QUATRO NOTAS DE ESCRITA AUTOMÁTICA.

março 31, 2008 at 5:52 pm (Escritos Errantes)

arte-abstrada.jpg

 

 

Por Bruno Gaudêncio.

Happy end

O meu amor e eu
nascemos um para o outro

agora só falta quem nos apresente

Cacaso

 

Descobri vantagens em ser louco. Adentrar caminhos desfolhados. Sóbrias palavras ao gosto de álcool nu. Viverei pensando nas filas e vilas da minha alma, esperando tetos e netos, de uma família imbecil. Cacos de vidros de minha janela balbuciam despautérios, não só a mim, mas aos meus vizinhos calmos de ira. O ruim de causar transtornos é não agredir a todos, alguns só ficam vendo as sombras e as sobras das falhas, julgam em fuxicos metidos feitas de palavras azuis. Isso de ser poeta e moderno, ainda me causa lágrimas.

 

Os fatos nem sempre são fatos. Podem ser intestinos inteiros, tripas que bem assadas e consumidas com cachaça podem lhe tirar a vida e com saúde. Que gostoso! Argentinas não sabem o que é isso. Preciso olhares verdes. Ah isso de escrever trauma causa e calma tramas.

 

Inútil é querer ser branco, sendo todos negros e falhos quando claros de incertezas. Claros como a luva que nos retira da barriga de nossas mães infelizes em dor. Caldo grosso e amargo! Prefiro Vodka ou Rum. Mas essa história de cor ainda a de virar filosofia, nem que seja curta, daquelas de botequim ou Senzala. Baudelaire não pensou nisso quando trepou com uma bela negra em Paris, perto ou longe da Revolução. Jackson do Pandeiro era azul, eu sei disso, e Machado de Assis mais rosa dos que as bochechas do presidente da Bielorússia.

 

 

Diga o que quiser prefiro a loucura lúcida a lúcida loucura. Que minhas palavras possam nascer de meu sangue, seja de que cor ser. Pois da lucidez a bandeira o hino não me diz nada. Pois não sou brasileiro, sou de lugar nenhum. Minha terra seca eu como com farrinha. Ilusão é pensar em ler Ilusões Perdidas e não ser perdido. Vá faça…prove baratas como Clarice Lispector fez, trepe com as matas como Policarpo fez, ame a sua terra e a sua poesia, mas não se esqueça de esquecer que a loucura lúcida é superior ou não a lúcida loucura.

Link permanente 3 Comentários

FRASES DE AMOR E SEXO

março 11, 2008 at 1:24 pm (Relicário de Frases)

pablo-picasso-matador-luis-miguel-dominguin-1897-pencil-on-paper.jpg

 

AMOR E SEXO

 

Amor é prosa. Sexo é poesia.

Arnaldo Jabor (1940-) Jornalista e Cineasta Carioca (Amor é Prosa, Sexo é Poesia).

 

O amor precisa do pensamento. No sexo, o pensamento atrapalha.

Arnaldo Jabor (1940-) Jornalista e Cineasta Carioca (Amor é Prosa, Sexo é Poesia).

O amor é um circuito elétrico que só se satisfaz com ligação direta.

Eno Teodoro Wanke (1929-2001) Poeta Paranaense (Numa Naice).

 

O amor é uma emoção importante, o sexo também; mas só o amor somado ao sexo constitui a emoção fundamental do ser humano.

Marina Colasanti (1937-) Escritora e Jornalista Etíope radicada no Brasil (E Por Falar em Amor).

 

O sexo é a satisfação impossível. O amor é que justifica o fato de o homem ter nascido.

Nelson Rodrigues (1912-1980) Dramaturgo e Jornalista Pernambucano (Flor da Obsessão).

SEXO

 

Dois corpos são duas possibilidades. E, se souberem, podem entre si, num ponto do dia, desencadear a aurora.

Affonso Romano de Sant’Anna (1937-) Poeta e Cronista Mineiro(O Homem que Conheceu o Amor).

 

Os pais praticam o coito e nascemos nós, os coitados.

Fausto Woolf (1941-)Critico Teatral e Escritor Gaúcho (ABC do Fausto Woolf)

 

Os ricos transam. Os pobres procriam.

Millôr Fernandes (1924-) Escritor e Humorista Carioca (Millõr Definitivo: A Bíblia do Caos).

Comida é bom, bebida é ótimo, música é admirável, literatura é sublime, mas só o sexo provoca ereção.

Millõr Fernandes (1924-) Escritor e Humorista Carioca (Millõr Definitivo: A Bíblia do Caos).

 

Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém.

Nelson Rodrigues (1912-1980) Dramaturgo e Jornalista Pernambucano (Flor da obsessão)

 

Ou a mulher é fria ou morde.Sem dentada não há amor possível.

Nelson Rodrigues (1912-1980) Dramaturgo e Jornalista Pernambucano (Flor da obsessão)

 

Dois corpos inseridos um no outro – e a sensação de que nada mais existe na terra.

Carlos Drummund de Andrade (1902-1987) Poeta e Cronista Mineiro (O Avesso das Coisas)

 

Na mulher o sexo corrige a banalidade; no homem, agrava.

Machado de Assis (1839-1908) Escritor Carioca (Esaú e Jacó)

 

Os que fazem amor não estão fazendo apenas amor: estão dando corda ao relógio do mundo.

Mário Quintana (1906-1994) Poeta Gaúcho (A Preguiça como Método de Trabalho)

Link permanente 1 Comentário