O Lugar do Economista no atual Campo Intelectual Brasileiro

setembro 26, 2007 at 2:14 pm (Ensaios)

Dedicado A Sâmala Sonally

Dentro do campo intelectual Brasileiro a Economia possui na atualidade um lugar especial, que se institui principalmente após a década de 1960, no auge da Ditadura, quando os economistas se transformaram em espécies de primeiros ministros dos ditadores presidentes. Foram exemplos claros disso nomes como Roberto Campos e Delfin Neto, poderosos homens da vida política até a pouco tempo. Somado a isso houve o valor maior da economia de mercado em tempos de auge do capitalismo fazendo deles extremos opinadores e excêntricos idealizadores de planos de governo.

As motivações que fizeram o economista ter na atualidade brasileira um espaço importante estão ligados a fatores históricos: foram às transformações na nossa economia a partir da segunda metade do século XX (Industrialização), que implicaram em sucessivas crises financeiras internas. A exemplo do falso milagre brasileiro (pelo menos não tão verdadeiro) da década de 1970 e o Plano Cruzado, da década de 1980. Estes acontecimentos deram vazão à confirmação ou a criticas a determinados atos administrativos ligados à economia. Os economistas então se tornaram especialistas em exposição demagógica, conquistando um espaço privilegiado na rica intelectualidade nacional.

No campo intelectual o economista possui um domínio e um entendimento importante na sociedade, com um nível de compreensão imprescindível da realidade macro e micro da estrutura financeira Brasileira. Seus conceitos regem fatores que implicam mudanças nos cotidianos de todas as pessoas (gastos, investimentos, dívidas, etc). Entretanto, compreendo que há uma falsa superioridade intelectual na grande maioria dos economistas, artistas momentâneos das estranhas crises, profetas que tem como Deuses o lucro e o poder.

Além das faculdades, um lugar privilegiado de exposição dos economistas são os meios de comunicação de massa, especialmente os telejornais diários. Nestes meios o economista demonstra em seus discursos vazios todo o seu poder de “donos do saber”, com uma incontrolável arrogância e incapacidade de pensar aspectos sociais e políticos de forma clara, objetiva e com profundidade. O domínio de um conjunto de regras e conceitos sociais fez deles ridículos abutres de desequilíbrios e desestabilizações, seres que ganham à vida da miséria alheia de todos.

Não creio que todos os economistas fazem parte desta falsa compreensão do mundo, (um exemplo claro é Eduardo Gianetti, brilhante intelectual), todavia a grande maioria dos que participam do mercado de trabalho atual estão a serviços de noções anti-sociais e de descompromisso com a cidadania. É como o brilhante Nelson Rodrigues disse: “a superioridade do economista sobre o resto dos mortais é que ele fala o que ninguém entende”, ou pior o que ninguém sabe entender.

Anúncios

Link permanente 5 Comentários

Ditos e Notas de Alexei Torquato

setembro 16, 2007 at 6:39 pm (Ditos e Notas)

[01.] Depois da exibição do filme Signo do Caos de Rogério Sganzerla o Cineclube Machado Bittencourt traz no proximo sábado o longa Amantes Constantes, do françes Philippe Garrel. O local da exibição é o museu Assis Chateubrind e o horário será as 16 horas. Não percam!!!!!

[02.] Você sabia que o maior tradutor da lingua portuguesa de Doistoievki é o paraibano Paulo Bezerra? Pois é. Natural de Pedra Lavrada, interior do estado, ele  já traduziu entre outros títulos do escritor russo: O Idiota, Os Demônios e Crime e Castigo. Pense num estado pra nascer intelectual, visse!!

[03.]  Jarrier Alves neste mesmo blog comentando um artigo que fiz criticando a sua exposição “A César o que é de César” anunciou sua próxima exposição: “A Deus o que é de Deus”. Mais polêmica vem por aí. hehehehehehe

[04.]  Vem aí também o II Encontro da História da Mídia Regional em Campina Grande, que contará com mesas redondas, palestras, mini-curos e  grupos temáticos. Mais informações eu lhes passo meus caros no proximo Ditos e Notas.

[05.]  Sempre digo: Viver é Invivivel. Esta é plagiei da inigualavel Clarice Lispector.

