O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS (POEMAS PARA UM JOVEM VAGABUNDO)

agosto 24, 2009 at 1:04 pm (Poemas Avulsos)

visuais_marcelo_sahea_casando_acaso

CALÇADAS

O medo

de morrer

deixa-o feliz.

E as espadas da discórdia

exalam fadas e demônios

nas esquinas de sua pele.

Nas ruas as calçadas

são limites para as incompetências

dos seus gestos.

Ele lê Poe e Baudelaire

e caminha para Nietszche,

mas é incapaz de amar

uma flor no jardim.

O AMOR DE MATEUS

Metamorfose

Mataformosa

Metapoeta

Moça morena

De cabelo marrom.

Que habita a mente

De Mateus nas noites mornas.

Link Permanente 4 Comentários

Frases sobre Autoconhecimento

julho 24, 2009 at 2:18 pm (Relicário de Frases, Uncategorized)

sem titulo

AUTOCONHECIMENTO

Ninguém pode abrir sozinho o seu túnel pessoal para a claridade do dia, sem o risco de morrer sob os entulhos.

Aníbal Machado (1894-1964) Escritor Mineiro (Cadernos de João).

Uma das mais belas aventuras que o homem pode empreender é velejar dentro de si mesmo e explorar seus territórios mais ocultos.

Augusto Cury (1958-) Psiquiatra e Escritor Paulista ( Análise da Inteligência de Cristo).

Cada um sabe a dor e a delícia do ser que é.

Caetano Veloso (1942-) Cantor e Compositor Baiano (Da Canção: Dom de Iludir).

Ninguém se torna sábio na escola primária das circunstâncias de fora -mas sim na universidade da sua substância de dentro.*

Huberto Rohden (1893-1981) Escritor e Filósofo Catarinense (Porque Sofremos).

Creio que uma pessoa só se percebe quando apaga a luz do seu quarto e fica só diante de si mesmo.

Jorge de Andrade (1922-1984) Dramaturgo Paulista (Extraído do Livro Viver e Escrever, de Edla Van Steen).

Ocupo muito de mim com o meu desconhecer.

Manuel de Barros (1916-) Poeta Mato-grossense (O Livro das Ignoranças).

Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além.

Paulo Leminski (1944-1989) Poeta e Compositor Paranaense (Envie Meu Dicionário).

Link Permanente 1 Comentário

Sexo

junho 30, 2009 at 11:17 pm (Poemas Avulsos)

Magritte - Attempting The Impossible

O que é colocar o membro ereto
Sendo o membro ereto a obra análoga da carne?
Do ângulo reto das pernas espelho o infinito.
O que é deslizar os dedos nos púbis?
Sentir o furor da vulva molhada no primeiro toque
Sendo o púbis a parte nobre dos pêlos da pele?
Receio adentrar cada centímetro CÚbico
De prazer no centro do mundo, imundo e belo,
Lá conquisto o gozo,
e molho o pênis no molho da fêmea desejada.

Link Permanente Deixe um comentário

Frases sobre o Cinema e o Teatro

maio 24, 2009 at 12:47 pm (Relicário de Frases)

errante

CINEMA

Não existe cinema, existem filmes.

Eduardo Coutinho (1933-) Cineasta Paulista  (Extraído do Jornal O Estado de S. Paulo).

Se um filme é sincero em questões políticas, sempre desagrada aos fascistas.

Glauber Rocha (1939 -1981) Cineasta Baiano (Extraído do livro: È Dando que se Recebe).

Não me lembro de nada que tenha me dado tanto e tão constante prazer desde a infância quanto o cinema-incluindo aí mamadeiras, primas e gibis.

Luis Fernando Veríssimo (1936-) Cronista Gaúcho (Banquete com os Deuses).

Se dá dinheiro, o cinema é indústria. Se perder, é arte.

Millôr Fernandes (1924 –) Escritor e Humorista carioca (Millôr Definitivo: A Bíblia do Caos).

Antigamente os filmes eram bobos e divertidos. Hoje são bobos e chatos.

Paulo Francis (1930-1997) Escritor e Jornalista Carioca (Waaal: O Dicionário da Corte de Paulo Francis).

Eu creio na imagem… Na imagem todo-poderosa. Que constrói o movimento. Cria o ritmo. Que revela a alma.

Vinicius de Moraes (1913-1980) Poeta e Compositor Carioca (O Cinema de Meus Olhos).

TEATRO

A mais básica exigência para que alguém venha a produzir uma boa obra dramática é convicção total e absoluta de ser possível se dizer alguma coisa sobre o homem, seu comportamento e suas relações com os seus semelhantes e com o universo em que vive, por intermédio de uma ação…

Bárbara Heliodoro (1923-) Crítica Teatral Carioca (Falando de Shakespeare).

Cinema e televisão divertem; teatro emociona.

Carlos Drumonnd de Andrade (1902-1987) Poeta e Cronista Mineiro (O Avesso das Coisas)

Não gosto de teatro, uso o palco para expressar idéias.

Gerald Thomas (1954-) Dramaturgo Inglês radicado no Brasil (Extraído da Revista Època).

Tragédias não faltam. O que não temos é um Shakespeare.

Mário da Silva Brito (1916-) Poeta e Ensaísta Paulista(A Cartola do Mágico).

