Leve incompreensão (como ser um diário de moça ou um poema puto de Breton).

dezembro 20, 2007 at 10:09 pm (Escritos Errantes)

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Um homem com olhos fechados é um destroço de si mesmo, é uma casa abandonada por barreiras de palavras. Bendito seja a escuridão na clareza do nada. Bendito seja, dizem os nazarenos. No interior das carnes sentimentais há um grito fálico. Há uma caverna de poemas, dentro de um romance de Breton. Não são belas e sim profundas as avenidas da pele. É necessário um claro Caos ou uma ordem obscura nos sentidos imaginários. Clamo a morte dos sentimentos banais e sem raízes. Apenas o rizoma, com suas asas de transcendência ramificada me pode amar e abrir os olhos de uma irealidade necessária e feliz. Bendita seja a escuridão, que clareia o nada. Na cama costumo sonhar sonhos pesados de pena e de pedra. De pés no chão, pesadelos do tamanho de montanhas e asas. Fui e não sou mais. Mas, vou ser. Espero isso pacientemente, assim como espero   pacientemente um poema novo de Florbela. Desejo isso, muito mais que um quadro recém pintado de Friesz. Ser Diário de moça e poema de Breton. Esta é a minha utopia. Minha realutopia. Simples desequilíbrio? Talvez. Esta escuridão me clareia muito. Quero desclariar-me. Estou lendo muito Kafka. Ele me escurece. Estou escutando muito Mozart. Ele também me escurece. Vejo muita lama no espelho como na verdade deveria ver apenas meu negro rosto branco de Céu infernal. Sabe o deserto? O deserto é rico por ser quase nada. Cresce com o vento. O vento é Deus. Faz voar passarinhos. Os pássaros também são quase nada. Quero desertificar-me. Passariar-me. Mas não sou Deus e nem ele me gosta. Sou apenas escuridão humana no mundo de Caos. Desejo ser Diário de moça e poema de Breton. Desejo a frieza do sol, e a quentura das nuvens cheias de chuva. Na escrita simples quero multiplicar minha múltipla escuridão, abrir-me para as delicias do incompreendido. Bendita seja a escuridão! Desejo rasgar ainda o falso céu desse mundo artificial e vomitar na moralidade com a minha garganta de niilismo. Sou diário de moça e poema de Breton. 

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