O PASSAGEIRO

Julho 13, 2008 at 10:14 pm (Contos)

SEMPRE FOI TRISTE o menino Anselmo. Andava abatido com seu rostinho pálido olhando apenas o chão. Um sorriso? Quase nunca dava. Não tinha apetite algum, por isso era magrinho como um espeto. Não possuía nenhuma disposição para brincar com outros garotos de sua idade na rua ou na escola. Era introspectivo, solitário e extramente ausente. Seu olhar era sempre afastado, cheio de uma atmosfera de morte, cujas pálpebras transpareciam um sono infinito e sua boca um riso tristemente infeliz.

Quando estava prestes há completar quatorze anos, Anselmo decidiu de maneira drástica acabar com sua própria vida. Para muitos parecerá estranho tal pensamento para um garoto, mas para Anselmo era a vitória necessária que ele desejava no mundo. Não agüentava mais a sua trajetória existencial marcada pela tristeza, pela angústia e pela depressão, em uma cidadezinha infeliz do interior do mais interior do Brasil; não suportava a presença tosca e insensível de sua mãe, sempre ausente de carinho e amor, com sua ignorância e grosseria absurda em palavras e ações, e de seu padrasto, um traste que não fazia outra coisa a não ser beber, beber, beber.

Todavia, apesar de seguro de sua atitude o menino Anselmo possuía várias dúvidas quanto à forma de seu suicídio. Resolveu pesquisar na velha biblioteca municipal, que ficava em sua rua. Lá encontrou em alguns livros e enciclopédias alguns dados para ele muito relevantes. Sempre teve grande interesse pelo tema, sobre as maneiras e principalmente sobre os sujeitos que tiveram a coragem de ser matar. Tinha especial afinidade pela história de vida do ex-presidente brasileiro Getúlio Vargas, não por suas ações de governo, como seu falecido avô tinha, mas sim por sua coragem diante da morte naquele julho de 1954. Outro personagem na qual gostava bastante, porém escondia de todos na escola era o sanguinário Adolf Hitler. Achava fabulosa toda a história do imperador nazista e de seu fim tão “digno” durante o termino da segunda guerra mundial.

Começou a avaliar as maneiras mais interessantes que poderia dá cabo da própria vida em sua pequena cidade. Entretanto, algo que não escondia nem de si mesmo era o terrível medo que nutria da própria dor; sabia que deveria sentir dor, talvez muita dor, daquelas mais insuportáveis e temíveis, já que ia se matar, porém, queria a qualquer custo encontrar uma maneira mais rápida e se possível menos dolorosa para o seu suicídio.

Começou então a escrever em um velho caderninho o universo de possibilidades para o seu ato destruidor. Depois de duas semanas de pesquisa foi colocando em cada folha do caderno as possíveis formas de se matar. Não achava interessante ingerir veneno, pois ele sabia que “doía muito por dentro”. Não suportaria morrer daquela forma de tão inigualável sofrimento. Aconteceu há algum tempo atrás com o cachorrinho do seu vizinho, e ele viu assustado toda a dor do bichano. “Ele cuspia muito sangue e virava os olhos”, escreveu no velho caderno o garoto. Revólver – “nem pensar!”, foi enfático o menino, “pois faria barulho”, e, além disso, em sua casa não havia armas de fogo, e seria um imenso trabalho para conseguir pela vizinhança. Pular de um edifício? – pensou; “de maneira nenhuma”, em sua cidadezinha os prédios não passavam de dois andares, “eu poderia sobreviver e ser motivo de chacota de todos durante meses, talvez anos”. Afogado? Pensava o garoto, não. Na época suportava-se com muita dificuldade uma estiagem das brabas, e o Rio que abastecia o município estava demasiadamente seco, e “ açude cheio só a léguas de distância”.

