O Homem das Frases Célebres (Oscar Wilde)

julho 31, 2007 at 3:27 pm (Relicário de Frases)

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Oscar Fingall O’Flahertie Wills Wilde é o nome completo daquele que viria a ser um dos maiores escritores do século XIX. As turbulências e confusões cercam sua vida desde o dia do seu nascimento; uma dúvida até os dias de hoje. A data mais defendida seria 16 de outubro de 1854, mas, existem algumas divergências, sendo que alguns estudiosos afirmam que a data correta seria 15 de outubro de 1856; outros apontam o ano de 1855. Isso se torna irrelevante diante da grandiosidade de sua obra, desenvolvida durante os seus 46 anos de vida.

Esse irlandês, nascido em Dublin, era filho de um médico, Sir William Wilde, morto em 1876 e uma escritora, Jane Francesca Elgee, árdua defensora do movimento da Independência Irlandesa, fazendo com que desde criança Oscar Wilde estivesse sempre rodeado pelos maiores intelectuais da época.Criado no Protestantismo, Oscar Wilde foi um aluno brilhante, sobretudo nos estudos das grandes obras clássicas gregas e pelos seus altos conhecimentos dos idiomas. Estudante na Portora Royal School de Enniskillem, onde ingressou em 1865, ganhou vários prêmios por esse seu destaque, inclusive no Trinity College, em Dublin, e no Magdalen College, Oxford, onde ingressou em 1874, saindo 4 anos depois. Nessa mesmo época, em 1978, ganhou o prêmio Newdigate, com a clássico “Ravena”.Desde cedo, sobressaía-se entre os demais estudantes, tanto pela sua inteligência quanto pelo temperamento forte e anticonvencional, levando-se em consideração a alta moralização dos costumes no século XIX. Mantinha sempre um ar de superioridade por onde ia, mas, sua forte personalidade e seu brilho natural sobrepunham-se a isso, tornando-o figura indispensável.

Em 1882, foi convidado para ir aos Eatados Unidos e palestrar sobre o seu recém criado Movimento Estético, onde se tornou o principal divulgador das idéias de renovação moral. Defendia o ‘belo’ como única solução contra tudo o que considerava denegrir a sociedade da época. Esse Movimento, que contava também com toda a nova geração de intelectuais britânicos, visava transformar o tradicionalismo na época Vitoriana, dando um tom de vanguarda ás artes.

No ano seguinte, 1883, vai para Paris, explorando todo o mundo literário francês, o que acaba por enfraquecer seu Movimento. Nesse período, no qual conquistou vários títulos, começou a publicar suas obras, pequenos escritos com inspiração clássica.

Em seguida, retorna para a Inglaterra, onde casa-se com Constance Lloyd, filha de uma advogado de renome em Dublin. Muda-se para Chelsea, notoriamente um bairro de artistas, com grande influência cultural. Teve 2 filhos, Cyril em 1885, e Vyvyan no ano seguinte.

Mesmo após ao casamento, manteve-se muito conhecido e requisitados em todas as rodas literárias, honrado com todos os compromissos aos quais era convidado. Tornou-se realmente uma pessoa indispensável e comentada aos eventos sociais, espalhando glamour e comentários por onde passava. Possuia uma aparência elegante, que atraia os olhares: vestia-se elegante e extravagantemente bem, com roupas e adereços que, segundo suas próprias palavras, sempre refletiam o que de mais íntimo existia dentro de si.

Continuando com suas obras, a seguinte foi “Vera”, um texto teatral bem sucedido, publicado em 1880. Após esta, publicou uma coletânea de poemas. Chegou a ter 3 peças em cartaz simultaneamente nos teatros ingleses, fato notável tanto na época, como nos dias de hoje.

Em 1887 e 1888, foram lançados vários contos e novelas, como “O Princípe Feliz”, “O Fantasma de Canterville” e várias outras histórias, todas fantasiosas demais, chegando a ser comparadas com Contos de Fadas, mas, como toda a amargura que residia no coração de Oscar Wilde.

Durante toda sua vida, rumores iam sendo criados em torno da suposta vida irregular que ele teria, o que dava á sua figura, um ar de encantamento e atração ainda maior. Podia-se dizer que era amado por uns, repudiado por outros. Alguns estudiosos consideram que essa má fama chegou a atrapalhar sua carreira literária, mas, seus admiradores provam que era justamente o contrário, Oscar Wilde tinha a mistura perfeita de petulância e doçura.

Seu período literário mais produtivo foi 1887-1895.

Em 1891, lançou o que viria a ser sua obra prima, a obra que o colocaria para sempre no hall dos grandes escritores, “O Retrato de Dorian Gray”. Livro que retrata a decadência moral humana, “O Retrato…” fez com que seu escritor torna-se ainda mais admirado e famoso.

No entanto, no seu apogeu literário, começaram a surgir os problemas pessoais. O que antes eram apenas boatos, passou a se concretizar, dando início á decadência pessoal daquele grande homem.

