Desencantos pós-modernos?!

Abril 14, 2008 at 2:50 pm (Poemas Avulsos)

DESENCANTOS

I

Vivemos uma revolução conservadora

Marcada pela industrialização das almas,

Colonização dos espíritos,

Capitalização dos corpos

E socialização dos preconceitos.

Tempos de um individualismo de massa,

Assinalado numa ridúcula absolutização do relativo

e inadequada relativização do absoluto.

Temos um “templo” de sonhos

Em límpidas paredes de carne

Com um imenso e maciço intelecto de confusão e barbárie,

Sem preferências e sentimentos gratuitos

Sem poesia e sonhos reais.

II

Procura-se uma direção,

Um sentido,

Pois esta aceleração temporal

que destroem com suas máquinas de tédio

Deixam-nos embriagados e falhos de glória,

Cheios de um silêncio atento e inocente

De perplexidade e mutismo.

Procura-se uma crença,

Um sujeito, um discurso,

O que for…

Que sobreviva neste mundo descontinuo

Porém que não esteja impregnado

De algum valor.

III

Sem sujeito

E sem discurso

A perplexa sombra

Da invenção maldita

Paira no ar.

Crenças morrem em casas de madeira

Em um círculo e circuito de destruição sonora

Esta banalidade nos consome

Esta fábula sem sonhos nos agride

Feitas de tão intoleráveis e indiscutíveis virtualismos.

Não previne idéias solitárias estes meios

E sim produzem um suicídio coletivo e calmo

Inconsciente

Inconseqüente

Impertinente.

Oh seres!

O passado não ensina nada

E o futuro não realiza tudo.

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