DANAÇÔES

agosto 12, 2007 at 6:53 pm (Poemas Avulsos)

O abismo nos convida para o sono

Eu conheço o profundo dos cansaços

Escondemos o abismo e nada somos

A minha geração sangra nos mastros.

  

Maquinas trituram os nossos sonhos

Asas fechadas para um vôo divino

Deus morre nu no ventre dos destinos

Ao som de estranhas músicas montanhas.

  

Não tenho onde pousar o meu cansaço

A certeza me atrai mais incertezas

E brutaliza tudo aquilo do que faço

  

A mesma lágrima no rosto, a dor que cresce.

O vento leva a noite, mas deixa estrelas.

E juntas contemplam a dor que me padece.

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Da Cinética a Arte e Mídia

agosto 9, 2007 at 4:10 pm (Ensaios)

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Breve História do cinema em Campina Grande

Introdução 

Este pequeno Ensaio pretende de forma objetiva traçar a trajetória Histórica da Produção Cinematográfica na cidade de Campina Grande, buscando compreender as suas singularidades, bem como indicar os seus principais nomes e diretrizes estéticas. Em nenhum momento tentarei aprofundamentos críticos e abordagens exaustivas: meu olhar pontuou o que me pareceu mais representativo.

Entendendo que a história da produção áudio-visual em Campina Grande pode ser dividida em duas fases distintas: a primeira chamarei de Fase Cinética e a segunda denominarei de Fase Arte e Mídia. Sabemos que uma divisão em fases pode ser limitadora em alguns aspectos, entretanto neste, em particular, compreendendo que será a melhor maneira de sistematizar os dados e refletir as idéias que proponho.

  

A Fase Cinética.

  

A fase que denominamos de fase Cinética corresponde às ações empreendedoras do jornalista, fotógrafo e cineasta Jureni Machado Bitencort no cenário cultural campinense entre as décadas de 1960 e 1980, através da fundação da Cinética Filmes Ltda. – um dos poucos estúdios de cinema do interior do Brasil, e de sua atuação enquanto professor de cinema no curso de jornalismo na antiga Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB.

  

Natural do Piauí, mas radicado em Campina Grande, Machado foi o mais importante nome da história cinema campinense, sendo o responsável de cerca de mais de vinte filmes durante duas décadas. Desta filmografia, a maioria filmes em Super-8 e documentários, duas se destacam, as ficções Maria Coragem e O Caso Carlota, filmados graças à contribuição dos alunos da URNE. De acordo com o Critico e Historiador do Cinema Alex Santos, Maria Coragem é considerado o primeiro filme de longa-metragem realizado dentro de uma universidade.

  

A Cinética Filmes Ltda. foi idealizada e fundada por Machado no ano de 1974. Segundo o historiador Wills Leal a concretização deste empreendimento “só foi possível pela necessidade que tinha Machado de por em pratica duas idéias que corriam juntas: equipar-se para produzir filmes para a TV e, eventualmente, documentários culturais, e permitir a existência de um local para o aprendizado dos seus alunos de jornalismo Cinematográfico do Curso de Comunicação da Universidade Regional do Nordeste.”

  

Seus filmes são marcados pela forma artesanal de expressão com uma estética e uma temática primitiva, principalmente representando aquilo seria a nossa Nordestinidade, em seus conflitos e desigualdades, “retratando suas geografias, seus tipos humanos, seus artistas, suas grandezas e suas seculares misérias”, nas palavras de Wills Leal.

  

Na verdade, apesar das Ficções o maior legado que Machado deixou foi a contribuição a Memória de Campina Grande através dos seus documentários, ricos de cenários e personagens da cidade. São exemplos os filmes: A Feira, O Ultimo Coronel, Campina Grande: da prensa do algodão, á prensa de Gutenberg.

  

Sua ultima produção foi o curta Parahyba, feito por encomenda da comissão do quarto centenário da Paraíba em 1985. O documentário foi reconhecido pelo publico e pela critica, sendo considerado o melhor filme de Machado Bitencort. Machado faleceu em 1999, deixando uma grande contribuição para a história do cinema paraibano.

   

A Fase Arte e Mídia

  

Durante cerca de vinte anos a produção cinematográfica em Campina Grande se tornou inexistente, devido inicialmente à ausência de um individuo ousado como Machado Bitencort – interessado em lutar contra todos os obstáculos de uma atividade cinematográfica, – e principalmente pela situação de Crise econômica do Brasil no período, entre o final da década de 1980 e o inicio da década de 1990.

  

A produção audiovisual Campinense só renasce – novamente sobre a influencia acadêmica, através da fundação do curso de Arte e Mídia na Universidade Federal de Campina Grande no final da década de 1990 e inicio deste século XX. O Curso universitário propicia até o momento os dispositivos intelectuais e matérias, mesmo que limitados, para aqueles que desejam trabalhar com o audiovisual. Nos últimos anos, dezenas de vídeos foram produzidas por alunos desta instituição, ficções e documentários, a maioria curta metragem e com diretrizes estéticas experimentais.

  

Esse acontecimento trouxe uma efervescência à produção de vídeos digitais na cidade, que ultrapassou as fronteiras do curso. Atualmente nomes como Taciano Valério, Rodrigo Nunes, Breno César, Helton Paulino, Vinicius Nunes, André da Costa Pinto, entre outros, se destacam no cenário cinematográfico atual. Documentários como O Buraco, premiado nacionalmente, e Manuel Monteiro em Verso, Vídeo e Prosa, Hemocromatose e A Encomenda do Bicho Medonho podem ser considerados como as produções mais significativas nestes últimos anos.

  

Essas produções mais recentes ainda se encontram demarcadas pelos limites naturais de uma procura que lhes possam assegurar as características de uma dicção imagética singular, todavia elas representam na atualidade à força criativa e a vocação cinematográfica da cidade de Campina Grande.

   

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