Um Homem Chamado Maria (Aforismos de Antonio Maria)

setembro 14, 2007 at 4:41 pm (Relicário de Frases)

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Pernambucano do Recife, onde nasceu a 17 de março de 1921, Antônio Maria de Araújo Morais, ou simplesmente Antônio Maria, foi um dos maiores cronistas brasileiros do seu tempo. E mais: compositor de sucessos inesquecíveis como “Ninguém me ama” ou “Se eu morresse amanhã”, ele também foi locutor esportivo, poeta e radialista.

Mas, para companheiros de farras como Vinícius de Moraes, Fernando Lobo e outros, sua marca maior foi, sem dúvida, a boemia. E foi como boêmio que Maria morreu, na noite de 15 de outubro de 1964, no Rio de Janeiro. Ao entrar num bar para trocar um cheque, ele passou mal, sentou-se e ali mesmo o coração parou. De enfarte.

Neto e filho de usineiros, antes da glória de ver suas músicas nas paradas de sucesso (interpretadas por Dolores Duran, Nora Ney ou Maysa), Antônio Maria viveu dias um tanto difíceis. Primeiro, no Recife, em meados da década de 30, quando os negócios da família decaíram e ele, ainda adolescente, teve que arranjar um emprego na Rádio Clube de Pernambuco, para bancar as já freqüentes noitadas no bar Gambrínus e no Cabaré Imperial.

Depois, a dureza continuou no Rio de Janeiro, para onde viajou em 1939, com Fernando Lobo, para “tentar a vida”: seu trabalho, como locutor esportivo na Rádio Ipanema, não agradou e ele chegou a passar fome. Frustrada a primeira tentativa de morar no Rio, Antônio Maria retornou ao Recife, onde gostava de narrar, sobretudo, os jogos do seu clube, o Sport.

Em seguida, convidado por Assis Chateaubriand (chefe dos Diários e Emissoras Associados), aceitou o cargo de diretor da Rádio Clube do Ceará e, já casado com sua primeira mulher, seguiu para Fortaleza. Depois, mudou-se para Salvador, também convidado para a direção das Emissoras Associadas da Bahia. Antonio Maria permaneceu no Nordeste até 1948 quando, mais uma vez, embarcou para o Rio de Janeiro. Foi a viagem definitiva para a “cidade maravilhosa”, onde iria conhecer o sucesso e viver mil aventuras.

Diretor do departamento de produção da Rádio Tupi e já assinando uma coluna no O Jornal, Antônio Maria torna-se, a 20 de janeiro de 1951, o primeiro diretor da primeira emissora de televisão instalada no Brasil, a TV Tupi do Rio.

Vida financeira organizada, é também a partir de 1951 que ele dá partida à carreira de compositor, compondo “Frevo n° 1 do Recife”, gravado pelo Trio de Ouro. E, apesar de ter como atividade principal o jornalismo, foi justamente com a música que ele ganhou fama. Durante 15 anos de trabalho, só ou em parceria com Fernando Lobo, Luís Bonfá, Vinícius De Moraes, Ismael Neto e outros, compôs um total de 63 músicas.

Como cronista, Maria atuou em vários jornais e revistas, entre os quais Diário Carioca, O Globo, Manchete. Mas foi no Última Hora, segundo Paulo Francis (um dos seus companheiros de noitadas), que ele teve a sua melhor fase. Poético, gozador, Maria escreveu sobre tudo: mulheres, política, boemia, solidão.

Em 1968, suas crônicas foram reunidas no livro “Jornal de Antônio Maria” (título de sua coluna em O Jornal), patrocinado pelo amigo José Aparecido de Oliveira. E foi a partir desse livro que o teatrólogo Paulo Pontes montou o espetáculo “Brasileiro, Profissão Esperança”, dirigido por Bibi Ferreira e com Ítalo Rossi e Maria Bethânia nos papéis principais.