Suas atitudes, já um tanto quanto audaciosas para a época, ainda desafiariam muito mais a moralidade aristocrática inglesa. Rumores sobre seu homossexualismo, severamente condenado por lei na Inglaterra, apareceram, não podendo mais serem negados por ele.

Conhece o Lord Alfred Douglas (ou Bosie, como era apelidado), pivô de todo seu drama amoroso. O pai de Lord Douglas, Marquês de Queensberry, sabendo do envolvimento do filho com o escritor, envia carta á Oscar Wilde no Albermale Club, onde o ofende e recrimina toda e qualquer relação que ele venha a ter com o jovem Lord, dizendo “A Oscar Wilde, conhecido Sodomita”. O escritor decidi processar o Marquês por difamação.

Em seguida, tenta mudar de idéia e desistir do processo, visto que muitas rumores pairavam sobre sua própria conduta. Mas, é tarde demais, e as provas concretas da sua desregrada vida sexual começam a aparecer e um novo processo é instaurado contra ele. Entre as provas, a mais contundente é uma carta enviada por Wilde para o jovem Lord, peça chave no julgamento:

“January 1893, Babbacombe CliffMy Own Boy,Your sonnet is quite lovely, and it is a marvel that those red-roseleaf lips of yours should be made no less for the madness of music and song than for the madness of kissing. Your slim gilt soul walks between passion and poetry. I know Hyacinthus, whom Apollo loved so madly, was you in Greek days.Why are you alone in London, and when do you go to Salisbury? Do go there to cool your hands in the grey twilight of Gothic things, and come here whenever you like. It is a lovely place and lacks only you; but go to Salisbury first.

Always, with undying love,
Yours, OSCAR.”

A 6 de abril começa o primeiro dos processos contra ele., no Tribunal de Old Bailey.

Em 11 de abril, é transferido da Prisão de Bow Street, onde estava encarcerado, para a de Holloway, como réu de crime inafiançável.

Em 1985, a sentença é decretada: Oscar Wilde foi condenado por sua relação dúbia com o Lord e suas práticas homossexuais á 2 anos de cárcere. Segue-se uma transcrição das palavras do Juíz, onde ele diz, entre outras coisas, qual seria a penalidade para o literato:

“IT IS NO USE FOR ME TO ADDRESS YOU. PEOPLE WHO CAN DO THESE THINGS MUST BE DEAD TO ALL SENSE OF SHAME, AND ONE CANNOT HOPE TO PRODUCE ANY EFFECT UPON THEM. IT IS THE WORST CASE THAT I HAVE EVER TRIED…THAT YOU, WILDE, HAVE BEEN THE CENTRE OF A CIRCLE OF EXTENSIVE CORRPUTION OF THE MOST HIDEOUS KIND AMONG YOUNG MEN, IT IS EQUALLY IMPOSSIBLE TO DOUBT. I SHALL, UNDER SUCH CIRCUMSTANCES, BE EXPECTED TO PASS THE SEVEREST SENTENCE THAT THE LAW ALLOWS. IN MY JUDGEMENT IT IS TOTALLY INADEQUATE FOR SUCH A CASE AS THIS.THE SENTENCE OF THE COURT IS THAT YOU BE IMPRISIONED AND KEPT TO HARD LABOR FOR TWO YEARS”.Depois desse incidente, toda sua fama e sucesso financeiro começa a desmoronar. Suas obras e livros são recolhidos das livrarias, assim como suas comédias tiradas de cartaz. O que lhe resta, acaba sendo leiloado para suas despesas do processo judicial.

Mesmo condenado, Wilde não abaixaria sua cabeça e declararia á todos que quisessem ouvir, o que se passava dentro de si:

“O amor que não ousa dizer o nome’ nesse século é a grande afeição de um homem mais velho por um homem mais jovem como aquela que houve entre Davi e Jonatas, é aquele amor que Platão tornou a base de sua filosofia, é o amor que você pode achar nos sonetos de Michelangelo e Shakespeare. É aquela afeição profunda, espiritual que é tão pura quanto perfeita. Ele dita e preenche grandes obras de arte como as de Shakespeare e Michelangelo, e aquelas minhas duas cartas, tal como são. Esse amor é mal entendido nesse século, tão mal entendido que pode ser descrito como o `Amor que não ousa dizer o nome’ e por causa disso estou onde estou agora. Ele é bonito, é bom, é a mais nobre forma de afeição. Não há nada que não seja natural nele. Ele é intelectual e repetidamente existe entre um homem mais velho e um homem mais novo, quando o mais velho tem o intelecto e o mais jovem tem toda a alegria, a esperança e o brilho da vida à sua frente. Que as coisas deveriam ser assim o mundo não entende. O mundo zomba desse amor e às vezes expõe alguém ao ridículo por causa dele.”

(Essas foras as palavras do literato em seu primeiro julgamento, em 26 de abril de 1895.)