[06.]  Considero a minha relação com a cidade de Campina Grande um caso de amor e ódio. Campina: uma merda que cheira é flor. Uma flor que cheira a merda. Eta cidade danada de boa e… de ruim.

[07.] “Não confunda Vazio cultural com Vadio cultural”. Grande frase do cineasta Brasileiro Cacá Diegues em épocas dificeis, porém muito criativas de Ditadura.

[08.] Em recente entrevista a um blog dos seus inumeraveis amigos intelectuais o grandioso João Matias Neto revelou que irá publicar seu primeiro livro. http://www.georgemacedo.com/2007/09/11/entrevista-joao-matias/  A obra contará com dezenas de contos e Crônicas. Esperamos que este seja o primeiro de muitos trabalhos livrescos. Viva ao Jota Matias!! O cearense mais Paraibano desta cidade.

[09.] Uma dica legal para quem gosta de Literatura é o programa radiofonico Onda Literária (Rádio Tabajara), que tem sua versão na net. Olha o link aí: http://ondaliteraria.cronopios.com.br/

[10.] Outra dica legal meus caros são os livros de um poeta que me discubriu: o portugues Heberto Helder. Expressionista, Surrealista, realista abstrato, o homem brinca com as palavras de forma incrivel. Olha um trecho: “Temos lepra na boca no instante mais negro do poema. Oh sim: a mostruosa grandeza, como quando se é criança entre as cores primitivas, descobrindo, andando.”

[11] Sem cultura, as qualidades ficam pela metade.

[12]. Suzy minha linda. Teadoro tegostoMUITO. Princesa hehehehehehehe

[13.] Há certos pensadores que nós nem concordamos muito com as suas reflexões, entretanto tudo que eles falam nos chamam atenção. No meu caso expecifico Ariano Suassuna é um exemplo. Só radicalmente contra algumas das suas posições, mas me interesso absultamente por tudo que ele diz e escreve. Este imperador das letras acredito é um gênio de ideias primitivas, mas de um senso de humor e inteligencia impecável e moderna. Viva ao Ariano!!! exemplo de intelectual orgãnico!!

[14.] Mais uma vez o Spazzio nos supreende com seus ” shows magnificos”. A casa de espetaculos  nos apresenta pela milássima vez o grupo Roupa Nova. Nada contra a banda, que com suas canções amorosas embalam corações apaixonados, mas é assim: quando não é eles, é Ivete Sangalo, quando não é Ivete é Zezé di Camargo e Luciano, ou Chiclete com Banana, ou quem sabe Avioões do forró. Perái!!! Campina Grande precisa de espetaculos músicais de maior diversidade. Os sonho de Todos nós, unioversitarios conscientes e criticos, é vermos naquele “antro sagrado” um show de um Los Hermanos, de um Chico César, de um Lenine. Mais tudo isso é sonho. Quem sabe um dia?? Rezem aqueles que tem fé!!!

[15.] Literatura: a melhor forma de não esconder nossas loucuras.

Link permanente 1 Comentário

MEU SONHO É VIVER DE LITERATURA: (Entrevista com Astier Basílio)

setembro 15, 2007 at 5:22 pm (Entrevistas)

astier.jpg

MEU SONHO É VIVER DE LITERATURA

Por Bruno Gaudêncio

  

Poeta, Jornalista cultural e Teatrólogo, Astier Basílio é Pernambucano, mas veio muito cedo residir em Campina Grande, – atualmente trabalha em João Pessoa nos Jornais da Paraíba, como repórter, e na revista Correio das Artes, (suplemento cultural do jornal A União), como crítico teatral. Destaque entre os autores da região suas produções estão espalhadas nos principais sites de arte e poesia do País.

 Em entrevista por E-mail diretamente de São Paulo, onde sua peça “Ariano”, parceria com Gustavo Paso, será montada depois de estar em cartaz no Rio de Janeiro, Astier, revelou que a sua poesia sempre se confundiu com a formação de sua própria identidade, que seu sonho atualmente é viver de Literatura, além de esclarecer certos aspectos de suas primeiras e ultimas publicações. Vejamos a entrevista:  

Você é filho de Tião Lima, importante poeta declamador. Nos fale um pouco de suas experiências com a Arte Poética?

