MEU SONHO É VIVER DE LITERATURA: (Entrevista com Astier Basílio)

setembro 15, 2007 at 5:22 pm (Entrevistas)

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MEU SONHO É VIVER DE LITERATURA

Por Bruno Gaudêncio

  

Poeta, Jornalista cultural e Teatrólogo, Astier Basílio é Pernambucano, mas veio muito cedo residir em Campina Grande, – atualmente trabalha em João Pessoa nos Jornais da Paraíba, como repórter, e na revista Correio das Artes, (suplemento cultural do jornal A União), como crítico teatral. Destaque entre os autores da região suas produções estão espalhadas nos principais sites de arte e poesia do País.

 Em entrevista por E-mail diretamente de São Paulo, onde sua peça “Ariano”, parceria com Gustavo Paso, será montada depois de estar em cartaz no Rio de Janeiro, Astier, revelou que a sua poesia sempre se confundiu com a formação de sua própria identidade, que seu sonho atualmente é viver de Literatura, além de esclarecer certos aspectos de suas primeiras e ultimas publicações. Vejamos a entrevista:  

Você é filho de Tião Lima, importante poeta declamador. Nos fale um pouco de suas experiências com a Arte Poética?

A minha experiência com a poesia se confunde com a formação de minha identidade. Cresci ouvindo meu pai cantar viola pra mim e os meus irmãos. Era mágico ouví-lo tocar e cantar. Mamãe sempre cantava canções dos repentistas enquanto cuidava da casa. Meu tio, Manoel Basílio, sempre mandava folhetos de cordel pra nós. Comecei a fazer meus versos lá pelos 14 anos e sempre sonhei em ser cantador de viola profissional, coisa que não sou embora cante de improviso hoje como uma forma de divertimento e prazer.

Em uma recente entrevista sua você afirmou que nega determinadas autorias passadas suas. Ou seja, alguns livros seus publicados no inicio da carreira. Quais são as motivações para tal atitude?
 

Vou tentar esclarecer isso pra que não fiquem mal entendidos. Hoje em dia acredito que exista uma grande diferença entre publicar e escrever. Antes não pensava assim. Os meus primeiros livros retratavam meu conhecimento de mundo, minha emoção e refletiam a técnica que eu conhecia que era das escolas antigas, do romantismo, parnasianismo e do simbolismo. Não me arrependo de os ter publicado, mas não há que negar que foram exercícios, caminhos de um percurso que eu ainda estou empreendendo, com menos afoiteza e com mais equilíbrio e auto-crítica.

  

Poeta, jornalista, teatrólogo e agora também Critico de teatro na revista Correio das Artes. Você tem um desejo de se aventurar em outros gêneros Literários? Talvez o Romance?
 

Sim. O teatro me abriu as possibilidades da narrativa. Teatro é narrativa. Já estou com um trabalho na área de contos e enveredar pelo romance é um desafio que pretendo encarar em muito breve.  A prosa tem tramas e ritmos que estão para ser descobertos por mim. Espero que eu os encontre. Acho que tenho muito que dizer com a prosa.

Suas posições enquanto Articulista e Critico cultural são algumas vezes  Polêmicas. A que se deve esta tendência? Você acredita assim como Paulo  Francis que “todo intelectual deve ser livre e imprevisível”?

  

Acredito no seguinte: é preferível cometer um equívoco em nome de uma verdade particular a se omitir e ludibriar os leitores. É mais do que possível a quem exerce o ofício público do jornalismo opinativo cometer erros. Mas, eu tenho o compromisso ético de dizer a minha verdade e de expressar a minha opinião. Onde estiver um texto assinado com meu nome abaixo estará a minha verdade, passível de contestações e de críticas – claro, como toda e qualquer opinião. O que eu não posso fazer é ver uma peça, ler um livro, que são ruins e no momento em que for escrever sobre os mesmos trazer no meu texto dubiedades ou não deixar claro o que penso. É anti-ético com um leitor que talvez procure no jornal, que é um veículo público, uma referência. 