Ainda assim, a poesia estava em suas veias e escreve mais duas obras: “A Balada do Cárcere de Reading”, baseado na execução do ex-sargento Charles T. Woolridge dentro da Prisão de Reading e “De Profundis”, uma longa carta ao Lord Douglas.

Wilde era o prisioneiro C-33 do presídio de Reading. E, enquanto estava preso, mais especificamente no ano de 1896, aconteceu um fato curioso: naquela madrugada de 3 de fevereiro, ele diz ter uma visão. Era o espírito de sua mãe que aparecia para ele. “Eu a convidei para sentar, mas ela só balançou a cabeça”, disse o escritor.  No dia seguinte, ele recebe a notícia da morte de sua mãe.Foi libertado em 19 de maio de 1897 e transferiu-se para a França, onde adotou o pseudônimo de Sebastian Melmouth, usando esse nome inclusive para o seu registro no     Hotel d´Alsace, onde passou a maior parte do resto dos seus dias. Mesmo após sua libertação, continua a manter contato com Lord Douglas, mas, sua relação já não era mais tão íntima. E, mesmo antes do julgamento, haviam dúvidas sobre o tamanho da intimidade entre os dois.Após toda essa decadência, mais física, econômica do que moral, conhece a pobreza, e tudo o que de pior ela pode trazer. Vive isolado em hotéis baratos, destruindo-se através do absinto, cuja cor lhe rendeu frases célebres.Não mais veria seus filhos, que chegaram a ter a atitude absurda de trocar de nomes, visto á vergonha que seu pai teria “impingido” ás suas vidas. Sua ex-mulher morreria em 1899.

Oscar Wilde, espirituoso e brilhante escritor, morreu de meningite e uma infecção no ouvido chamada “cholesteotoma” (doença muito comum antes do advento dos antibióticos) em um quarto barato de um hotel de Paris, ás 9 hrs 50 mins do dia 30 de novembro de 1900. Morreu sozinho, mas, não desmoralizado, pois havia deixado insubstituível obra que, mesmo depois de 1 século, ainda é admirada e relembrada, tamanho á sua genialidade. Suas últimas palavras foram “Esse papel de parede é horrível! Alguém precisa trocá-lo!”, referindo-se ao papel de parede do quarto de hotel onde se encontrava.

O dramaturgo jaz no cemitério Père Lachaise, o mais célebre de Paris, onde estão os túmulos de outras 105 grandes personalidades do mundo, como Balzac, Chopin, Alan Kardec, La Fontaine e Molière. Seu túmulo fica no número 83 da Avenue Carette, entre a Transversal 3 e a Avenue Circulaire. Porém, esse não é o lugar onde ele foi inicialmente enterrado. Em 1900, ele foi sepultado no pequeno cemitério de Bagneux. As únicas pessoas que compareceram ao seu enterro foram seu amigo Robert Boss, que certa vez fez divulgação de alguns manuscritos de Wilde e Lord Douglas.

Lord Douglas, ironicamente, arca com todas as despesas do funeral do escritor e depois disso, casa-se, porém, não foi feliz em sua nova união, separando-se mais tarde. Sua vida pregressa com Oscar Wilde o impede de ter a custódia dos filhos. Ele acaba seus dias ainda rememorando a lembrança do escritor; recordações que deixa evidente em seu livro de memórias, escrito em 1938, Without Apology (Sem Desculpas), onde faz um balanço de toda a sua vida.

 

Retirada do site:http://www.avanielmarinho.com.br/biografia/oscarwilde1.htm

1. As mulheres foram feitas para serem amadas, e não para serem compreendidas.

2. È melhor ser bonito que bom; mas é melhor ser bom que ser feio.

3. Um homem que não tem pensamentos individuais é um homem que não pensa.

4. O mundo é um palco, mas os papéis foram mal distribuidos.

5. A Mulher que não sabe tornar agradaveis os seus erros não passa de uma fêmea.

6. As piores coisas sempre são feitas com as melhores intenções.

7. Para enterdermos os outros, precisamos fortalecer a nossa própria personalidade.

8. A base lógica do casamento é o recíproco mal-entendido.

9. O bem estar material é a única coisa que a nossa civilização pode nos dar.

10. O fato de um homem imolar-se por uma ideia não prova de forma alguma que ela seja verdadeira.

11. Experiencia é o nome que todos dão aos seus primeiros erros.

12. Crer é muito monótono, a dúvida é profundamente sedutora.

13. Todas as pessoas fascinantes tem vícios: estão aí o segredo de sua fascinação.

14. O pranto é o refúgio das mulheres feias, mas é a ruína das graciosas.

15. O progresso depende da força das personalidades e não dos principios.

16. O único jeito de uma mulher reformar um homem é chateando-o até que ele perca qualquer interesse pela vida.

17. A obra de arte deve dominar o público. Não cabe ao público dominar a obra de arte.

18. A vida é apenas um tempinho horroroso cheio de momentos deliciosos.

19. a sociedade pode até perdoar o deliquente, mas nunca perdoa ao sonhador.