A minha experiência com a poesia se confunde com a formação de minha identidade. Cresci ouvindo meu pai cantar viola pra mim e os meus irmãos. Era mágico ouví-lo tocar e cantar. Mamãe sempre cantava canções dos repentistas enquanto cuidava da casa. Meu tio, Manoel Basílio, sempre mandava folhetos de cordel pra nós. Comecei a fazer meus versos lá pelos 14 anos e sempre sonhei em ser cantador de viola profissional, coisa que não sou embora cante de improviso hoje como uma forma de divertimento e prazer.

Em uma recente entrevista sua você afirmou que nega determinadas autorias passadas suas. Ou seja, alguns livros seus publicados no inicio da carreira. Quais são as motivações para tal atitude?
 

Vou tentar esclarecer isso pra que não fiquem mal entendidos. Hoje em dia acredito que exista uma grande diferença entre publicar e escrever. Antes não pensava assim. Os meus primeiros livros retratavam meu conhecimento de mundo, minha emoção e refletiam a técnica que eu conhecia que era das escolas antigas, do romantismo, parnasianismo e do simbolismo. Não me arrependo de os ter publicado, mas não há que negar que foram exercícios, caminhos de um percurso que eu ainda estou empreendendo, com menos afoiteza e com mais equilíbrio e auto-crítica.

  

Poeta, jornalista, teatrólogo e agora também Critico de teatro na revista Correio das Artes. Você tem um desejo de se aventurar em outros gêneros Literários? Talvez o Romance?
 

Sim. O teatro me abriu as possibilidades da narrativa. Teatro é narrativa. Já estou com um trabalho na área de contos e enveredar pelo romance é um desafio que pretendo encarar em muito breve.  A prosa tem tramas e ritmos que estão para ser descobertos por mim. Espero que eu os encontre. Acho que tenho muito que dizer com a prosa.

Suas posições enquanto Articulista e Critico cultural são algumas vezes  Polêmicas. A que se deve esta tendência? Você acredita assim como Paulo  Francis que “todo intelectual deve ser livre e imprevisível”?

  

Acredito no seguinte: é preferível cometer um equívoco em nome de uma verdade particular a se omitir e ludibriar os leitores. É mais do que possível a quem exerce o ofício público do jornalismo opinativo cometer erros. Mas, eu tenho o compromisso ético de dizer a minha verdade e de expressar a minha opinião. Onde estiver um texto assinado com meu nome abaixo estará a minha verdade, passível de contestações e de críticas – claro, como toda e qualquer opinião. O que eu não posso fazer é ver uma peça, ler um livro, que são ruins e no momento em que for escrever sobre os mesmos trazer no meu texto dubiedades ou não deixar claro o que penso. É anti-ético com um leitor que talvez procure no jornal, que é um veículo público, uma referência. 

Você lançou um livro de poemas primeiramente através do seu blog (Mais Veneno do que paisagem). Em sua opinião este meio é a tendência do futuro?

Foi um processo muito rico, o de poder contar com a opinião de alguns amigos e de alguns leitores enquanto o livro foi sendo construído. Não foi bem um lançamento, mas uma espécie – mal comparando – de “big brother” literário. Foi muito bom mesmo. Os comentários eram valiosos. Mas, sou de “venetas”. Desativei os blogs. Este livro, “Eu Sou Mais Veneno Que Paisagem”, está muito mudado. Vários poemas foram alterados, muitos outros foram compostos. Não sei o que deu em mim, pois, de uns tempos pra cá, passei a valorizar a minha solidão, o exercício solitário da escrita. Isso também tem sua riqueza e seu valor.

 

 

Recentemente você lançou, juntamente com Gustavo Paso, no Rio de Janeiro uma peça sobre Ariano Suassuna. Podemos afirmar que esta sua obra é ou será  aporta aberta para sua ida ao Sul do país?