O bom de escrever teatro é que se pode dizer, com toda sinceridade, as coisas mais opostas, sem ser acusado de contradição.

Mário Quintana (1906-1994) Poeta Gaúcho (A Preguiça como Método de Trabalho).

O sujeito acha que o teatro ou é palanque ou é púlpito.È o lugar onde deve estar representado o homem, seja ele qual for, o torturador ou torturado.

Jorge Andrade (1922-1984) Dramaturgo Paulista (Em entrevista a Edla Van Steen no livro Viver e Escrever, Volume 2).

Link Permanente Deixe um comentário

Os 10 + na Literatura e nas Ciências Sociais

abril 18, 2009 at 3:41 pm (Ditos e Notas)

lwgal1

ROMANCE


Crime e Castigo (Fiódor Dostoievski).

Ensaio sobre a Cegueira (José Saramago).

Grande Sertão Veredas (Guimarães Rosa).

Cem Anos de Solidão (Garcia Márquez).

Notas do Subterrâneo (Fiódor Dostoievski).

A Metamorfose (Franz Kafka).

Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley).

Lavoura Arcaica (Raduan Nassar).

A Paixão Segundo G. H. (Clarice Lispector).

Vidas Secas (Graciliano Ramos).

CONTO

Bestiário ( Júlio Cortezar)

Sagarana (Guimarães Rosa)

Histórias Extraordinárias (Edgar Allan Poe)

História Universal da Infâmia (Jorge Luís Borges)

Ficcções (Jorge Luís Borges)

O Perfume de Roberta (Rinaldo de Fernandes)

Contos Reunidos (Rubem Fonseca)

Morangos Mofados (Caio Fernando Abreu)

Chá nas Montanhas (Paul Bowres)

O Convidado (Murilo Rubião).


POESIA

Ficções do Interlúdio: Poesias de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

Toda Poesia (Ferreira Gullar).

Poesia Toda (Huberto Helder)

Eu e Outras Poesias (Augusto dos Anjos)

Flores do Mal (Charles Baudelaire).

Sobre o Nada (Manuel de Barros).

Vento Geral (Thiago de Mello).

Teia (Orides Fontela).

Corpo (Carlos Drummund de Andrade).

Obra Poética (Renata Pallottini).

HISTÓRIA, FILOSOFIA E CIÊNCIAS SOCIAIS.

Casa Grande e Senzala (Gilberto Freyre)

A Escrita da História (Michel de Certeau)

Rumo a Estação Finlândia (Edmund Wilson).

Raízes do Brasil (Sérgio Buarque de Hollanda)

Boêmia Literária e Revolução (Robert Darton)

Gaia Ciência (Frederick Nietzsche)

Reflexões sobre Arte (Pierre Bourdieu)

A Invenção do Nordeste e outras Artes (Durval Muniz de Albuquerque Jr.)

Obras Escolhidas (Walter Benjamin)

A Invenção do Cotidiano (Michel de Certeau)

Link Permanente 1 Comentário

CORREIO DAS ARTES: UMA TRAJETÓRIA LITERÁRIA

março 28, 2009 at 3:50 pm (Ensaios)

I. Primeiras incursões

Neste mês de março o suplemento literário Correio das Artes completou os seus sessenta anos de História. Considerado o mais antigo e um dos importantes suplementos em circulação no Brasil, ele é publicado mensalmente como encarte no jornal A União, órgão oficial Governo do Estado da Paraíba. Com uma periodicidade mensal, sem publicidade em suas páginas, o suplemento publica sempre em sua estrutura jornalística: entrevistas, reportagens, poemas, dicas de leitura, contos, crônicas, ensaios, dossiês, críticas e resenhas sobre literatura e cinema, e eventualmente sobre música, teatro e quadrinhos. Suas páginas compostas por uma inegável qualidade estética registram um universo panorâmico com uma qualidade impressionante; matérias interessantes, acompanhamento dos cânones literários, comemorações dos “afamados” de nossa literatura, não esquecendo dos registros de novos escritores e suas produções contínuas, sempre como muita sensibilidade e dinamismo.

Venho acompanhado de perto nestes últimos anos a trajetória deste suplemento, que declama aos quatro cantos do Brasil, a todos nós apaixonados pela arte e pela literatura, o seu afamado e lírico sentimento de vanguarda e respeito à produção cultural local e nacional. Com suas páginas inundadas de êxito de estilo, descobrimos dados e reflexões sobre a vida literária local e Brasileira periodicamente.

II. Pequeno Histórico da Revista

Surgida no dia 27 de março de 1949, sobre a orientação do jornalista e poeta Edson Régis, o Suplemento Correio das Artes já na época surgia com o mesmo objetivo que tem hoje, dar um espaço jornalístico privilegiado para a produção literária e artística do estado da Paraíba e do Brasil.

São 60 anos de História, atravessados por vários momentos de altos e baixos, tempos de descontinuidades em seu despenho, tendo sua história interrompida por várias vezes, possuindo assim várias fases ao longo de seis décadas de existência, em boa parte devido à idéia da qual o suplemento seria um gasto a mais para a política dos governadores da Paraíba em seus momentos de crise. Mas o Correio das Artes sobrevive a todos estas dificuldades, reinando com sua qualidade histórica.