20. Uma idéia que não é perigosa não merece ser chamada de idéia.

Estes aforismos foram retirados do livro: Aforismos.

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Paisagem Interna I

julho 27, 2007 at 7:30 pm (Paisagem Interna)

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CULTA MELANCOLIA NIILISTA  

Extasiado e com dúvidas morais

Sinto-me um sábio dos porcos,

Um dos loucos de Shakespeare

(Os únicos que dizem a verdade).

Minha bondade é burra.

Minha honradez é bestial.

Bebo cálices de pessimismo.

Alimento-me de pseudofilosofias. 

Tenho a angústia dos cancerígenos.

 A dor dos leprosos na alma. 

Fui infectado pela culta melancoliaNiilista.

Não há revesso… só loucura!!

PAREDES DE CARNE

A João Carlos Aguiar  

Vazio do tempo, bêbado de tristeza!

Estalo cacos de vidros nas paredes

De carne do meu próprio ser quimera.

Que merda ser quem sou sozinho insano!

  

Vivo de amarras de paixões antigas

E abismos claros de desassossego.

Visto a tristeza que encontro em cada rota.

E brinco antigo de versos desesperos.

  

Parto poemas como dou um beijo.

Parto desejos como leio um livro

Parto a minha dor…em versos vivos.

  

Encontro à vida perdida em cada pranto

Inerte contemplo o sono da paisagem humana

Maldito ser o resto,  o desvalido.

CLARO ENIGMA II

  

Nunca estou só:

os meus demônios estão comigo.

OFÉLIA

        Escutei a cor dos lábios de Letícia

Respirei o gosto da pele de Tereza,

                                  Mas só a ti Ofélia

Amei

                      com a perfeição

         dos verbos

         dos versos

e dos sentidos.

  

POEMETO IRÔNICO

   

     Deus existe.

Mas está escondido

Na música de Bach.

  

    O diabo existe.

Mas está escondido

Na música de Bar.

ADÁGIO BAUDELARIANO  

Fica o Dito

 Pelo o Maldito.

 

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O LAVADOR DE CADÁVERES

julho 25, 2007 at 3:47 pm (Contos)

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HÁ QUASE VINTE ANOS Aderaldo lavava cadáveres no Instituto Médico Legal de Salvador, Bahia. Profissão difícil para muitos, não para Aderaldo, um sujeito simpático, amigo de todos, e que dizia não ter medo de nada, muito menos da morte. “Mau mesmo só quem faz é gente viva. Morto só faz apodrecer” – repetia sempre aos seus amigos e conhecidos.

          A limpeza dos corpos era sempre realizada com o maior carinho e cuidado, independente do estado do cadáver, da comoção social ou gral de parentesco do individuo morto. Muita gente famosa ele já havia lavado. Políticos, artistas, jogadores de futebol. Mais a maioria dos cadáveres eram sempre constituídos de assassinos, prostitutas, mendigos ou homossexuais, da zona baixa da cidade, vítimas normalmente de tiros ou facadas em brigas e assaltos.

           Era um fim de tarde quando Osório – seu chefe de repartição mandou-lhe um corpo vitima de bala perdida que havia chegado a poucos minutos do fim do seu horário de trabalho, e que deveria ser enterrado imediatamente, antes do anoitecer. Aderaldo achou estranho tal pedido, mas logo deu inicio os primeiros atos do seu serviço – como escolher as toalhas e os sabões, limpar a mesa, e retirar o corpo cuidadosamente da geladeira – o morto parecia à primeira vista já ter sido examinado pelo legista. Quando Aderaldo retirou a capa que encobria o corpo, e este teve um grande susto: o cadáver que estava a sua frente tinha a sua face.

           Cabeça grande, bigode ralo, olhos ligeiramente puxados, pele morena e, além disso, estava com a mesma roupa que ele vestia. Calça jeans, camisa branca com o logotipo do IML, sapato de couro escuro. O susto foi tão forte que Aderaldo na mesma hora caiu para trás, pálido. Minutos depois, logo após o mal estar, levantou-se devagar. Olhou a ficha do defunto, que estava bem próximo ao tiro que o dito levara (no abdômen), e a sua surpresa foi ainda maior. O nome do morto era o mesmo que o seu: Aderaldo Miguel Pereira. A mesma idade: cinqüenta e um anos.

           Começou a pensar que estava ficando louco, vendo o próprio corpo morto assim a luz dos seus próprios olhos. Nervoso, largou tudo ás pressas e saiu correndo desesperado a sua casa, logo que chega a sua rua encontra Luciene a sua mulher, ela lhe perguntou o que havia acontecido e a qual seria o motivo de tal palidez e nervosismo no rosto e nas palavras. Aderaldo ainda assustado contou toda história a sua mulher. Visivelmente estranha, com um olhar enigmático, Luciene se levantou da cadeira onde escutara a maior parte da historia e foi até o quarto do casal onde juntou todas as coisas do marido e as colocou na calçada dizendo:

            – Aqui você não mora mais, não durmo com um homem morto.