Homem de muitas atividades, Antônio Maria foi também produtor e diretor de shows e programas de televisão. Por conta da boemia, sempre trocava o dia pela noite, mas dava conta de tudo. Teve época em que fazia, simultaneamente, três programas semanais na Rádio Mayrink Veiga, um programa na Rádio Nacional, uma crônica para a revista Manchete, uma para O Globo e seis para o Diário Carioca e, de quebra, ainda arrumava tempo para compor.

Nos últimos meses de vida, já doente do coração e um pouco afastado das madrugadas, montou com Ivan Lessa, no Rio de Janeiro, um escritório de produções para TV. Do seu primeiro casamento (com a pernambucana Maria Gonçalves Ferreira), teve dois filhos: Maria Rita e Antônio Maria Filho. E, como todo boêmio, amou muitas mulheres. Segundo José Aparecido, a última grande paixão de Antônio Maria foi Danusa Leão, que ele roubou do proprietário do jornal Última Hora, Samuel Wainer, e por isso foi demitido, passando cinco meses desempregado.

Quando conseguiu um novo emprego, a primeira crônica que Maria escreveu tinha o título “O bom caráter” e começava assim: “Aqueles que dizem que mulher de amigo meu pra mim é homem estão enganados; porque mulher de amigo meu é mulher mesmo.”

Quando sofreu o enfarte, Antônio Maria já estava separado de Danusa Leão. E José Aparecido, que seis meses antes havia dividido um apartamento com o cronista, depois contaria: “Estávamos numa situação muito difícil. Eu, cassado e o Antônio Maria vivendo a sua mais profunda crise sentimental. Foi o único homem que vi morrer de amor.”

Antônio Maria era filho de Inocêncio Ferreira de Morais e Diva Araújo de Morais e foi o autor de uma das mais executadas músicas brasileiras no exterior, “Manhã de Carnaval”, composta em 1959 para o filme “Orfeu Negro”, do diretor francês Marcel Camus, e que teve 150 gravações nos Estados Unidos e 200 na Europa. .

Extraido do site Pernambucano de A a Z.
Aforismos 

Extraido do livro : Com Vocês Antonio Maria

A ausência total de livros nos descompromete de maneira definitiva com a cultura.

Menino só sabe que é feio, no colégio, qunado o padre escolhe os que vão ajudar à missa.

Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chamda de Baudelaire.

È perigoso ter muitas mulhres. Quem tem seis, por exemplo, tem cinco oportunidades de ser enganado.

Amor a gente espera, como o pescador espera o seu peixe, ou o devoto espera o seu milagre: em silêncio, sem se im pacientar com a demora.

Só se ama uma mulher como lhe tememos a pele e o cheiro.

O verdadeiro amor é aquele que nos abrange e nos vence como um vício.

As mulheres bonitas detestam as mulheres bonitas, quando estão gostando muito de um homem feio.

Só há uma vantagem na solidão: poder ir ao banheiro de porta aberta.

Só creio em dois estados de lucidez: o dos bêbados e dos poetas.

Existir é difícil. Matar-se ou prosperar.

Quanto mais pobre mais comovente o ser humano que dorme.

A gente vive, passa por milhares de expêriencias(as mais intensas) para , afinal, convecer-se de que as melhores coisas da vida são comer e dormir.

O poeta tem que ignorar o próximo e odiar a si mesmo.

Nada é tão de mau gosto quanto a morte.

Ninguém se importou ainda em procurar a paz. Vão a Cristo, é verdade. Mas vão busca-ló no templo, com cruz e tudo, para levá-lo á guerra.

Cristo não é de quem o empenha, de quem o carrega nos ombros…mas de quem o traz no coração.

Para esquecer uma mulher é preciso gostar imediatamente de outra mulher, embora seja impossível gostar de outra enquanto não esquece uma mulher.

Minha Saúde é tanta que a farmácia aqui de Fernado Mendes foi à falência.

Medo de morrer só tem quem é feliz. Os infelizes estão aí, atravessando as ruas sem olhar para os aldos, pedindo a Deus que um fenemê os parta em dois.

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