Ao longo de todos estes anos colaboraram alguns dos mais notáveis nomes da intelectualidade paraibana e brasileira, tais como: Paulo Mendes Campos, Roger Bastide, Carlos Romero, Eduardo Martins, Eudes Barros, Ascendino Leite, Tomas Santa Rosa, entre outros tantos, pensadores e literatos empenhados em discutir e publicar as suas obras e de seus contemporâneos. Durante a sua trajetória uma de suas melhores fases foi no início da década de 1980 quando ganhou um prêmio nacional de melhor suplemento literário do país. Na época o editor era o famoso poeta paraibano Sérgio de Castro Pinto. Neste início de século XXI, o Correio das Artes vive mais uma vez uma grande fase.

III. A literatura no jornalismo e o jornalismo na literatura.

Tendo como editor já há alguns anos o nome do poeta e jornalista Linaldo Guedes, empreendedor e arregimentador literário, o suplemento tem entre os seus mais assíduos colaboradores os nomes do poeta Astier Basílio, o crítico cinematográfico João Batista de Brito (colunista de Cinema, o mais importante da história da imprensa do estado), o crítico literário Hidelberto Barbosa Filho (outro “medalão” de nossa literatura nestes últimos tempos), o ensaísta e contista Rinaldo de Fernandes, dono do rodapé literário no final da revista, entre tantos outros, jovens ou experientes, valores locais ou de todo o Brasil, que colaboram com seus poemas, contos, ensaios, entre outros gêneros e estilos.

O público alvo desta revista é constituído em sua maioria de pessoas interessadas em cultura em geral, mas principalmente em literatura. Estudantes, professores, escritores, artistas e intelectuais em geral prestigiam as sua páginas mensalmente. Apesar de ser uma revista paraibana, ela também é bastante disputada em vários estados do país pelos seus fãs, principalmente do Nordeste.

A sua diagramação singela, com toques muitas vezes artísticos, – responsável pelo editor de artes Cícero Félix (experiente profissional da área), possuem em suas páginas uma expressão cadenciada por fotos e imagens que relacionam e complementam muito bem as mensagens das matérias e textos literários. As capas são muitas vezes chamativas e esteticamente perfeitas, o que traz um envolvimento por parte dos seus leitores.

Atualmente alguns dos mais destacados nomes da literatura paraibana e do país são constantes colaboradores da revista, e reafirmam o histórico de qualidade deste suplemento, são exemplos:: Antonio Naud Junior, Políbio Alves, José Inácio Vieira de Melo, Adalberto Barreto, Gildemar Pontes, Ronaldo Cagiano, Welligton Pereira, José Aloise Baía, André Ricardo Aguiar, Franklin Jorge, Ronaldo Monte, entre outros.

A Linguagem do Correio das Artes pode ser definida pelos padrões do que o comunicólogo Felipe Pena chama de Jornalismo Literário, com textos bem construídos, cheios de informações e opiniões fundamentadas. O jornalismo sobre artes, escrito e trabalhado de forma artística. Há um aprofundamento sistemático nos textos muitas vezes não encontrados em revistas do gênero. Um destaque que chama atenção do ponto de vista jornalístico são as matérias da repórter Calina Bispo, um exemplo de jornalismo literário de boa qualidade.

Link Permanente 1 Comentário

A TRANSNEGRAÇÃO: ARNALDO XAVIER E O SEU LUGAR DE MARGINALIDADE NO CAMPO LITERÁRIO BRASILEIRO.

fevereiro 25, 2009 at 6:37 pm (Ensaios, Uncategorized)

arnaldo-xavier

1. INTRODUÇÃO.

Há cerca de dois anos iniciei uma pesquisa referente à história do movimento cineclubista em Campina Grande[1]. Nesta pesquisa acabei conhecendo pessoalmente vários dos ex-cinelubistas campinenses nas décadas de 1960 e 1970, entre eles o jornalista Aderaldo Tavares. Em conversas várias que tive com ele, a maioria informais, havia sempre uma referência efusiva a um dos seus companheiros da época, um poeta que pertencera ao cineclube Glauber Rocha, e que seria um dos mais brilhantes participantes daquela geração. Seu nome: Arnaldo Xavier.

Arnaldo França Xavier nasceu no bairro de Santo Antonio, em Campina Grande, na Paraíba, em 19 de novembro de 1948. Além de participar do Cineclube Glauber Rocha, tendo como companheiros nomes como José Neumanne Pinto e Agnaldo Almeida, além do já citado Aderaldo Tavares, o poeta pertenceu ao Grupo Levante, de tendência Marxista. Ainda jovem, migrou para São Paulo, cidade que jamais abandonaria e pela qual sempre nutriu uma grande paixão. O escritor estreou na poesia com 25 anos, na série Violão de Rua, publicada no início da década de 60, pelo CPC- Centro Popular de Cultura- da UNE.

O poeta campinense publicou ainda os livros de poemas Boleros Pretos, A Roza da Recvsa, e Ludlud, deixando ainda inédito um livro de poemas chamado HEKATOMBLU. Além da poesia, Xavier lançou em 1988, em parceria com Luiz Silva Cuti e Miriam Alves a peça Terramar, e em 1993 publica o livro Manual de sobrevivência do negro no Brasil, ilustrado pelo chargista Maurício Pestana.