             Duas semanas após o fato no IML falece Aderaldo vitima de um tiro no abdômen em uma briga de bar, o assassino supostamente fora o amante de sua mulher.

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A CARNE DA FÁBULA (Contos Minimos)

julho 23, 2007 at 2:19 pm (A Carne da Fábula)

          

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  Mini-contos:  

I. A Felicidade Dói

  

Desarmado, com a cabeça caída para trás, a boca meio aberta, perdido de si mesmo, apresentava a imagem pungente de um abandono sem salvação.

 

II. Rio Tietê

  

Os demônios brincavam de anjo em sua cabeça. No pulso a estranha ferida não cicatrizava. Mas um passo e ele veria na água escura do alto da ponte um mundo de pássaros perdidos.

 

III. O Líder

  

No futuro próximo serei eu – dizia, no futuro distante, serei todos.

 

IV. Tumor

  

Dois sapatos e um dedo ferido em cada janela. No armário a arma escondida, sendo  na boca malvada a lembrança da cena que nuca se apaga. Entre os dentes a carne da fábula, morte lenta.

 

V. O Cigarro

  

Olhou o quarto vazio. Esqueceu a chave na sala. Estava aberta e negra a porta como o seu pulmão. Vermelho vermelho estavam as suas mãos. Diz a canção: não há mais esperança, estamos todos mortos…

 

VI. Destino

  

Não esquecer dos casos em que alguém ou algo nos anda a empurrar pelas costas sem que saibamos por que nem pra onde.

 

 

VI. Na Caverna

 

Que bela cena descreves e que estranhos prisioneiros. São iguais a nós.

 

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A Literatura de Cordel no Cinema de Glauber Rocha.

julho 22, 2007 at 6:01 pm (Ensaios)

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DEDICADO A Ramon Porto Mota.

Um dos aspectos marcantes da filmografia de Glauber Rocha é a apropriação de certas convenções imagéticas e enunciativas ligadas ou inspiradas na literatura popular nordestina, tais como a seca, o misticismo, o cangaço, entre outras representações. Em  filmes como Deus e o Diabo na terra do sol, de 1964 e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, de 1969, a poesia sertaneja é trabalhada em uma linguagem diferente do seu original, buscando construir um universo realístico e também místico do Nordeste.

  

O movimento Cinema Novo, cuja Glauber Rocha foi o seu principal representante, buscava na década de 1960, representar a realidade Brasileira em sua essência, limitando o trabalho com uma linguagem à busca de formas de maior capacidade de impacto, do choque junto ao publico. Glauber busca no Nordeste as raízes primitivas de nossa nacionalidade e de nosso povo, e mais do que isso, busca reaver o nosso inconsciente de revolta com a dominação, com a opressão e com a colonização. O cordel neste sentido não é apenas o mero inspirador de imagens, mais também uma forma de expressar certos representações resignificados e modernos.

A questão de reinvenção da tradição passa nos dois filmes pelo tipo de composição que apresentam: as canções de “Deus e o Diabo” (que formam em seu conjunto um romance como os narradores de folhetos de cordel) assim como as falas de “O dragão da maldade” (que lembram os desafios repentistas), foram feitas por artistas da tradição letrada brasileira, como o próprio Glauber Rocha que escreveu as respectivas letras e Sergio Ricardo que as musicou e as interpretou.

O tratamento dado pelo cineasta à temática sertaneja não consegue romper com as imagens do regional, com suas fronteiras, porque termina por atualizar os mitos, os temas, os enunciados e as imagens que constroem a região, resignificando-as, subordinando-a a outra estratégia política, a de servir como espaço – denuncia, espaço – vitima da sociedade capitalista e da alienação burguesa. O cordel, desta forma é utilizado como um artefato lingüístico e formal identificado com a critica social e o misticismo do Nordeste Brasileiro.

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A COR DO INVISÍVEL (CÂNTICOS DO DIA E DA NOITE).

julho 20, 2007 at 5:02 pm (Poemas Avulsos)

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A Suzy Silva

  “O seu olhar imensamente verde ilumina o meu quarto.”

