Desencantos pós-modernos?!
DESENCANTOS
I
Vivemos uma revolução conservadora
Marcada pela industrialização das almas,
Colonização dos espíritos,
Capitalização dos corpos
E socialização dos preconceitos.
Tempos de um individualismo de massa,
Assinalado numa ridúcula absolutização do relativo
e inadequada relativização do absoluto.
Temos um “templo” de sonhos
Em límpidas paredes de carne
Com um imenso e maciço intelecto de confusão e barbárie,
Sem preferências e sentimentos gratuitos
Sem poesia e sonhos reais.
II
Procura-se uma direção,
Um sentido,
Pois esta aceleração temporal
que destroem com suas máquinas de tédio
Deixam-nos embriagados e falhos de glória,
Cheios de um silêncio atento e inocente
De perplexidade e mutismo.
Procura-se uma crença,
Um sujeito, um discurso,
O que for…
Que sobreviva neste mundo descontinuo
Porém que não esteja impregnado
De algum valor.
III
Sem sujeito
E sem discurso
A perplexa sombra
Da invenção maldita
Paira no ar.
Crenças morrem em casas de madeira
Em um círculo e circuito de destruição sonora
Esta banalidade nos consome
Esta fábula sem sonhos nos agride
Feitas de tão intoleráveis e indiscutíveis virtualismos.
Não previne idéias solitárias estes meios
E sim produzem um suicídio coletivo e calmo
Inconsciente
Inconseqüente
Impertinente.
Oh seres!
O passado não ensina nada
E o futuro não realiza tudo.