Diante da descoberta de Arnaldo Xavier percebi a necessidade de estudar a sua obra e o seu papel na literatura brasileira. Desta forma, a finalidade deste artigo será investigar o lugar de Arnaldo Xavier no campo literário brasileiro e na própria literatura afro-brasileira durante a década de 1990. Antes de tudo é necessário deixar bem claro que este trabalho esta no processo inicial de seu desenvolvimento, e abordará de forma genérica a questão, trazendo apenas reflexões com diálogos permanentes com outros estudiosos da obra de Arnaldo Xavier, a exemplo de Vinícius Lima. Um trabalho deste se justifica devido ao ostracismo da qual a obra deste poeta campinense é vítima em especial na cidade de Campina Grande, sua cidade natal.

Com relação à abordagem teórica trabalharemos com a concepção de campo de produção cultural segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieau. Antes de falarmos sobre as características da própria obra de Arnaldo Xavier vamos compreender as definições de Bourdieau de campo literário.


2. CAMPO DE PRODUÇÃO CULTURAL.

A noção de campo de produção cultural, criada pelo sociólogo francês Pierre Bourdieau, pode ser compreendida como um espaço social onde estão situados os que produzem obras (escritores, poetas, jornalistas, etc.) e o valor intrínseco destas mesmas obras, em relações recíprocas no transcurso de suas atividades. Para o sociólogo, autor de um conjunto de obras bastante diversificada, que abrangeu, durante décadas, temas que foram desde moda até as epistemologias das ciências humanas, alguns pressupostos devem ser inicialmente entendidos quanto aos princípios da construção do conceito. O primeiro se refere aos rompimentos com referências comuns ao mundo social e à literatura, como “meio”, “contexto” ou “pano de fundo”, nas quais, segundo Bourdieu (2004) a história social da arte e da literatura se contenta.

A essência do conceito está na concepção que todo campo tem seus “dominantes e seus dominados, seus conservadores e sua vanguarda, suas lutas subversivas e seus mecanismos de reprodução” (BOURDIEU, 2004, p.170). Portanto, há uma aproximação por parte de Bourdieu entre o campo literário com o campo político, visto que, segundo o sociólogo, tanto um campo como o outro, trata-se entre suas práticas de uma questão de poder. “Aqui como em outros lugares observam-se relações de força, estratégias, interesses, etc.,” (Idem, p.170).

Estas relações de força podem ser exemplificadas muitas vezes nas próprias regras que são criadas para a publicação, por exemplo, quando um autor consagrado faz um comentário positivo ou um prefácio elogioso, a um livro de estréia de jovem escritor ainda desconhecido. A estratégia existiu e implicou certos interesses políticos internos dentro do próprio campo. Esta estratégia esta ligada à questão do reconhecimento de uma obra e da entrada de seu autor por parte do campo. Portanto existem traços equivalentes entre o campo político e o literário. Nas palavras de Bourdieu (2004)

O campo literário é simultaneamente um campo de forças e um campo de lutas que visa transformar ou conservar a relação de forças estabelecida: cada um dos agentes investe a força (o capital) que adquiriu pelas lutas anteriores em estratégias que dependem, quanto á orientação, da posição desse agente nas relações de força, isto é, de seu capital especifico. (Bourdieu, 2004, p.172).

O capital simbólico, citado acima, seria o capital de reconhecimento ou de consagração, institucionalizada ou não, que os diferentes agentes e instituições conseguiram acumular no decorrer das lutas anteriores, ao preço de um trabalho e de estratégias especificas. O campo seria então um conceito que relaciona as bases de relação entre os indivíduos e seus mesmos, pois o campo de produção cultural é um espaço social que reúne diferentes grupos de literatos, romancistas e poetas, que mantêm relações determinadas entre si e também com o campo do poder, pois ninguém pode se colocar fora de um campo literário. Mesmo aqueles que vão de encontro às regras estabelecidas das letras, se encontram dentro de um campo diverso e de negação das unidades intelectuais formais.

A teoria do campo literário de Bourdieu pode ser visto como uma tentativa de evidenciar que ali onde pensávamos que havia um sujeito livre, agindo de combinação com sua pretensão mais imediata, na verdade o que existe é um espaço de forças estruturado que molda a capacidade de ação e de decisão de quem dele faz parte. É, pois, contra certa concepção de autonomia do sujeito que Bourdieu se insurge de modo enfático. E, ao longo de seu trajeto intelectual, ele elegeu sucessivos objetos onde seria admissível detectar a validade de uma subjacente rede de relações coagindo os sujeitos: a educação, a moda, a televisão, a produção intelectual e artística de uma época etc.

Desta maneira, o que se entende é que Bourdieu compreende então a sociedade como um campo de batalha operando com base nas relações de força manifestadas dentro da área de significação. Atitudes, práticas, grupos de poder e decisão, estruturação de imagens informam o campo ideológico de uma dada cultura e, para compreendê-lo o sociólogo reconduz, de forma original, o estudo da simbolização às suas bases sociais. Desta maneira, a “sociologia simbólica”, no dizer de Miceli (2005) de Bourdieu considera a cultura como um instrumento de poder, isto é, de legitimação da ordem vigente.

A aproximação com o pensamento de Chartier é exemplificada na noção de lutas dos grupos de agentes cujos interesses materiais e simbólicos representação a autoridade sobre uma representação. É o poder de certas classes ou grupos sociais de criar determinadas representações do mundo; representações essas que os agentes incorporam, capazes de propiciar justificativas simbólicas para a posição que ocupam. Para Bourdieu (2005) as representações possuem uma existência material e, em geral, traduzem-se em atos e práticas.

