Eu sou uma Pergunta (Máximas e Reflexões de Clarice Lispector).

julho 10, 2007 at 8:30 pm (Relicário de Frases)

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Clarice Lispector (Tchetchelnik Ucrânia 1925 – Rio de Janeiro RJ 1977) passou a infância em Recife e em 1937 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se formou em direito. Estreou na literatura ainda muito jovem com o romance Perto do Coração Selvagem (1943), que teve calorosa acolhida da crítica e recebeu o Prêmio Graça Aranha. 

 Em 1944, recém-casada com um diplomata, viajou para Nápoles, onde serviu num hospital durante os últimos meses da Segunda Guerra. Depois de uma longa estada na Suíça e Estados Unidos, voltou a morar no Rio de Janeiro.

Entre suas obras mais importantes estão as reuniões de contos A Legião Estrangeira (1964) e Laços de Família (1972) e os romances A Paixão Segundo G.H. (1964) e A Hora da Estrela (1977). 

Clarice Lispector começou a colaborar na imprensa em 1942 e, ao longo de toda a vida, nunca se desvinculou totalmente do jornalismo. Trabalhou na Agência Nacional e nos jornais A Noite e Diário da Noite. Foi colunista do Correio da Manhã e realizou diversas entrevistas para a revista Manchete. A autora também foi cronista do Jornal do Brasil. Produzidos entre 1967 e 1973, esses textos estão reunidos no volume A Descoberta do Mundo. 

As Frases que constituem esta seleção que eu fiz foram retirados dos já citados A Paixão Segundo G.H (Romance) e A Descoberta do Mundo (Crônicas). Elas revelam um pouco o que foi Clarice Lispector intuitiva, analítica, exótica e profundamente preocupada com a existência em todo o seus sentidos. 

1. Cada livro meu é uma estréia penosa e feliz.

2. Arte não é pureza, é purificação, arte não é liberdade, é libertação. 

3. A felicidade também dói. 

4. È com um pouco de pudor que sou obrigado a reconhecer que o que mais interessa á mulher é o homem. 

5. Eu sempre soube de coisas que nem eu mesma a sei que sei. 

6. Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. 

7. O homem é um ser tão estranho a si mesmo que, só por ser inocente, é natural. 

8. – Quem é Deus?    – Todos algumas vezes. Nada, sempre. 

9. Escrever é um dos modos de fracassar. 

10. A loucura é vizinha da mais cruel sensatez. Engulo a loucura porque ela me alucina calmamente. 

11. Só é bom escrever quando ainda não se sabe o que acontecerá. 

12. Todo herói é um herói de si mesmo. Quem vence está-se vencendo. 

13. Sou forte, mas também destrutiva. 

14. Todo prazer intenso toca o limiar da dor. 

15. Ser intelectual é usar sobretudo a inteligência, o que eu não faço: uso é a intuição. 

16. O que nos salva da solidão é a solidão de cada um dos outros. 

17. A criação não é uma compreensão, é um novo mistério. 

18. O erro das pessoas inteligentes é tão mais grave: eles têm os argumentos que provam. 

19. Somos livres, e este é o inferno. 

20. A fé – é saber que se pode ir comer o milagre. 

21. A verdade não faz sentido, a grandeza do mundo me encolhe. 

22. Tremo de medo e adoração pelo o que existe. 

23. Tudo olha para tudo, tudo vive o outro; neste deserto as coisas sabem as coisas. 

24. Criar não é imaginação, é comer o grande risco de ter a realidade. 

25.Ser é ser além do humano. 

26. Sou mais aquilo quem em mim não é. 

27. Quando menos sei mais a doçura do abismo é meu destino.     

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