Mário Quintana

  

                                                            I

Sorriso nos campos, raios de ouro nos céus! Luz divina nos confins da planície calma! Nas águas a dança nervosa das ondas. Nas arvores sinto o gosto vivo dos frutos carnosos que enfeitam as nossas bocas de sabores nobres,doces e delicados da floresta. Na estrada pedras cintilam solitárias em meio às margens resplandecentes do caminho claro . Vales verdes de plantas simples, animais a brincarem passivos no céu da paisagem limpida – o silencio azul. O cantar longe de mundo de asas e sons. O vento nos ouvidos – a pálida claridão da paz…

  

                                                           II

A noite chega com o seu tremular de ventos em sombras, Braços de escuridão que iluminam a nós e aos animais que caminham ao longe… As águas passeiam calmas encantadas pelo indefinível e inefável olho da lua. No céu ela respira tranqüila,Rainha entre os conjuntos de estrelas cadentes e cantantes de brilho branco . Ao lado do mar o espírito da lua se transforma em uma tênue nuvem terrena de límpidos clarões suaves de poesia em beleza eterna…

  

                                                         III

A noite me conquista com seu hálito de vida e sorriso de morte.Aurora cristalina que nasce e renasce diariamente entre as flores. Crepúsculo que vageia na grama dos meus pés .Respiro o vazio da transcendência dos dias…A cor do invisível, matéria abstrata das minhas sentimentalidades.Noite oh noite ! és a minha divina musa! em tuas entranhas aborto as minhas simples palavras…estou com saudades do meu amor…

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Paisagem Interna II

julho 17, 2007 at 2:27 pm (Paisagem Interna)

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DEMÉRITOS

Nasci, cresci

colecionei dores e revoltas

                abortei palavras

poemas nus e sujos

                calos e feridas

a amostra

                primeiros versos

primeiras angústias:

simples imperfeições.

POEMA SUJO

a Priscila Nilo

                   Joguem para os céus as flores!!!

Mastiguem os espinhos!!!! 

              pois da boca maldita do poeta louco

sairam espadas sujas de dor e revolução…

NO BANHEIRO

A Kledna Sonalle

no chuveiro uma cabeça desepada

na privada o coração que toma banho

na parede a morte desenhada:

sangue preto, pútrido e resecado…

Piso num olho que me olhava lá do chão

encontro um dedo pendurado no ferrolho

a pressão baixa…vem uma ãnsia

e corro e mais corro…

Chego em meu quarto

encontro-me dormindo com os anjos

quando acordo

choro a minha própria morte…

MOLDURA

Sob a moldura do poema

         que eu não fiz

desenho o meu enigma:

           Finjo e fujo

         das palavras

     Lúcidas e loucas. 

CLARO ENIGMA III

Amormente

Mortalma

FANTASMA

               encontrei um velho suéter

                 do meu avô que já morreu.

                 encontrei uma antiga bota

           da minha prima que mora longe.

           encontrei a minha alma solitária

vagando esquecida nos espelhos do quarto vazio…

            e me dei conta que eu havia morrido,

                        que os meus retratos

     estavão mofando nas gavetas sujas da sala,

            que minha mulher estava com outro

         e que principalmente nem minhas filhas

                    lembravam mais de mim…

SONETO DE DIÁRIO TRISTE*

È triste quem vive só

sem amigos, sem ninguém

não há palavras bonitas

nada que lhe convém.

*

E junto da solidão

da tristeza e da doença

logo vem a depressão

e no suicidio se pensa.

*

Nestes dias tão vazios

em que os rios não se banham

nem os sonhos estão presentes

*

Vivo louco angustiado

totalmente alucinado

com a morte na minha mente.

*

*Este foi um dos meu primeiros poemas, escrito quando eu tinha 15 anos.

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Os dez mais que tocaram o meu coração…

julho 17, 2007 at 1:46 pm (Diário de Leituras)

 

 

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Bem, neste Diario de Leituras também utilizarei para indicar  aqueles   livros que  marcaram a minha vida nestes últimos tempos. Aqui estão os dez mais. São ficções altamente recomedadas. Pérolas narrativas que eu levarei em minha memória até o resto da vida.

 

Aqui estão eles em ordem de paixão:

 

1.Crime e Castigo (Fiódor Dostoievski).

2.Ensaio Sobre a Cegueira (José Saramago).

3.A Metamorfose (Franz Kafka).

4. Cem Anos de Solidão (Garcia Márquez).

5.Notas do Subterrâneo (Fiódor Dostoievski).

6.O Velho e o Mar (Ernest Hemingway).

7.Grande Sertão: Veredas (Guimarães Rosa).

8.Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley).

9.Lavoura Arcaica (Raduan Nassar).

10.A Paixão Segundo G.H (Clarice Lispector).

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Desaforismos Melancólicos ou Reflexões Mínimas Apoéticas

julho 15, 2007 at 3:51 pm (Desaforismos Melancólicos)

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Apresentação 

Há alguns anos venho desenvolvendo uma intensa pesquisa por máximas, aforismos e reflexões. A Paixão pelas belas frases me tomou já na adolescência, quando organizei o meu primeiro caderninho. Ao todo hoje possuo cerca de 8.000 frases catalogadas em meu computador, dos mais variados assuntos e autores, principalmente Brasileiros.   

