Flashs Momentâneos de desejos…

julho 10, 2007 at 5:05 pm (Diário de Leituras)

Bem… Este espaço eu criei para comentar as minhas mais recentes leituras. No momento estou lendo dois romances e uma coletânea de ensaios sobre cinema. O primeiro romance chama-se A Insustentável Leveza do Ser, livro que virou filme em 2001, e obra máxima do escritor tcheco Milan Kundera. O segundo romance chama-se Água Viva, da inigualável Clarice Lispector, considerada um dos maiores nomes da Literatura Brasileira do século XX. Quanto à coletânea de ensaios ela se chama: Cinema: Trajetória no subdesenvolvimento, do crítico e fundador do pensamento cinematográfico Brasileiro Paulo Emílio Salles Gomes. 

Primeiramente falarei um pouco sobre os romances. No texto A Insustentável Leveza do Ser o que mais chama atenção é o aglomerado de sentidos existenciais que a narrativa produz para a quem o lê. Nela, agrupam-se sentimentalidades dos personagens com criticas a realidade social e política da Tchescolovaquia durante a década de 1960 (período da Invasão Russa), ambiente da narrativa, como também da escrita do próprio texto. Tudo é inconstante, os fatos, as ações dos personagens, as emoções políticas do autor que transparecem por todo o livro. Um texto fragmentário que nos parece uma espécie de ensaio existencial, por isso a considero um grande Romance analítico, bem escrito e emocional do inicio ao fim. Documento histórico e filosófico do século XX.

 Água Viva me arrematou desde inicio, pela incrível dissecação das palavras e principalmente pela fragmentação desenfreada da narrativa. Clarice libera neste texto de forma radical tudo que sente. Tudo é vida, pulsante e descontinua; cada metáfora, analogia, cada sentido e expressão que nos revela e nos pune. Obra sui generis. Magnífica. Clarice é a minha mais nova paixão literária. Estou banhada por sua água viva e por sua placenta de sentidos… 

Já a coletânea de Ensaios nos traz um panorama histórico e crítico do cinema Brasileiro de 1896, data da iniciação da pratica cinematográfica aqui no Brasil ate o auge do chamado movimento Cinema Novo no ano de 1966. Os textos são muito bem escritos e revelam o quanto era original e penetrante o pensamento de Paulo Emílio Salles Gomes.

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1 Comentário

  1. João Aguiar said,

    Se fosse um fumante eu diria; Bruno, o cigarro vai acabar te matando… na verdade, acho que sua leitura vai acabar te matando – risos… mas, cá pra nós, será uma morte muitíssimo prazerosa não achas? Eu também estou lendo obras que instigam nossos sentimentos mais obscuros e revoltos. Estou lendo A Metamorfose de Kafka. Sim… quem disse que não é tempo de se ler obras dessa monta? E cá estou eu a me metamorfosear diante desse emblemático ser. A propósito, me pergunto dessa sua súbita paixão por Clarice Lispector e a resposta, quase imediata, me diz que fatores externos conspiraram para esse romance literário – risos… o bom de falarmos com aqueles que amamos é, sobretudo, saber que nossas palavras, por mais desconexas que pareçam, sempre terão significados.

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