Passado já dois meses de seu aniversario, mais angustiado e triste do que nunca, o menino Anselmo decidiu rapidamente o seu fim: Deveria morrer esmagado. Isso mesmo esmagado. Era rápido e todos pensariam que fora um acidente. Além disso, ele gostaria que seu corpo se desestruturasse, se quebrasse em pedaços; não agüentava mais ver sua palidez e magreza no espelho, de sentir o sorriso irônico de todos de sua cidade a rirem de sua feiúra. Anselmo não gostava de si mesmo e ele percebia claramente que todos também não gostavam, inclusive sua família, em especial sua mãe.

A mais ou menos um quilômetro da sua casa passava diariamente às nove horas da noite um trem. Era uma grande Maria Fumaça, que com seu som estridente assuntava a todos da região; não trazia passageiros e sim várias cargas de algodão para a capital. No dia marcado lá foi Anselmo para o seu destino de morte. Era uma quarta-feira, fria e calma, com nuvens ausentes e uma lua linda, clara e redonda. Saiu devagar pelos fundos da casa, sem que sua mãe notasse e com apenas a roupa do corpo. Seu padrasto dormia mais uma vez bêbado no sofá.

Lá chegando ao lugar marcado, cerca de meia hora depois de passear pelas avenidas de arvores secas e pedras vermelhas do sertão, Anselmo sentara em um lugar estratégico onde com certeza o trem não daria tempo de frear, caso o foguista o visse, em uma curva ìmgrime, ao lado de uma pequena serra, conhecida por Serra Vermelha. E chegou uma hora antes do tempo, caso o trem se adiantasse. Sentou paciente, sentindo um pouco de frio, escutou ruídos nos matos, pareciam vacas Deu noves horas, horário no qual o trem sempre passava naquele lugar. E o trem não passou. Dez horas. E o trem não passou. Anselmo decidiu esperar a hora em que o trem viria, seja ela qual fosse. Continuou deitado, com o frio no seu corpo que vinha entre os trilhos feitos de aço, as costelas pareciam já congeladas. Decidiu dormir, sonhando com a vinda triunfal da máquina que lhe levaria para o céu. No outro dia o trem também não passou. E ele continuava lá, persistente, deitado, agora com uma fome e uma dor dilacerante que parecia comer todo o seu corpinho. Anselmo estava determinado por um próprio fim trágico. Seria uma vergonha voltar para sua cidade e sua família. Tinha que morrer a todo custo. Nem que seja de fome e de frio.

Passara uma semana, e o trem não chegou.

Por conta da sede e da fome o menino Anselmo fora encontrado morto deitado nos trilhos, assim como desejara nos últimos momentos de consciência. Seu rosto estava sorrindo como nunca sorriu. Os pássaros brincavam ao ser redor, quando um jovem desconhecido encontrou seu corpo caído e completamente nu, e no fundo atrás do ângulo de visão do menino a placa que dizia: “estão encerradas as atividades ferroviárias nesta região”, e desde deste dia o trem nunca mais passou próximo à cidade…

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Frases sobre o Homem e a Mulher

Junho 30, 2008 at 11:33 pm (Relicário de Frases)

MULHER E HOMEM

Para esquecer uma mulher é preciso gostar imediatamente de outra embora seja impossível gostar de outra enquanto não se esquece uma mulher.

Antonio Maria (1921-1964) Jornalista e Cronista Pernambucano (Com vocês Antonio Maria).

Não sou capaz de amar mulher alguma, / nem há mulher talvez capaz de amar-me.

Augusto dos Anjos (1884-1914) Poeta Paraibano (Eu e outras Poesias).

O homem ri para mostrar o espírito. A mulher para mostrar os dentes.

Berilo Neves (1901-1974) Cronista e Humorista Piauiense (Citado por Décio de Almeida Prado no Livro: Peças, Pessoas e Personagens).

È com um pouco de pudor que sou obrigada a reconhecer que o que mais interessa à mulher é o homem.

Clarice Lispector (1925-1977) Escritora Ucraniana Radicada no Brasil (A Descoberta do Mundo)

Não sei o peso do meu corpo sem contar com a medida do teu.