As leis que regem o acesso e o êxito no campo intelectual e artístico estudados por Bourdieu através de seu estudo sobre a obra de Flaubert e a sua posição enquanto escritor no século XIX, na França, traduzem sua preocupação neste sentido, pois para ele

(…) é preciso situar o corpus assim constituído no interior do campo ideológico de que faz parte, bem como estabelecer as relações entre a posição deste corpus neste campo e a posição no campo intelectual do grupo de agentes que o produziu” (2005, p.186).

Bourdieu fala, ainda, em uma Ciência rigorosa dos fatos intelectuais e artísticos que teria três momentos necessários: 1) uma análise da posição dos intelectuais e dos artistas na estrutura da classe dirigente; 2) uma análise da estrutura das relações objetivas entre as posições que os grupos colocados em situação de concorrência pela legitimidade intelectual ou artística ocupam num dado momento do tempo na estrutura do campo intelectual; 3) Construção do Habitus como sistema das disposições socialmente constituídas que, enquanto estruturas estruturantes, constituem o princípio gerador e unificador do conjunto das práticas e das ideologias características de um grupo de agentes.

Um conceito-chave para a compressão do pensamento de Bourdieu e sua noção de representação social, é o de Habitus. Para o sociólogo Habitus seria um “(…) sistema das disposições socialmente constituídas que, enquanto estruturas estruturadas e estruturantes, constituem o principio gerador e unificador do conjunto de práticas e das ideologias características de um grupo de agentes.” (2005, p.191).

Esse conceito permite entender as relações que os grupos de coisas assim classificadas mantêm uns com os outros, sendo a reprodução social, que é um efeito desta relação, um papel estratégico que o processo de socialização desempenha através das agências educativas, seja o sistema de ensino, seja através dos meios de comunicação de massa, seja a inculcação familiar.

Uma das formas de poder dentro do campo intelectual é justamente a escrita e a leitura. Sua prática representa então uma maneira de designar certos habitus socialmente constituídos, condições inerentes à posição ambígua da fração intelectual e artística na estrutura das frações das classes dominantes.

3. A TRANSNEGRAÇÃO

A literatura de Arnaldo Xavier é definida pelos poucos críticos que o analisaram como sendo uma literatura engajada, centrada na denúncia social e na valorização do negro na literatura afro-brasileira. Poeta de linguagem experimental Xavier acabou infelizmente figurando a margem do cânone literário brasileiro e, paradoxalmente, da literatura afro-brasileira fruto da polêmica postura que este teve frente à cultura brasileira e a literatura negra mantendo um diálogo com as poesias visuais, principalmente com o Poema-Processo e a Poesia Práxis, desenvolvendo, portanto uma obra de cunho intersemiótico, como bem se referiu Vinicius Lima.

Outra característica de sua poesia é a presença constante da ironia e da postura irreverente e mordaz da sociedade brasileira. Este humor ferino é uma herança do negro abolicionista Luiz Gama, sua principal referencia literária e militante. Nas palavras de Vinicius Lima, até o momento seu principal comentador e analista literário, “Xavier destrói/constrói a linguagem, deformando as frases feitas, os ditos populares, sempre lançando mão da ironia e humor. Arnaldo Xavier trabalha o poema como um objeto lúdico, brincando com as sonoridades das palavras.” Um exemplo que podemos citar é este poema:

subsenhor                    Filá amarelo brasa  esconde  2 olhos     3  dentes

apocalíricos cravados     costela por  costela    como se escada caminho

fosse encruzilhada     Totem destrói Tabu       Terrestre demole Celeste

Cômico come Cômico                  Denotativo detona Conotativo    Yin

defloradentra   Yang     Abutre dilacera Abutre   NegrRo engole Grego

(XAVIER, 1997: 18).

Como se percebe um jogo semiótico complexo em sua poesia, marcada pelo experimentalismo. Todavia, de todos os seus livros o mais conhecido é o Manual da Sobrevivência do Negro no Brasil, obra de cunho extremamente crítico. Lançado em 1993 o livro permanece até hoje esperando uma análise amais profunda de sua importância. Podemos considerar Arnaldo Xavier como um poeta marginal na acepção mais precisa da palavra. Ele mesmo se referiu a sua militância literária e negra como sendo Trasnegração.

Falecido em 2004, e vitima injusta de um estranho ostracismo, desde que tive contato com a historia de vida e principalmente a sua obra, me vi na necessidade e obrigação intelectual de reaver a importância deste poeta injustamente esquecido. Militante negro, vanguardista literário, Arnaldo Xavier merece ser conhecido e reconhecido por suas atividades de militante literário e negro no Brasil.

O seu poema, Sem título, criado em comemoração aos 100 anos da abolição da escravatura em 13 de maio de 1888 mostra como é possível fazer a crítica social, uma poesia engajada sem abandonar a preocupação estética e experimental da poesia. Passados 100 anos da abolição Xavier denuncia as condições sociais e econômicas dos negros do Brasil, gritando com cores aberrantes e com um jogo semiótico belíssimo de cruzes as falhas dos governos neste mesmo período. É bom lembrar que na época em que Arnaldo Xavier produziu o seu poema Sem Título, estávamos no auge do debate sobre a construção do texto da constituição brasileiro de 1988, num período de debate e de luta das chamadas minorias, entre elas os negros e os índios.

