O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS (POEMAS PARA UM JOVEM VAGABUNDO)

CALÇADAS
O medo
de morrer
deixa-o feliz.
E as espadas da discórdia
exalam fadas e demônios
nas esquinas de sua pele.
Nas ruas as calçadas
são limites para as incompetências
dos seus gestos.
Ele ler Poe e Baudelaire
e caminha para Nietszche,
mas é incapaz de amar
uma flor no jardim.
O AMOR DE MATEUS
Metamorfose
Mataformosa
Metapoeta
Moça morena
De cabelo marrom.
Que habita a mente
De Mateus nas noites mornas.
Sexo

O que é colocar o membro ereto
Sendo o membro ereto a obra análoga da carne?
Do ângulo reto das pernas espelho o infinito.
O que é deslizar os dedos nos púbis?
Sentir o furor da vulva molhada no primeiro toque
Sendo o púbis a parte nobre dos pêlos da pele?
Receio adentrar cada centímetro CÚbico
De prazer no centro do mundo, imundo e belo,
Lá conquisto o gozo,
e molho o pênis no molho da fêmea desejada.
BAILE PERFUMADO
Serão necessárias diversas lutas de palavras
Em estratégias múltiplas de silêncio
Para a descoberta da verdadeira poética da morte…
Escritos histéricos feitos de fios de fábulas
Surdos corpos malditos no mar…
Cadernos de espermas? Espumas de sonhos
Oh essas sombras de sangue!
Que vagueiam lúcidas pelos canais do ser
Em busca de um baile pertobavelmente
Perfumado de palavras e sons.
Três passados de amor Poemas…
Estes três poemas a baixo foram escritos em tempos e espaços completamente diferentes, e são homenagens mesmo que simplórias as últimas garrotas que eu gostei… São textos ridículos, mas possuíam em cada época sentidos que me fascinavam… É a arte do amor…ou do desamor
“Amor-chama, e, depois, fumaça…”
Manuel Bandeira (A Cinza das Horas).
Coração de morena
Queria ter forças para suportar a solidão que habita desesperadamente meu peito
Mas relendo meus versos antigos percebo que sou o mesmo infeliz,
O mesmo pobre e magro poeta de amores perdidos e perdidas ilusões.
Queria ter forças pra não morrer de tédio nesta cidade grande e absurda
Feita com cacos de telhados de vidros onde moram reluzentes solidões fingidas
E demasiados amores supérfluos, perdidos em cartas guardadas em gavetas marrons.
Queria ter forças para tolerar calmamente teu lindo sorriso que longe mora.
Não ter inveja dos passarinhos coloridos que convivem contigo nas árvores da tua morada
E que brincam felizes ao redor de ti em meio aos teus maravilhosos cabelos negros e revoltos.
Queria ter forças, Morena, para detonar essas fronteiras, esses muros de dores… Queria ter forças Morena para destruir essas enormes barreiras, e habitar calmamente sorrindo o teu coração decente, vencendo de vez a solidão que desgasta o meu peito de poeta infeliz.
Peso da Alma
Angústia em suspiros maus dispersos
Os beijos que eu dei apaixonados.
Abro os olhos humanos para crer
O que sinto é a presença do passado…
Serei doido, mago ou visionário?
Para não compreender este estranho sentimento
Que vagava sorridente em minha Alma
Mas agora eu bem entendo….
Era tudo mentira ou só desejo?
Ter agora a glória do destino
E lembrar para sempre do “menino”
A doçura “calhiente” dos seus beijos.
Soneto de Encantamento
Cabelos de infância querida
Sorriso de saudade inocência
Tu és a princesa florida!
A moça mais linda da lenda.
Poema perfeito nos traços,
encantada presença de Deus
Nos meus pensamentos escassos
eu sempre sonhando em ser teu…
Eu guardo tua voz com carinho -
na essência do meu coração
e nunca me sinto sozinho.
Pois lembro os beijinhos -
entre abraços calados,
com intensa emoção.
Desencantos pós-modernos?!
DESENCANTOS
I
Vivemos uma revolução conservadora
Marcada pela industrialização das almas,
Colonização dos espíritos,
Capitalização dos corpos
E socialização dos preconceitos.
Tempos de um individualismo de massa,
Assinalado numa ridúcula absolutização do relativo
e inadequada relativização do absoluto.
Temos um “templo” de sonhos
Em límpidas paredes de carne
Com um imenso e maciço intelecto de confusão e barbárie,
Sem preferências e sentimentos gratuitos
Sem poesia e sonhos reais.
II
Procura-se uma direção,
Um sentido,
Pois esta aceleração temporal
que destroem com suas máquinas de tédio
Deixam-nos embriagados e falhos de glória,
Cheios de um silêncio atento e inocente
De perplexidade e mutismo.
Procura-se uma crença,
Um sujeito, um discurso,
O que for…
Que sobreviva neste mundo descontinuo
Porém que não esteja impregnado
De algum valor.
III
Sem sujeito
E sem discurso
A perplexa sombra
Da invenção maldita
Paira no ar.
Crenças morrem em casas de madeira
Em um círculo e circuito de destruição sonora
Esta banalidade nos consome
Esta fábula sem sonhos nos agride
Feitas de tão intoleráveis e indiscutíveis virtualismos.
Não previne idéias solitárias estes meios
E sim produzem um suicídio coletivo e calmo
Inconsciente
Inconseqüente
Impertinente.
Oh seres!
O passado não ensina nada
E o futuro não realiza tudo.
Santo Daime (Tive um parto Comigo mesmo.)
Vi pássaros demais Dentro de mim
Cai de pontes Em pedras de paz
Tive um parto Comigo mesmo.
Daqueles de flores e frutos azuis.
Senti luzes inesgotáveis.
Vozes divinas Pululavam No meu peito.
Sorri como um bebê bobo
Em meio a doces lembranças do futuro
Parti desesperos em sonhos falhos
Olhos vermelhos me jogavam pontes de Poesia
Cânticos em Desejos de Caos, ritmos de Era.
Eu vi um Deus brincando em papéis de ritmos
Um caldo.
Um credo.
Um Bailado.
Uma Música.
DANAÇÕES II
Hoje, não mais que hoje, sou disperso.
Pedaços de um mundo bem distante
Contemplo o que é surpresa, mas desprezo.
São dores que renascem neste instante.
Solidão inútil, constante “amiga”.
A flor que te inventou se recolheu.
És bela e pura, porém inimiga.
Hoje não mais sei o que sou eu.
Oh solidão que enche todo o quarto
Delirás no meu corpo incauto e gasto.
Deixa-me em paz um só minuto.
Não suporto este porto solitário
Estou morto, pois o mundo eu atrapalho.
O que resta de saída é o absurdo.
OFÍCIO DE ENGORDAR AS SOMBRAS
desmentindo o seu próprio segredo
a alma carrega sempre
o oficio de engordar as sombras,
de retornar as coisas
da infância tangível,
em um límpido silêncio
de água que flui
na nudez pura
da morte.
Dança do corpo inviovável

A pele inviovável
do seu corpo inviovável
viola a minha pele
e canta no meu corpo
os acordes de uma música
indecifrável.
Sonhos de Ferro
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no quarto guardo
entre as redes
do silêncio
o vazio das gavetas
dos meus sonhos.
nas paredes
o sono calmo
esconde
no cheiro azul
do lugar
tempestades sombrias
em sons de asas
de morcegos.