Fabrício Carpinejar (1972-) Poeta e Jornalista Gaúcho (A Terceira Sede).

Pobre daquele que procura amor numa mulher linda, apenas.

Ibrahim Sued (1924-2005) Jornalista Carioca (O Segredo do meu Su… Sucesso).

A mulher ideal é aquela que não percebe os nossos defeitos.

Mário da Silva Brito (1916-) Escritor e Humorista Paulista (Diário Intemporal)

É mais pela vaidade de nos enganar do que pela ânsia de nos possuir que as mulheres nos amam.

Procópio Ferreira (1898-1979) Ator Carioca (Citado por Décio de Almeida Prado no Livro: Peças, Pessoas e Personagens).

Mulher é bom para quem tem muitas.

Stanislaw Ponte Preta (1923-196 8) Cronista Carioca (O Melhor de Stanislaw Ponte Preta)

MULHERES

As mulheres bonitas detestam as mulheres bonitas, quando estão gostando muito de um homem feio.

Antonio Maria (1921-1964) Compositor e Jornalista Pernambucano (Com Vocês Antonio Maria).

A mulher de bunda bonita está sempre de costas, mesmo quando de frente.

Arnaldo Jabor (1940-) Jornalista e Cineasta Carioca (A Invasão das Salsichas Gigantes)

È próprio da mulher o sorriso que nada promete e permite imaginar tudo.

Carlos Drummund de Andrade (1902 –1987) Poeta e Cronista Mineiro (O Avesso das Coisas)

Tirando a mulher, o resto é paisagem.

Dante Milano (1899-1991) Poeta Mineiro (Poesia e Prosa).

Há quem goste das magras e há quem goste de gordas. Eu gosto de todas.

Jamelão (1913-200 8) Cantor Carioca (Extraído da Revista Veja).

A mulher fácil facilmente se perde; a mulher difícil dificilmente é perdida.

Julio Camargo (1930-2007) Jornalista e Aforista Pernambucano (A Arte de Sofismar)

Em matéria de mulher, há um tipo cem por cento: desquitada, analisada e com apartamento.

Luis Fernando Veríssimo (1936-) Cronista Gaúcho (A Grande Mulher Nua).

Quanto mais conheço os homens, mais aprecio as mulheres.

Mário da Silva Brito (1916-) Poeta e Ensaísta Paulista (Desaforismos).

São desagradáveis e intoleráveis as mulheres, quando saindo da esfera feminina tomam o caráter masculino.

Marquês de Marica (1773-184 8) Pensador Carioca (Máximas Reflexões e Pensamentos).

As mulheres quanto mais perdidas mais achadas.

Mauro Mota (1911-1984) Jornalista e Poeta Pernambucano (Antologia em Verso e Prosa).

Numa mulher as outras perdoam tudo, menos uma bunda maravilhosa.

Millõr Fernandes (1924-) Escritor e Humorista Carioca (Millõr Definitivo: A Bíblia do Caos).

Toda mulher bonita leva em si, como lesão da alma, o ressentimento. È um ressentimento contra si mesma.

Nelson Rodrigues (1912-1980) Dramaturgo e Jornalista Pernambucano (Flor da Obsessão).

Nem todas as mulheres gostam de apanhar, só as normais.

Nelson Rodrigues (1912-1980) Dramaturgo e Jornalista Pernambucano (Flor da Obsessão).

O HOMEM

O homem deixa de ser quem é para transformar naquilo de que os outros homens precisam.

Afonso Arinos de Melo Franco (1905-1990) Político e Escritor Mineiro (Alto-mar, Maralto).

O humano é um resíduo descartável onde mora a dúvida, a morte.

Arnaldo Jabor (1940-) Jornalista e Cineasta Carioca (Os Canibais estão na sala de jantar).

È mais fácil o homem ser vítima do que autor de sua história.

Augusto Cury (195 8-) Escritor Paulista (Análise da Inteligência de Cristo).

Todos nós temos um pouco de poeta, de doido e de palhaço.