  

Acabei de ver a montagem da nova temporada da peça em São Paulo, de onde escrevo. Acabei de ver há poucas horas mesmo. Houve algumas mudanças no elenco, o diretor me solicitou algumas mexidas em trechos e cenas. Fiquei apreensivo quanto ao resultado, mas fui arrebatado pelo que aconteceu no palco do Centro Cultural Banco do Brasil, onde a peça está em cartaz. Bom, sou suspeito – aliás, suspeito não, culpado – pra falar. Não sei até que ponto o sucesso – acho que não é falsa modéstia dizer isso, até porque muito dele se deve à riqueza do universo ficcional de Ariano Suassuna – dessa peça poderia estar vinculado a uma ida minha ao Sul, como você fala, sei sim que é uma porta aberta para muitas outras, trabalhos vários. A peça “Ariano” sela definitivamente meu caminho no teatro. Já estou trabalhando em outro projeto com teatro, do qual não posso revelar muito agora, mas com perspectiva de montagem também no Rio de Janeiro. O que eu mais sonho – e é até mais importante do que uma transferência geográfica – é poder viver de literatura. Seria a minha completa realização. Estou lutando pra isso.

  

Link permanente 4 Comentários

Um Homem Chamado Maria (Aforismos de Antonio Maria)

setembro 14, 2007 at 4:41 pm (Relicário de Frases)

antonio-maria.jpg

Pernambucano do Recife, onde nasceu a 17 de março de 1921, Antônio Maria de Araújo Morais, ou simplesmente Antônio Maria, foi um dos maiores cronistas brasileiros do seu tempo. E mais: compositor de sucessos inesquecíveis como “Ninguém me ama” ou “Se eu morresse amanhã”, ele também foi locutor esportivo, poeta e radialista.

Mas, para companheiros de farras como Vinícius de Moraes, Fernando Lobo e outros, sua marca maior foi, sem dúvida, a boemia. E foi como boêmio que Maria morreu, na noite de 15 de outubro de 1964, no Rio de Janeiro. Ao entrar num bar para trocar um cheque, ele passou mal, sentou-se e ali mesmo o coração parou. De enfarte.

Neto e filho de usineiros, antes da glória de ver suas músicas nas paradas de sucesso (interpretadas por Dolores Duran, Nora Ney ou Maysa), Antônio Maria viveu dias um tanto difíceis. Primeiro, no Recife, em meados da década de 30, quando os negócios da família decaíram e ele, ainda adolescente, teve que arranjar um emprego na Rádio Clube de Pernambuco, para bancar as já freqüentes noitadas no bar Gambrínus e no Cabaré Imperial.

Depois, a dureza continuou no Rio de Janeiro, para onde viajou em 1939, com Fernando Lobo, para “tentar a vida”: seu trabalho, como locutor esportivo na Rádio Ipanema, não agradou e ele chegou a passar fome. Frustrada a primeira tentativa de morar no Rio, Antônio Maria retornou ao Recife, onde gostava de narrar, sobretudo, os jogos do seu clube, o Sport.

Em seguida, convidado por Assis Chateaubriand (chefe dos Diários e Emissoras Associados), aceitou o cargo de diretor da Rádio Clube do Ceará e, já casado com sua primeira mulher, seguiu para Fortaleza. Depois, mudou-se para Salvador, também convidado para a direção das Emissoras Associadas da Bahia. Antonio Maria permaneceu no Nordeste até 1948 quando, mais uma vez, embarcou para o Rio de Janeiro. Foi a viagem definitiva para a “cidade maravilhosa”, onde iria conhecer o sucesso e viver mil aventuras.

Diretor do departamento de produção da Rádio Tupi e já assinando uma coluna no O Jornal, Antônio Maria torna-se, a 20 de janeiro de 1951, o primeiro diretor da primeira emissora de televisão instalada no Brasil, a TV Tupi do Rio.

Vida financeira organizada, é também a partir de 1951 que ele dá partida à carreira de compositor, compondo “Frevo n° 1 do Recife”, gravado pelo Trio de Ouro. E, apesar de ter como atividade principal o jornalismo, foi justamente com a música que ele ganhou fama. Durante 15 anos de trabalho, só ou em parceria com Fernando Lobo, Luís Bonfá, Vinícius De Moraes, Ismael Neto e outros, compôs um total de 63 músicas.

Como cronista, Maria atuou em vários jornais e revistas, entre os quais Diário Carioca, O Globo, Manchete. Mas foi no Última Hora, segundo Paulo Francis (um dos seus companheiros de noitadas), que ele teve a sua melhor fase. Poético, gozador, Maria escreveu sobre tudo: mulheres, política, boemia, solidão.