O poeta utiliza-se do caligrama, um estilo de poema figurativo  muito utilizado ao longo de toda história da poesia visual e que consiste na disposição tipográfica das palavras, letras, e neste caso, de números, de forma a obter uma sugestão figurativa semelhante ao que está sendo tratado no poema como tema. Como paraibano ilustre, e desconhecido que é, acredito que um dos méritos deste evento será reerguer a memória deste poeta, que em minha opinião merece dignamente uma homenagem, a alusão ao seu nome, aos seus feitos. Penso que uma das minhas funções aqui na terra é essa: mostrar a importância deste homem.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS.

Como já nos referimos no tópico sobre as noções de campo de produção cultural, uma noção idealizada pelo sociólogo francês Pierre Bourdieau, o jogo de relações de força exercida pelos sujeitos participantes podem fazer que um escritor possua uma carreira de visibilidade ou não, conquistando assim sucesso e representação dentre os membros. No campo literário há os dominantes e os dominados, os conservadores e os de vanguarda, as lutas subversivas e os mecanismos de reprodução cultural. Arnaldo Xavier preferiu seguir a tribo dos transgressores, dos polêmicos, dos exprementalistas.

O campo de produção cultural é um espaço social que reúne diferentes grupos de literatos, romancistas e poetas, que mantêm relações determinadas entre si e também com o campo do poder, pois ninguém pode se colocar fora de um campo literário. Mesmo aqueles que vão de encontro às regras estabelecidas das letras, se encontram dentro de um campo diverso e de negação das unidades intelectuais formais. Arnaldo Xavier através de sua militância negra, chamada por ele inclusive de Trasnegração e de sua poesia totalmente diferente de tudo que já foi produzido na História da literatura brasileira optou por uma poética crítica e semiótico. Desta maneira, compreendemos que as posições radicais de Arnaldo Xavier frente à cultura brasileira e a literatura negra o conduziram a uma condição de marginalidade dentro do cânone literário brasileiro e da própria literatura afro-brasileira.

5. REFÊRENCIAS BIBLIOGRAFICAS:

AUGUSTO, Ronald. Axévier, contralamúria. Germina Literatura, ano III, edição 21. São Paulo, Nov. / Dez 2006. Disponível em: <http://http://www.germinaliteratura.com.br/literaturara_nov2006.htm&gt; . Acesso em: 21 jan. 2008.

AUGUSTO, Ronald. Dois toques sobre Arnaldo Xavier (1948-2004) http://poesia-pau.blogspot.com/2008/09/dois-toques-sobre-arnaldo-xavier-1948.html.Acessado em 21 de Setembro de 2008.

BOURDIEU. Pierre. A Economia das Trocas Simbólicas. São Paulo, Perspectiva, 2005.

BOURDIEU, Pierre. O Campo Intelectual: um mundo à parte. IN: Coisas Ditas. São Paulo: Brasiliense, 2004. P.169-180.

FILHO, Domício Proença. A trajetória do negro na literatura brasileira. Estud. Avenida,  São Paulo,  v. 18,  n. 50,  2004.  Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142004000100017&lng=en&nrm=iso&gt;. Aceso em: 31  Jan.  2008.

LIMA, Vínicius. A Transnegressão de Arnaldo Xavier IN:  http://www.cronopios.com.br/blogdotexto/blog.asp?id=2456. Acessado em 18 de Março de 2008.

XAVIER, Arnaldo F. LUDLUD. São Paulo: Casa Pyndahyba, 1997.


[1] A História do Cineclubismo em Campina Grande tem sua origem no ano de 1964, com a criação do Cineclube Campina Grande. anos depois foi criada o cineclube Glauber Rocha, com características mais politizadas.

Link Permanente 4 Comentários

Blecaute: uma entrevista com Bruno Gaudêncio

janeiro 26, 2009 at 11:16 pm (Entrevistas)

Por Bruna Ferrari

Neste último mês de Dezembro fui entrevistado, como gostei bastante do resultado decide quase dois meses depois, publicar. O tema é a revista eletrônica Blecaute, que publiquei neste final de 2008. Em breve o segundo número sai por aí. Vamos à entrevista, realizada pela estudante de jornalismo Bruna Ferrari.

1-) Qual sua formação acadêmica?

Bem, sou formado em Comunicação Social, com habilitação em jornalismo, pela Universidade Estadual da Paraíba. Terminei ano passado. Atualmente curso História na mesma instituição.

2-) Aonde nasceu? Idade? Trabalho em outra área?

Nasci em Campina Grande no ano de 1985, portanto tenho 23 anos de idade. Atualmente sou estagiário da FIEP (Federação das Indústrias do Estado da Paraíba), no projeto: Memória, Patrimônio e Cidadania: Arquivo Documental da FIEP, sob orientação dos professores Maria José Silva Oliveira e José Edmílson Rodrigues.

3-) Você foi o idealizador da revista blecaute?