Gustavo Corção (1896-197 8) Escritor Carioca (Lição de Abismo)

O homem é o câncer da natureza.

Millôr Fernandes (1924-) Escritor e Humorista Carioca (Millôr Definitivo: A Bíblia do Caos)

Em nosso século, o “grande homem” pode ser, ao mesmo tempo, uma boa besta.

Nelson Rodrigues (1912-1980) Dramaturgo e Jornalista Pernambucano (Flor da Obsessão).

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UM PANORAMA DAS ATIVIDADES ARTISTICO-CULTURAIS EM CAMPINA GRANDE (1960-1980)

Junho 27, 2008 at 10:36 pm (Ensaios)

Por Bruno Gaudêncio

1. PRIMEIRAS INCURSÕES

O objetivo deste pequeno ensaio é tecer um panorama remendado das atividades artístico-culturais entre os anos de 1960 e 1980 em Campina Grande, Paraíba, produzindo assim pequenos “fios de sentido” em movimentos memoriais de escritas nas áreas das artes plásticas, do cinema, da literatura e do teatro, procurando assim relacionar a modernidade inerente destas atividades como uma espécie de cobertor, cheio de pedaços de tecidos e panos múltiplos que simbolizam a chegada da cidade de Campina Grande no artesanato da arte moderna contemporânea. Procura-se ainda, dentro dos limites desta escrita de fragmentos de datas e nomes relacionar no final o melhor  da produção cultural e dos espaços artisticos dos dias atuais na cidade.

2. A TESE DE MACHADO BITTENCOURT: CAMPINA GRANDE: UMA CIDADE ANTI-CULTURAL?

Em seu texto Revisão Crítica da atividade cultural em Campina Grande 1950-1975, publicado na Revista Campinense de Cultura na década de 1970, o cineasta e jornalista Machado Bitencourt refere-se à comunidade campinense como não identificada com as vocações artísticas e culturais. Segundo Bittencourt a partir de 1907 adensava-se uma sociedade com raízes heterogêneas, sem vínculos familiares, extremante pragmático e ligado às atividades comerciais e de contabilidade, o que causaria uma não identificação com uma proposta de contribuição intelectual.

Tese que se deve discordar, pois em Campina Grande durante as primeiras décadas do século XX desenvolveu-se sim uma atividade artística cultural de vocação cultural-humanista. Exemplos disso foi o grande número de academias de literatura que existiram (Clube Literário, Grêmio de Instrução, Machado de Assis, Fruteira de Cristino Pimentel, entre outros.) com nomes destacados como: José Pedrosa, Cristino Pimentel, Epitácio Soares, Hortensio Ribeiro, Nilo Tavares, Severino Pimentel, etc. Não podemos esquecer as ações de artistas plásticos como José Santos, as companhias de Teatro estrangeiras que visitavam a cidade no inicio do século, Lino de Azevedo e sua atividade como dramaturgo, os espetáculos musicais e telenovelas na Rádio Borborema, as chamadas produções “ordinárias” no sentido de Michel de Certeau na feira central, um espaço vivo e permanente de cultura. Realmente foi uma produção tímida, centrada quase que exclusivamente na literatura é verdade, mas não podemos generalizar a ponto de afirmar que “no adensamento da sociedade urbana não se identifica uma vocação á atividade cultural”, como fez Machado.

3. A MODERNIDADE EM SEU SENTIDO ESTÉTICO: BAUDELAIRE E O HOMEM NA MULTIDÃO.

Procura-se neste ensaio de caráter informativo relacionar os significados de uma agitação artístico-cultural a partir das décadas de 1960 com um sentido de modernidade em Campina Grande. A Modernidade em seu sentido histórico nesta cidade geralmente tem um sentido material, ou seja, de consumo de objetos modernos, como foi o caso das primeiras décadas quando a elite campinense consumia com todo orgulho os benefícios que o Trem trazia em produtos da moda da Europa. (ARANHA, 2005)

A nossa compreensão de Modernidade será numa lógica das mentalidades, na expressão contida nas produções artísticas de vários artistas ao longo de duas décadas. Em Campina Grande existia sim uma produção artística anterior à década de 1950. Porém as visões estéticas destes artistas anteriores correspondiam a percepções tradicionais de arte. Centrado na pura cópia de modelos clássicos.