A partir desta coletânea sobre estes gêneros literários (se é que podemos chamá-los assim) acabei tomando o hâbito de escrevê-los e colecioná-los também. Nesta pequeno Antologia estão coletadas quarenta  pequenas frases escritas por mim nestes últimos anos. Amor, Arte, Amizade, Deus, Felicidade, Inteligência, Sexo, Vida, Morte, entre outras temáticas estão abordadas nele, tudo de forma simples e polêmica.   

O nome (Des)aforismos Melancólicos ou Reflexões Mínimas Apoéticas foi escolhido para causar certo impacto, visto que os aforismos escritos não são lá essas coisas. As minhas Máximas são em sua maioria céticas ou cínicas, isso se elas não forem caracterizados também como melancólicas ou ridículas. Não pretendo ser um Gadhi, muito menos um La Rochofoucault, mas tenho um pouco dos dois e muito de outros vários aforistas.  

Os aforismos são frases que aconselho sempre serem utilizados, seja para confirmar opiniões, causar impactos, ironizar conversas, pois elas podem  iluminar ou obscurecer certas idéias e principalmente deleitar aqueles que tem bons ouvidos e desejam escutar belas frases em ditos de efeitos. Dois dos maiores gênios da nossa literatura eram exímios colecionadores e também produtores de frases: Machado de Assis e Guimarães Rosa. Isso se não nos referirmos aos não menos destacados Millôr Fernandes, o veterano e hoje desconhecido Marques de Maricà, assim como Nélson Rodrigues e Aparício Torelly, este ultimo conhecido com o nome de Barão do Itararé.   

Para facilitar a leitura das frases decidi organizá-las por temáticas e em ordem alfabética. Todas as frases podem ser utilizadas, desde que eu seja citado como autor. Tenham uma boa leitura e não se esqueça que “ler bem é ouvir em silêncio”, assim escreveu o maranhense Josué Montello, outro excelente aforista brasileiro. 

*************

*

AMOR

1. Não amo, nem odeio ninguém. No máximo, chego a gostar de alguns e sou absolutamente indiferente à maioria.

2. Amor nasce das risadas, dores e frustrações de um mundo exclusivo onde cabem duas pessoas.

3. Prefiro uma espécie de uma amizade perfeita a algo parecido com um amor absoluto.

*

ARTE

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4. Tornar visível o invisível. Esta é a função da arte.

5. Admiro as artes; entretanto odeio a maioria dos artistas.

6. O artista é um erro da natureza. Mas um erro perfeito.

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CINEMA

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7. Cinema: uma força leve que suaviza ou agride a realidade.

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CRIAÇÃO ARTISTICA

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8. Criar é multiplicar-se. Fingir é descobrir-se.

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CULTURA

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9. Sem cultura, as qualidades de um ser ficam pela metade.

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DEUS

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10. O homem é um Deus sem fé.

11. Sou iluminado pela dúvida e escurecido pela certeza de que Deus existe dentro do meu coração.

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FELICIDADE

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12. A felicidade é um sonho. A dor é a realidade.

13. É melhor ser um ignorante feliz do que um inteligente infeliz.

14. Não há nada constante na vida, a não ser o inconstante. Não há nada no mundo absoluto, a não ser o relativo.

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INIMIGO

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15. Não tenho inimigos, o que possuo na verdade são admiradores que me odeiam.

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INTELIGÊNCIA

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16. Os ignorantes chamam a inteligência de desonestidade.

17. Não adianta inteligência sem caráter. Assim como não adianta conhecimento sem coragem.

18. Nunca demonstre a mesma inteligência a todas as pessoas.

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INTERESSE

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19. Tudo que fazemos é por interesse: ou para evitar sofrimentos ou para procurar prazeres.

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LITERATURA

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20. Literatura: a melhor forma de não esconder nossas loucuras.

21. Livros pedaços de papel com alma e direção.

22. Sou um pedaço de carne cercado de livros por todos os lados.

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MISTÉRIO

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23. Dissecar o mistério é como violentar uma criança.

24. Acredito na vida após a morte, mas isso não me impede de morrer.

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PASSADO  

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25. O melhor do passado é o presente e o futuro.

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PRAGMATISMO

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26. Nunca pise em ninguém, apenas passe por cima.

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PROBLEMAS

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27. Todos somos terrivelmente culpados e inteiramente inocentes pelos problemas no mundo.

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QUALIDADES

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28. Um grama de bondade e amor vale mais que uma arroba de talento e sucesso.

29. Reputação se adquire com afeto.

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SABEDORIA  

30. Falar consigo mesmo é loucura; ouvir a si mesmo é sabedoria.

31. Você é o tanto o quanto sabe e muito pouco o quanto diz.

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SEXO

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32. Sexo: palavra de apenas quatro letras, mas de infinitos prazeres.

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SINCERAMENTE

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33. A sinceridade é inimiga de deus e do diabo.

34. Seja sempre sincero consigo mesmo, e cínico na maioria das vezes com as outras pessoas. Nunca mostre a ninguém totalmente quem você é.

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RIDICULO

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35. Não há nada mais ridículo do que ter medo do ridículo.