Exatamente… Desde faculdade de jornalismo que eu pensava realizar uma revista de cultura. Todavia, não tive espaço de colocar em prática esse sonho. Neste último mês de novembro, em um destes Domingos quentes em frente ao meu computador, coloquei na cabeça que deveria fazer uma experiência neste sentido. Comecei a mandar convites através de e-mails a amigos literatos, como Janaílson Macedo e João Matias, contistas aqui da cidade, e outros mais famosos como Franklin Jorge e Ricardo Kelmer, amigos também, contudo mais conhecidos nacionalmente e de outros estados. E daí fui afinando a idéia…juntando sempre os valores locais com os mais experientes… no final estava pronto a revista.

4-) Se sim, como você conseguiu colocar sua idéia em prática??

Eu devo muito a Internet. Até o ano passado eu não tinha um computador se quer…quando foi no mês de março de 2007 meu pai comprou com muito esforço um ,e daí eu desandei a escrever, a interagir, a fazer amizades…como eu já tinha um gosto por literatura e artes fiz várias amizades nestes campos. Ganhei muitos livros. Hoje sou até conhecido no âmbito local. Por exemplo, tenho amigos como Astier Basílio, Linaldo Guedes, Amanda K, André Ricardo Aguiar, em parte graças ao orkut, na minha opinião uma bela ferramenta de comunicação…outros amigos que tenho como Franklin Jorge, Rinaldo de Fernandes e Nélson de Oliveira foram decorrência de matérias e livros que escrevi ou estou a escrever…

5-) Você conta com algum tipo de patrocínio para fazer a revista???

Nenhum… É uma atividade espontânea, meio marginal mesmo..tenho em mim que devo fazer isso sempre sabe, colocar em prática minhas idéias e não são poucas. Em breve quero publicar meus livros, produzir outras Revistas e Suportes impressos, como Almanaques… mas isso é para o futuro. A revista esta sendo bem aceita, e a nossa idéia, e quem sabe colocar uma versão impressa. É o nosso sonho.

6-) E quanto aos colaboradores? Como é o critério de seleção dos textos que vai pra revista??
O primeiro número saiu uma lista de colaboradores amigos meus como eu bem disse. Eu fui o editor chefe e Janaílson Macedo, historiador e contista, amigo meu, trabalhou um pouco a questão estética.. o visual
Na realidade a idéia da BLECAUTE nasceu do contato com outras duas revistas. A primeira é a ORPHEU, no qual o Fernando Pessoa colaborou no início do século XX em Portugal. A segunda é a GARATUJA, essa nossa, aqui de Campina grande, que contou com colaboradores do nível do Bráulio Tavares, José Antonio Assunção, meu primo Edmundo Gaudêncio e tantos outro da década de 1970. Essas revistas me influenciaram muito pela simplicidade, pelo jeito puro de expressar idéias literárias, sem arrudeios ou usos de artefatos artificiais gráficos.
Abro um espaço aqui para explicar o nome da revista. O porquê que ela se chama BLECAUTE. É uma referencia ao apagão literário que campina grande sofre nestes últimos tempos. Praticamente não temos espaços de divulgação. Não temos eventos literários. As duas faculdades de letras são inertes. A academia de letras local não sabe outra coisa a não ser relembrar seus mortos. O outro motivo é uma referencia a um romance que gosto muito chamado BLECAUTE, de Marcelo Rubens Paiva, um grande livro, e que decidi homenagear.

7-) Quantas edições a revista já teve??

Ele teve um número apenas. O segundo sai ainda esse ano, final do mês de dezembro.

😎 Na sua opinião, o que falta para o Brasil dar mais incentivo à cultura??
Somos um povo culturalmente artístico, gostamos de produzir arte. Isso se deve a nossa mistura étnica e de raça. O nosso problema é a questão da recepção, é a ausência de público, de gente que possa consumir música, cinema, literatura, etc. devido em parte pela falta de educação e refinamento estético, por outro, pela ausência de capital financeiro para consumir bens simbólicos e culturais. Mas incentivo existem, apesar de poucos, temos o FIC, FUMUC, e outros nomes esquisitos para Fundos de incentivo institucionais Nacionais…

9-) Estamos em uma área do Brasil, onde a cultura não é difundida, onde quase nunca as peças teatrais chegam e que são raros os shows de música popular brasileira. De que maneira a cultura poderia ser mais viável ao povo paraibano, especialmente o campinense??

É um problema que percebo também, na verdade todos nós que gostamos de arte percebemos esse problema, mas assim, a chamada cultura refinada, ou clássica não tem muitos consumidores aqui, mas percebo mesmo assim algumas resistências nossas que podem melhorar no futuro, como o PROJETO SEIS E MEIA, O REP/REPENTE, entre outros projetos culturais. Mas o que nos falta mesmo é uma militância artística, a organização de uma comissão de arte, a criação por parte da prefeitura de uma secretaria especifica de cultura e lazer…sinceramente acho esse governo Veneziano um dos piores em relação a cultura, apesar de ter votado nele, falta algum artista, um intelectual consciente destes problemas, a sua equipe de governo é demasiadamente simplista e antiestética, espero que nessa segunda gestão isso mude. Pelo bem cultural de Campina. Por outro lado, a oposição também não é lá muito criativa, e perceptiva a esses problemas, principalmente se percebemos o nome de João Dantas como líder cultural da cidade, fato que discordo totalmente.

10-) Você pensa em ampliar a revista, e ir para as gráficas imprimi-la?

Exatamente. É nosso sonho.

11-) Quando você começou a escrever para a revista??

Nos mais longínquos sonhos eu já esquecia nesta minha revista.