Em 1968, suas crônicas foram reunidas no livro “Jornal de Antônio Maria” (título de sua coluna em O Jornal), patrocinado pelo amigo José Aparecido de Oliveira. E foi a partir desse livro que o teatrólogo Paulo Pontes montou o espetáculo “Brasileiro, Profissão Esperança”, dirigido por Bibi Ferreira e com Ítalo Rossi e Maria Bethânia nos papéis principais.

Homem de muitas atividades, Antônio Maria foi também produtor e diretor de shows e programas de televisão. Por conta da boemia, sempre trocava o dia pela noite, mas dava conta de tudo. Teve época em que fazia, simultaneamente, três programas semanais na Rádio Mayrink Veiga, um programa na Rádio Nacional, uma crônica para a revista Manchete, uma para O Globo e seis para o Diário Carioca e, de quebra, ainda arrumava tempo para compor.

Nos últimos meses de vida, já doente do coração e um pouco afastado das madrugadas, montou com Ivan Lessa, no Rio de Janeiro, um escritório de produções para TV. Do seu primeiro casamento (com a pernambucana Maria Gonçalves Ferreira), teve dois filhos: Maria Rita e Antônio Maria Filho. E, como todo boêmio, amou muitas mulheres. Segundo José Aparecido, a última grande paixão de Antônio Maria foi Danusa Leão, que ele roubou do proprietário do jornal Última Hora, Samuel Wainer, e por isso foi demitido, passando cinco meses desempregado.

Quando conseguiu um novo emprego, a primeira crônica que Maria escreveu tinha o título “O bom caráter” e começava assim: “Aqueles que dizem que mulher de amigo meu pra mim é homem estão enganados; porque mulher de amigo meu é mulher mesmo.”

Quando sofreu o enfarte, Antônio Maria já estava separado de Danusa Leão. E José Aparecido, que seis meses antes havia dividido um apartamento com o cronista, depois contaria: “Estávamos numa situação muito difícil. Eu, cassado e o Antônio Maria vivendo a sua mais profunda crise sentimental. Foi o único homem que vi morrer de amor.”

Antônio Maria era filho de Inocêncio Ferreira de Morais e Diva Araújo de Morais e foi o autor de uma das mais executadas músicas brasileiras no exterior, “Manhã de Carnaval”, composta em 1959 para o filme “Orfeu Negro”, do diretor francês Marcel Camus, e que teve 150 gravações nos Estados Unidos e 200 na Europa. .

Extraido do site Pernambucano de A a Z.
Aforismos 

Extraido do livro : Com Vocês Antonio Maria

A ausência total de livros nos descompromete de maneira definitiva com a cultura.

Menino só sabe que é feio, no colégio, qunado o padre escolhe os que vão ajudar à missa.

Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chamda de Baudelaire.

È perigoso ter muitas mulhres. Quem tem seis, por exemplo, tem cinco oportunidades de ser enganado.

Amor a gente espera, como o pescador espera o seu peixe, ou o devoto espera o seu milagre: em silêncio, sem se im pacientar com a demora.

Só se ama uma mulher como lhe tememos a pele e o cheiro.

O verdadeiro amor é aquele que nos abrange e nos vence como um vício.

As mulheres bonitas detestam as mulheres bonitas, quando estão gostando muito de um homem feio.

Só há uma vantagem na solidão: poder ir ao banheiro de porta aberta.

Só creio em dois estados de lucidez: o dos bêbados e dos poetas.

Existir é difícil. Matar-se ou prosperar.

Quanto mais pobre mais comovente o ser humano que dorme.

A gente vive, passa por milhares de expêriencias(as mais intensas) para , afinal, convecer-se de que as melhores coisas da vida são comer e dormir.

O poeta tem que ignorar o próximo e odiar a si mesmo.

Nada é tão de mau gosto quanto a morte.

Ninguém se importou ainda em procurar a paz. Vão a Cristo, é verdade. Mas vão busca-ló no templo, com cruz e tudo, para levá-lo á guerra.

Cristo não é de quem o empenha, de quem o carrega nos ombros…mas de quem o traz no coração.

Para esquecer uma mulher é preciso gostar imediatamente de outra mulher, embora seja impossível gostar de outra enquanto não esquece uma mulher.