Você lançou um livro de poemas primeiramente através do seu blog (Mais Veneno do que paisagem). Em sua opinião este meio é a tendência do futuro?

Foi um processo muito rico, o de poder contar com a opinião de alguns amigos e de alguns leitores enquanto o livro foi sendo construído. Não foi bem um lançamento, mas uma espécie – mal comparando – de “big brother” literário. Foi muito bom mesmo. Os comentários eram valiosos. Mas, sou de “venetas”. Desativei os blogs. Este livro, “Eu Sou Mais Veneno Que Paisagem”, está muito mudado. Vários poemas foram alterados, muitos outros foram compostos. Não sei o que deu em mim, pois, de uns tempos pra cá, passei a valorizar a minha solidão, o exercício solitário da escrita. Isso também tem sua riqueza e seu valor.

 

 

Recentemente você lançou, juntamente com Gustavo Paso, no Rio de Janeiro uma peça sobre Ariano Suassuna. Podemos afirmar que esta sua obra é ou será  aporta aberta para sua ida ao Sul do país?

  

Acabei de ver a montagem da nova temporada da peça em São Paulo, de onde escrevo. Acabei de ver há poucas horas mesmo. Houve algumas mudanças no elenco, o diretor me solicitou algumas mexidas em trechos e cenas. Fiquei apreensivo quanto ao resultado, mas fui arrebatado pelo que aconteceu no palco do Centro Cultural Banco do Brasil, onde a peça está em cartaz. Bom, sou suspeito – aliás, suspeito não, culpado – pra falar. Não sei até que ponto o sucesso – acho que não é falsa modéstia dizer isso, até porque muito dele se deve à riqueza do universo ficcional de Ariano Suassuna – dessa peça poderia estar vinculado a uma ida minha ao Sul, como você fala, sei sim que é uma porta aberta para muitas outras, trabalhos vários. A peça “Ariano” sela definitivamente meu caminho no teatro. Já estou trabalhando em outro projeto com teatro, do qual não posso revelar muito agora, mas com perspectiva de montagem também no Rio de Janeiro. O que eu mais sonho – e é até mais importante do que uma transferência geográfica – é poder viver de literatura. Seria a minha completa realização. Estou lutando pra isso.

  

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4 Comentários

  1. jotamatias said,

    Foi boa! Vou linkar essa entrevista no meu blogue!

  2. João Aguiar said,

    Tive o privilégio de ter terminado Jornalismo na UEPB com Astier. Desde o tempo de universidade, ele sempre se destacou por seu potencial e, sobretudo, pela maestria como tecia, com as palavras, emoção e sensibilidade. Quando ele menciona seus primeiros escritos como “exercícios”, nos mostra toda sua capacidade crítica em relação a sua obra. Isto o torna mais qualificado não só para tecer críticas mas, também, para se aperfeiçoar, se lapidar e, porque não dizer, se (re)inventar. Seu talento é, sem sombra de dúvidas, o passaporte que o levará a alçar novos vôos. Diferentemente de outras pessoas, Astier conseguiu construir seu sucesso aos poucos, de força exaustiva, passo a passo. Talvez por este motivo, tenha conseguido lograr êxito. Espero poder vê-lo, muitas e muitas vezes, mostrando todo seu dinamismo, lirismo e talento nas diversas formas de expressão.

  3. Val said,

    Oi, Bruno!
    Conheci o teu blog a pouco tempo e já gostei de cara!
    Essa intrevista c Astier Basílio, nosso grande literato campinense, foi massa. Teria como publicá-la no blog do Cuca de Campina? Se vc ainda não conhece, acesse o canal p dar uma sacada, ok? Sou eu quem faço as atualizações e podemos trocar figurinhas.

    http://www.cucacg.bogspot.com

    Abs!

  4. Val said,

    Desculpe, digitei o endereço errado. O certo é: http://www.cucacg.blogspot.com

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