Escritos Errantes

julho 4, 2007 at 9:21 pm (Escritos Errantes)

Feriado de mim mesmo

A Santiago Nazarian e Carlos Alves 

“Só posso compreender o que me acontece, mas só me acontece o que não compreendo –o que sei do resto? O resto não existiu.” Clarice Lispector 

“Somente o acaso tem voz.”Milan Kundera  

È certo que estou errado. Que um dia mandei as nuvens embora de minhas montanhas. È certo que estou errado. As palavras me escondem sem cuidado. È certo que estou errado. Que o amor não existe, e sim alguns momentos de amizade. Que a amizade não existe e sim raros momentos de amor. È certo que estou errado. Pois viver é invivivel. A vida na verdade é uma merda que cheira a flor, ou uma flor que cheira a merda. Somos merda? ou somos flor? a dor e o desejo nos revelam.

Quero um mínimo de tempo para não me perder. Estou absurdo. Onde estão aqueles malditos versos malditos? Aqueles de banheiro e descarga. Devem estar dentro de mim. Possivelmente. Ou então no Caos dos meus cabelos, que ao vento se espalham pelos ares dos lares infelizes, ou nos meus nadas olhos indeléveis, perturbados pelo sono. 

Este tédio me alucina. Cria-me, sabe, e principalmente me perde. Na verdade perder-se é achar-se, sempre digo. Eu sempre me perco, apesar de não gostar, apesar de amar esta perda absurda, sincera e necessária de todos os dias, de todos os tempos infindos… Cedo percebi que perder-se é a única forma de felicidade.


Pobre instituição individual que mora em mim. Moraliza-me. Controla-me. Mas eu me liberto através do caos das palavras, com a textura indecente dos meus sentimentos no papel. Claro que as leituras que faço me atencipam das perdas que terei. Elas me capam e excitam também. Meu sexo não mais existe, no entanto vive ereto e longo. Ereto de perdas, é claro. Sou campeão de perdas. Sou campeão de derrotas, derrotas de mim…
Perturbei demais o mundo em achar que Nietszche foi um Deus. Hoje sou Cristão que reza dúvidas e dádivas da poesia maldita dos poetas marginais. Fabulo perdas em meus miseráveis escritos demagógicos, que tardarão em serem publicados e admirados em seus desvalores. Sou o escritor mais não escritor que já existiu. O universo é pequeno para tanto descrédito e demérito. Não tenho mérito em escrever estas perdas, que no fundo me vivam e me matam. 

Campina Grande não me perdoa. Sou jovem e artista demais para sua mediocridade megalomaníaca de certezas. È certo que estou errado. Eu não existo. Sou ficção imprimida na realidade concreta. È certo que estou errado. Gasto demais meus versos em crônicas não crônicas, em Romances não romances, em Ensaios não ensaios. È certo que estou errado, repito, eu não existo, e viver é invivivel…

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