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TOLICE

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36. Procure os sábios, mas não se esqueçam dos tolos – eles nos ensinam como ninguém a não fazermos tolices.

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TRISTEZA

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37. Sou feliz, mas minha alma é triste.

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VELHICE

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38. A velhice é uma doença cujo remédio é a morte.

VERDADE 

39. Nada é falso e, no entanto, tudo é verdadeiro.

40. Não tenho verdades absolutas e sim convicções relativas.

VICÍOS

41. Ter vícios é uma bela virtude…

VIDA  

42.A vida é uma brincadeira séria. O problema é que eu não sei brincar.

 

 

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O Cú do Mundo (Pequenas estórias)

julho 14, 2007 at 2:26 pm (O Cú do Mundo)

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O CASO DOS FUROS 

NO BAIRRO NINGÚEM imaginava que Chico Pará era um matador profissional, com mais de vinte mortes nas costas e procurado pelas polícias dos estados de São Paulo e do Pará. Até a sua família ficou surpresa e assustada como o viram na televisão à noite em entrevista a um famoso programa policial da capital paulista.  

Em casa Pedrinho (o filho mais novo de Chico Pará) assistindo ao programa e vendo a sua mãe Rita chorando desesperada, assim a consolou:       – Mamãe…Não Chora, Não foi papai que matou essa gente toda não. Ele só fez os furo, quem matou mesmo foi deus, que tirou a vida deles…

Escutando tais palavras Rita sorriu, para logo em seguida voltou a chorar em desespero. Desta vez não mais pela safadeza do seu marido, mas pelo destino de descrença do seu filho.

CASAL MODERNO (Diálogos com uma secretária eletrônica)    

-MEU BEM, telefonei para sua amante desmarcando o seu encontro de hoje à noite, visto que seus empresários necessitam urgentemente de uma reunião com você e seus patrocinadores. Não ouse faltar. Caso queira transar me procura hoje à noite na minha cama. A gente dá uma rapidinha. Beijos.      

– Querida, infelizmente o meu compromisso com a Silene é inadiável. Espero que você me compreenda e me perdoe. Diga aos meus empresários que marcarei uma outra reunião após o feriadão. Quanto à transa de hoje a noite fica para outra vez. O vibrador esta atrás da geladeira. Beijos.   

O PRIMEIRO CARRO 

ADALBERTO foi um ótimo motorista. Entretanto, até os seus trintas anos de idade nunca possuiu o seu automóvel próprio. Um dia, ele ganhou um carro zero (vermelho cor de sangue) em um concurso de piadas na televisão. Ficou famoso. Duas semanas após o prêmio Adalberto acabou morrendo em um acidente próximo a sua casa. Seu carro ficou totalmente irreconhecível.

DESCRENÇA 

ACREDITAVA demasiadamente em Deus, até que um dia uma de suas filhas foi vítima de um acidente aéreo. Com isso, perdeu a fé, e chegou a radical conclusão que:    

– Se Deus existe, ele é ateu. 

O FUTURO DA CIÊNCIA 

SESSENTA ANOS, profundamente anêmico, pés enormes, deformados pela elefantíase. Dores no peito. Febre alta. Chagas por todo o corpo. Catarata nos dois olhos. Todavia seu médico ainda lhe deu esperanças:       

– Não se preocupe seu Jorge, daqui a duzentos anos a ciência terá o remédio para todas as suas doenças. Fique paciente.       

E lá se foi seu Jorge conformado e com seu sorriso de defunto esperar o tempo passar.

 

FERNANDO 

SEU CORPO foi enterrado junto aos corpos de sua família. Cansado de ser insultado Fernando matou sua irmã. Cansado de ser invejado Fernando matou seu irmão. Cansado de ser cobrado Fernando matou sua Mãe. Cansado de ser humilhado Fernando matou seu pai. Cansado de ser assassino Fernando deu cabo da própria vida…

 

DESGRAÇA 

Caro amigo Parabéns! 

Sei que a sua vida é muito feliz, cheia de sucessos. Tens vários carros, motos, casas e apartamentos. Uma mulher linda, turbinada e atraente.  Dois filhos inteligentes e saldáveis. Um emprego estável e rendoso. Enquanto eu… sou um desgraçado e infeliz. Não tenho casa própria. Só ando de ônibus. Vivo em um muquifo alugado próximo ao aeroporto (ainda aquele que você conheceu). Minha mãe morreu de câncer faz três meses hoje, sabia… A mulher é depressiva, só vive tomando remédio. Minha filha, claustrofobica. Estou preste a perder o emprego lá na metalúrgica, onde, aliás, ganho uma merda de salário. Não sei o que fazer com tanta miséria. 

Parabéns amigo! Vê se me manda a receita.  

P.S/ Tenho quase certeza para que eu dê certo nesta vida só mudando de mundo ou nascendo novamente.                                                                                            Igor.

 

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