Paisagem Interna I
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CULTA MELANCOLIA NIILISTA
Extasiado e com dúvidas morais
Sinto-me um sábio dos porcos,
Um dos loucos de Shakespeare
(Os únicos que dizem a verdade).
Minha bondade é burra.
Minha honradez é bestial.
Bebo cálices de pessimismo.
Alimento-me de pseudofilosofias.
Tenho a angústia dos cancerígenos.
A dor dos leprosos na alma.
Fui infectado pela culta melancoliaNiilista.
Não há revesso… só loucura!!
PAREDES DE CARNE
A João Carlos Aguiar
Vazio do tempo, bêbado de tristeza!
Estalo cacos de vidros nas paredes
De carne do meu próprio ser quimera.
Que merda ser quem sou sozinho insano!
Vivo de amarras de paixões antigas
E abismos claros de desassossego.
Visto a tristeza que encontro em cada rota.
E brinco antigo de versos desesperos.
Parto poemas como dou um beijo.
Parto desejos como leio um livro
Parto a minha dor…em versos vivos.
Encontro à vida perdida em cada pranto
Inerte contemplo o sono da paisagem humana
Maldito ser o resto, o desvalido.
CLARO ENIGMA II
Nunca estou só:
os meus demônios estão comigo.
OFÉLIA
Escutei a cor dos lábios de Letícia
Respirei o gosto da pele de Tereza,
Mas só a ti Ofélia
Amei
com a perfeição
dos verbos
dos versos
e dos sentidos.
POEMETO IRÔNICO
Deus existe.
Mas está escondido
Na música de Bach.
O diabo existe.
Mas está escondido
Na música de Bar.
ADÁGIO BAUDELARIANO
Fica o Dito
Pelo o Maldito.
Paisagem Interna II
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DEMÉRITOS
Nasci, cresci
colecionei dores e revoltas
abortei palavras
poemas nus e sujos
calos e feridas
a amostra
primeiros versos
primeiras angústias:
simples imperfeições.
POEMA SUJO
a Priscila Nilo
Joguem para os céus as flores!!!
Mastiguem os espinhos!!!!
pois da boca maldita do poeta louco
sairam espadas sujas de dor e revolução…
NO BANHEIRO
A Kledna Sonalle
no chuveiro uma cabeça desepada
na privada o coração que toma banho
na parede a morte desenhada:
sangue preto, pútrido e resecado…
Piso num olho que me olhava lá do chão
encontro um dedo pendurado no ferrolho
a pressão baixa…vem uma ãnsia
e corro e mais corro…
Chego em meu quarto
encontro-me dormindo com os anjos
quando acordo
choro a minha própria morte…
MOLDURA
Sob a moldura do poema
que eu não fiz
desenho o meu enigma:
Finjo e fujo
das palavras
Lúcidas e loucas.
CLARO ENIGMA III
Amormente
Mortalma
FANTASMA
encontrei um velho suéter
do meu avô que já morreu.
encontrei uma antiga bota
da minha prima que mora longe.
encontrei a minha alma solitária
vagando esquecida nos espelhos do quarto vazio…
e me dei conta que eu havia morrido,
que os meus retratos
estavão mofando nas gavetas sujas da sala,
que minha mulher estava com outro
e que principalmente nem minhas filhas
lembravam mais de mim…
SONETO DE DIÁRIO TRISTE*
È triste quem vive só
sem amigos, sem ninguém
não há palavras bonitas
nada que lhe convém.
*
E junto da solidão
da tristeza e da doença
logo vem a depressão
e no suicidio se pensa.
*
Nestes dias tão vazios
em que os rios não se banham
nem os sonhos estão presentes
*
Vivo louco angustiado
totalmente alucinado
com a morte na minha mente.
*
*Este foi um dos meu primeiros poemas, escrito quando eu tinha 15 anos.
Paisagem Interno III
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Será possível viver sem dizer eu?
em vão me tento explicar
estou sujo de morte.
O Inferno do Céu (quadro zero)
Líricos são os pássaros
que insistem em voar,
mesmo mortos nos
quadro surdos e surrealistas…
Sete chaves
das pedras que estão
nas gavetas dos meus sonhos
a única que não fere
é uma carta de amor
que eu nunca escreverei…
Errante
Hoje esta um dia morto
Hoje esta um dia morto
Hoje esta um dia morto
Hoje esta um dia morto.
A Poesia rir de mim…
Sem Sombra ou Sobra
A cor do silêncio
bebe a luz dos meus olhos
e espanta os meus sonhos -
sem sombra ou sobra
de algum simbolo simples…
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saboriei a morte
vendo os meus ouvidos
susurarem prantos
no espelho vazio.
O Morto
A vida é Rosa
como um cachimbo preto.
Paisagem Interna IV
Estes são alguns dos meus humildes poemas:
O POETA DA ALMA DE VIDRO
O poeta com sua alma de vidro
e seus olhos de espelhos
respira a pelicula dos poros
dos seus desesperos.
FOBIAS
A Tomires Nascimento
Sinto flores nas bocas.
Sinto dores nas roupas.
Sinto cores nas calmas.
Sinto caimbras nas almas.
Sinto espelhos nas folhas.
Sinto dedos nas telhas.
Sinto lobos nas trovas
Sinto rezas nas covas.
Sinto mortes nos ventres.
Sinto sombras nas lágrimas.
Sinto estrelas nas mentes.
Sinto estranhos nas casas.
Sinto feras nas jantas.
Sinto cantigos nas fugas
Sinto chuvas nas mantas.
Sinto sopros nas nucas….
PAISAGEM INTERNA II
O silêncio me falou
que o vazio
me completa
intensamente.
A MANEIRA DE ALVARO DE CAMPOS
Adormeço sem dormir, ao relento da vida
a alma goza ou sofre o intimo tédio de tudo
Meu coração esta cansado como um mendigo vadio
sou um monte confuso de forças cheias de infinito.
Quando olho pra mim não me percebo
devo tomar qualquer coisa ou suicidar-me.
Começo a conhecer-me, não existo.
nunca fiz mais do que fumar a vida.
Quando é que despertarei de estar acordado?
trago um grande cansaço de ser tanta coisa
chego a ter vontade de ter sossego
estou escrevendo versos realmente simpáticos-
versos a dizer que não tenho nada a dizer.
CLARO ENIGMA
Antes de nascer
estavamos todos mortos.