12-) Você acha que com a invasão da internet nos meiios de comunicação, vai acabar fazendo com que as editoras rumem para as revistas digitais??

Não acredito nisso, a cultura impressa é muito forte. As duas serão sempre parceiras e às vezes inimigas, mas sempre estarão juntas no mercado.

13-) Qual a sua perspectiva para o futuro da revista Blecaute:??

Ela tem um propósito vanguadistico, criar uma cultura de discussão literária e artística na cidade, ou para parte da cidade. Ser uma espécie de centro irradiador de idéias e valores culturais, tudo com muito bom gosto e sofisticação. É bom deixar claro que Todos podem participar desde que tenham boas idéias para expressar. Antes de terminar quero dizer que no próximo numero além de mim, João Matias de Oliveira (Contista e estudante de Jornalismo e Ciências Sociais) e Janaílson Macedo (Contista e estudante de História) serão os editores da revista Blecaute. Somos uma equipe agora.
Para terminar eu convido os interessados a mandarem seus textos, como contos, poemas, ensaios e artigos científicos ligados a literatura e artes para meu e-mail: gaudencio_bruno@yahoo.com.br, em breve a revista vai ter seu próprio e-mail…uma coisa eu desejo: que a revista chegue ao e-mail de vocês…rsrs

Link Permanente 4 Comentários

Frases sobre O Brasil e Os Brasileiros

janeiro 19, 2009 at 1:43 pm (Relicário de Frases)

parkeharrison-luciddreame1

BRASIL

O Brasil só não cai no abismo porque já roubaram o abismo.

Agildo Ribeiro (1932-) Ator e Humorista Carioca (Extraído do Livro: È Dando que se Recebe, de Carlos Eduardo Novaes).

Nunca seremos uma “grande nação” – isso é um sonho integralista. Somos uma nação grande que tem de melhorar no presente. Não há “país do futuro”.

Arnaldo Jabor (1940-) Jornalista e Cineasta Carioca (A Invasão das Salsichas Gigantes)

Choca-me (ouso dizê-lo) fazer parte de um país cujo símbolo é o rabo das mulheres.

Arnaldo Jabor (1940-) Jornalista e Cineasta Carioca (Os Canibais estão na Sala de Jantar).

O Brasil só não anda pra frente porque roubaram as rodas.

Antonio Callado (1917-1997) Escritor carioca (Citado por Zuenir Ventura em Artigo para o Jornal do Brasil).

O Brasil é o país que desmoraliza o absurdo, porque o absurdo acontece.

Dias Gomes (1922-1999) Dramaturgo e Escritor Bahiano (Extraído do livro Viver e Escrever, volume 2, de Edla Van Steen).

Quem não gosta do Brasil não me interessa.

Gilberto Amado (1887-1969) Escritor Sergipano (A Chave de Salomão)

O Brasil é o país pobre mais metido a besta que conheço.

João Saldanha (1917-1990) jornalista e treinador de futebol gaúcho (Extraído do livro È dando que se recebe, de Carlos Eduardo Novaes).

Se a história do Brasil ensina alguma ciosa é que ninguém paga pelo que foi, fez e falou.

Luis Fernando Veríssimo (1936-) Cronista Gaúcho (Aquele Estranho Dia que Nunca Chega).

Nascer no Brasil até que é bom, meu querido. O triste é não ter voz. Nem ter vez.

Lygia Fagundes Telles (1923-) Escritora Paulista (A disciplina do Amor).

De todos os países do mundo, o Brasil é o mais rico em pobres.

Millõr Fernandes (1924-) Escritor e Humorista Carioca (Millõr Definitivo: A Bíblia do Caos).

Acho que a história do Brasil è um romance sem heróis.

Raymundo Faoro (1925-2003) Escritor e Cientista Político Gaúcho (Extraído em Entrevista a Revista Veja).

BRASILEIROS

Somos um dos povos mais sensatos e inteligentes do mundo.

Alberto Torres (1865-1917) Político e Jornalista Carioca (O Problema Nacional Brasileiro).

O brasileiro tem na alegria o seu patrimônio. Do contrário, não sobreviveria a tanta provação.

Jaime Lerner (1937-) Político e Urbanista Paranaense (Extraído da Revista Superinteressante).

Feitas as contas é muito bom ser brasileiro. Se Deus não é compatriota nosso, não sabe o que esta perdendo.

Moacyr Scliar (1937-) Escritor Gaúcho (Extraído da revista Superinteresante )

Herdamos a desconfiança do português e o amor do Francês à burocracia.

Paulo Francis (1930-1997) Escritor e Jornalista Carioca (Waaal: O Dicionário da Corte de Paulo Francis).

Link Permanente 31 Comentários

BAILE PERFUMADO

dezembro 21, 2008 at 2:55 pm (Poemas Avulsos)

belissimaSerão necessárias diversas lutas de palavras

Em estratégias múltiplas de silêncio

Para a descoberta da verdadeira poética da morte

Escritos histéricos feitos de fios de fábulas

Surdos corpos malditos no mar…

Cadernos de espermas? Espumas de sonhos

Oh essas sombras de sangue!

Que vagueiam lúcidas pelos canais do ser

Em busca de um baile pertobavelmente

Perfumado de palavras e sons.

Link Permanente 2 Comentários

Next page »

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.