Desta maneira perguntamos: O que seria então arte moderna? Seria uma espécie de cultura de Vanguarda? Ou seja, um novo olhar sobre as formas de se expressão, uma transformação das percepções. Desta maneira A arte moderna se refere a uma nova abordagem da arte em um momento no qual não mais era importante que a arte representasse literalmente um assunto ou objeto. É um momento em que os artistas passam a experimentar novas visões, através de idéias inéditas sobre a natureza, os materiais e as funções da arte, e com freqüência caminhando em direção à abstração. Desta forma, a noção de arte moderna está estreitamente relacionada com o modernismo.

A idéia de Arte Moderna tem sua origem no Século XIX na França. Um texto importantíssimo de divulgação deste tipo de arte é o ensaio Sobre a Modernidade, do poeta Charles Baudelaire. Um texto produzido numa fase de agitação cultural na Europa, mas especificamente em paris, a capital cultural da Europa, no quais artistas como Emile Zola, Manet, Baudelaire e tantos outros intelectuais tencionavam transformar as artes e a literatura.

A arte moderna é então uma nova arte preocupada com o cotidiano, com os costumes do presente, com a moral e a estética da sua época. Segundo Baudelaire a essência desta arte estaria na compreensão sobre a vida ordinária, E desta concepção que ele criaria a sua Teoria racional e histórica do Belo. De acordo com Baudelaire O belo inevitavelmente sempre tem uma dupla dimensão, embora seja na realidade uma. O belo é construído por um elemento eterno (o invariável) e um elemento relativo (Circunstancial). Neste ultimo elemento estão à época, a moda, a moral, a paixão. Daí ele produz no ensaio um estudo analisando a obra do artista plástico Constatin Guys (O artista, homem do mundo, homem das multidões e da criança). Desta maneira, a artista seriam as antenas da raça no sentido de Pound, em seu sentido descrito no ABC da Literatura, um sujeito histórico privilegiado.

4. CARTOGRAFIAS DAS ARTES EM CAMPINA GRANDE

Nesta fase pretendemos realizar uma espécie de cartografia das atividades artístico-culturais em Campina Grande de 1960 a 1980, nas áreas das artes plásticas, cinema, literatura e teatro. Fase marcante na história da cidade havendo um entrelaçamento de diversos grupos e sujeitos que atuavam isoladamente, e que se juntavam em busca de uma atuação estética.

Dentro desta delimitação que propomos dois acontecimentos são de grande importância neste contexto. O primeiro, a Crise econômica ocorrida após a segunda Guerra mundial na cidade de Campina Grande. De acordo Bittencourt a partir do “ano de 1960 constitui um começo de década particularmente crítico para Campina Grande. Desde o fim da segunda guerra mundial, a atividade comercial da cidade vinha sofrendo sérios abalos. O maior deles historicamente foi o confisco cambial. Com a derrocada da exportação direta os comerciantes buscaram novas opções para as suas atividades.” O outro acontecimento de muita importância foi justamente as conseqüências da eclosão do golpe militar ocorrida em 1964. Esse acontecimento possibilitou um processo de transformação das artes em geral devido principalmente à censura a imprensa e a repressão aos diversos artistas engajados em várias questões políticas e sociais na época.

O maio de 1968, por exemplo, representou um retraimento do trabalho de caráter cultural desenvolvido no ambiente universitário. Não são poucos em relatos de personagens como Neumanne Pinto, Bezerra de Sousa e Machado Bittencourt, que sofreram com a censura e a repressão, alguns perdendo os seus direitos políticos e tendo que se retirar da cidade.

