espaço para as minorias em seu teatro, a personagem Mateusa ganhou em qualidade ao fazer essa atualização da mulher do século XIX, para a mulher do século XX. “ (p.3)

Em outra obra, intitulada Relações Naturais o teatro carnavalizado de Qorpo-santo (no sentido de Bakhtin) cria seu espaço social. O lar pode ser bordel e a casa , assim como a rua, mostra-se lugar de perdição. As mulheres da vida não são apenas as prostitutas, mas todas aquelas que conseguem romper com o espaço da casa. Na realidade muitas vezes a mulher segundo Corpo-Santo é uma portadora de pegados, e causa principal da não santificação dos homens, como é caso da peça considerada a mais autobiográfica de todas (A Impossibilidade de Santificação). O personagem C.S diz assim “Eu te suspenso, mulher maligna, a maldição de eu foste digna. Retira-te, porém, de minha presença; e nunca mais ouses vir insultar a quem só se ocupa em promover o bem geral de todos” (QORPO-SANTO, 2001, p.53). O discurso autobiográfico do personagem que tem as mesmas iniciais do autor demonstra o fato e o processo de interdição movido por sua esposa, e de outro a perseguição que sofreu por suas idéias em relação a arte e que não eram aceitas pelos grupos intelectuais de seu tempo.

Desta maneira, podemos assim compreender que a mulher no universo teatral de Qorpo-Santo não se situa como virgem romântica, nem como rainha do lar. Longe de encarnar o papel de vítimas do dever, as personagens femininas constroem gestos de briga e de abrigo dentro do espaço terrestre da casa. O discurso feminino toma corpo através da representação da conquista de um espaço manifestação.

A casa como o lugar essencialmente mantenedor (sustenta, defende, protege) da família é também de indignação, de revolta. Outro aspecto a se fazer notar é que no conjunto da obra de Qorpo-Santo, a casa apresenta-se também como espaço da sedução, além de conflito. Seja homem ou mulher, o espaço é utilizado para o ato da ação amorosa, da tentativa de converter a relação sexual. Portanto, longe das já conhecidas representações do gênero feminino na dramaturgia e na literatura no século XIX, a mulher na obra teatral de Qorpo-Santo possui um discurso feminino como representação da conquista de um espaço manifestação.

Referencias Bibliográficas

ANDRADE, Luciano Teixeira. Literatura e Ciências sociais. Revista Lócus, 2000, vol. 6, nº. 2: 65-73.

CÉSAR, Guilhermino. História da Literatura do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Editora Globo, 1971.

CHIAPPARA, Juan Franco. Michel Foucault: Ficção, real e Representação. In: RAGO, Margareth, MARTINS, Adilton Luis. Revista Aulas, Dezembro/2006, Março/2007, Vol.5. nº. 3,: 1-18

FRANCO DE SÁ, Lileana Mourão. A Casa Qorposantense. In: Encontro Regional da ABRALIC 2007. São Paulo, USP, 2007.

PESAVENTO, Sandra Jatahy. História & História Cultural. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.

QORPO-SANTO. Teatro Completo. Coleção Clássicos do teatro Brasileiro. Fixação. Estudos críticos e notas por Guilermino César. Rio de Janeiro: Serviço nacional l do Teatro/FUNARTE, 1980.

­­_____________. Teatro Completo. Apresentação por Euclynir Fraga. São Paulo: Iluminuras, 2001.

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