Minha Saúde é tanta que a farmácia aqui de Fernado Mendes foi à falência.

Medo de morrer só tem quem é feliz. Os infelizes estão aí, atravessando as ruas sem olhar para os aldos, pedindo a Deus que um fenemê os parta em dois.

Link permanente Deixe um comentário

Sonhos de Ferro

setembro 9, 2007 at 3:50 pm (Poemas Avulsos)

medo.jpg

no quarto guardo

              entre as redes

do silêncio

          o vazio das gavetas

dos meus sonhos.

                      nas paredes

o sono calmo

esconde

           no cheiro azul

do lugar

tempestades sombrias

              em sons de asas

de morcegos.

Link permanente Deixe um comentário

Entre a Agressão a fé e a crítica a um aspecto da nossa sociedade.

setembro 8, 2007 at 4:47 pm (Ensaios)

Por Bruno R. Gaudêncio

Campina Grande está em êxtase como poucas vezes se viu em relação às artes, tudo devido à exposição do artista plástico Jarrier Alves intitulada “A César o que é de César”. As vinte e três peças que constituem a amostra estão expostas no Museu Assis Chateubriand desde inicio deste mês e vem causando muita polemica devido ao radical  caráter anti-religioso das obras.

  

A concepção da amostra traz um nervo criador cuja essência é à pura critica aos princípios da religiosidade. As peças trazem um descontrole radicalismo critico as chamadas instituições e símbolos cristãos, em analogias simples ou comparações históricas. Tudo isso suscitou a incompreensão dos crentes e a hostilidade dos cristãos.

  

A Elaboração das peças do artista segue uma marcação de influência claramente nietzneana, cuja concepção demarca uma guerra sem tréguas aos signos religiosos, tocando naquilo que mais pode polemizar, as relações imagéticas e analógicas entre a sexualidade humana e a pureza divina.

  

As Composições não espontâneas, todavia conscientes de seu sensacionalismo, criaram uma atmosfera polêmica como poucas vezes se viu na cidade, – para muitos as obras são uma agressão a fé, para outros uma expressão artística que representa certo aspecto critico da nossa sociedade. Entendo que estas duas visões se combinam e se complementam.

  

A agressão à fé é visível nas concepções caracterizadas pelo artista em telas cuja Deus é comparado a genitálias humanas, na relação sexual entre Jesus e Maria Madalena (uma das pinturas mais belas do ponto de vista estético) e na comparação entre os representantes religiosos enquanto prostitutas. Estes quadros demonstram o quanto Jarrier radicaliza suas expressões se apropriando das simbologias (anti)cristãs. Cada peça é uma espécie de flecha no sentido óbvio de uma profanação consciente.

  

Quanto aqueles que veêm em suas obras um significado critico em relação a um aspecto da nossa sociedade atual (a religião enquanto instituição alienante, por exemplo), compreendo que algumas peças tem este intuito e simbolismo, porém deságuam infelizmente em um exagero de expressões e idéias que acabam decaído em uma pura critica pela critica, sem muito fundamento artístico e conceitual.

  

O conjunto da obra não nos traz nenhuma inovação do ponto de vista estético, os traços e as dimensões são muitas vezes propositariamente grosseiros, as cores confluem em uma atmosfera fálica e sombria, em uma alma emblemática que já se apresentavam em outras amostras e obras suas – principalmente no caráter artesanal e peculiar de sua técnica.

  

O aspecto promocional é o ponto principal daqueles que não veêm com bons olhos às obras expostas. Entendo que o autor Jarrier Alves tem plena consciência de suas posições e sofre as conseqüências de tais idéias assumidas. No sentido de escandalizar, de chocar tocando naquilo que mais as pessoas respeitam, gostam e se sustentam o artista fez de sua arte um púlpito expressionista de ideologias anti-cristas, causando uma autopromoção e ao mesmo tempo uma reflexão sobre a fé e os seus princípios ideologicos.

Temos que ter plena consciência que uma das funções da arte meus caros é tocar nas feridas de uma sociedade em ebulição e isso, mesmo de forma não muito inovadora fez o artistas plásticos Jarrier Alves.

  

Link permanente 5 Comentários