Dentro de uma consciência cultural emergente que estava se formando antes de nossos tecidos delimitadores, alguns fatos ocorreram e são da maior importância para sustentar a nossa tese de agitação cultural e artística em Campina Grande. São elas: a Fundação da Escola de Artes de Campina Grande (1950), a Instalação do Curso de Engenharia de Escola Politécnica (1952), o Funcionamento da Faculdade Católica de Filosofia (1955) e a Fundação do Diário da Borborema (1957).

Até mesmo dentro de nossa delimitação outros fatos são de grande importância para compreensão da agitação cultural existente entre as década de 1960 e 1970, como Criação da Universidade Regional do Nordeste (1966),A Criação da Fundação Cultural Luiz Carlos Virgulino (1966), que contribuiu na atuação em atividades neste mesmo ano, como fundação de galerias de arte, curso de filosofia e cinema, concursos de peças teatrais, etc.

Passamos então agora pelo nosso olhar panorâmico, infelizmente incompleto, sobre a pele das artes campinenses, sem seus tecidos estéticos, cheios de nomes e siglas e que dão uma dimensão de sentidos e sonhos da produção cultural desta cidade.

4.1. ARTES PLÁSTICAS

As artes plásticas na Paraíba têm uma tradição forte no Brasil que se remete ao século XIX, com as famosas obras de Pedro Américo, mas mesmo durante o século XX essa tradição se manteve, principalmente a partir da década de 1950, com artistas como Archidy Picado e Raul Córdola Filho na capital João Pessoa, e estetas do gabarito de Francisco Pereira e José Santos, especialmente a partir das décadas de 1960. não podemos esquecer ainda de Antonio Dias e João Câmara, nomes destacados do cenário das artes plásticas nacionais.

Depois da Fundação da Escola de Artes de Campina Grande em 1950, que durou pouco mais de três anos, um outro grande acontecimento para artes plásticas foi a Fundação da Associação Pró-Arte em 1960. Todavia, o maior de todos os acontecimentos históricos para as artes plásticas campinenses foi indiscutivelmente a criação do Museu de Artes Assis Chateaubriand no ano de 1967, segundo Nascimento (2000) a inauguração do museu “constitui-se um acontecimento registrado como um dos maiores da história da cidade.”

O nome inicial do museu foi “Museu Regional de Arte Pedro Américo”, e teve sua sede inaugural no antigo colégio Sólon de Lucena, localizado na avenida Floriano Peixoto. Só em 1976, é que o museu, batizado de Museu de Artes Assis Chateaubriand (seu fundador) foi transferido para o largo do Açude Novo. Na verdade o acervo foi obtido pela campanha nacional desenvolvida por Assis Chateaubriand.

O Museu conta hoje com 474 obras das mais diversas tendências estéticas, entre pinturas, esculturas, colagens, a maioria das peças foi doada na época da fundação, numa coleção que abrange obras que vão desde o Academismo Neoclássico Brasileiro ao processo modernizador, passando pelo abstracionismo, e completado por representação da neovanguarda da década de sessenta, incluindo também importantes artistas da arte Primitiva. Destaque para o Neo-classicismo, de Pedro Américo (A Cabeça) e Aurélio de Figueiredo, os antológicos percussores da modernidade como Ismael Nery, Di Cavalcanti e Anita Malfati (A Beira do Riacho) , e modernistas mais recentes como Santa Rosa e Portinari (Espantalho), e não se poderia esquecer os contemporâneos como o artista multimídia paraibano Antonio Dias. Quanto aos estrangeiros, destaque para as obras de Gaites, Alain Jaquet, Foujita, Eliseu Visconti, Frans Krajcberg, entre outros. Alguns doadores foram: Drault Ernany, Governo Soviético, João Calmon, Noujaim Habibi, Bradesco, Laudo Natel, Diário de Pernambuco.

Segundo Nascimento (2000): “Se antes, as artes visuais representavam uma das menores atividades culturais, uma população que vivia exclusivamente do comércio e, sendo a vida artístico-cultural restrita a uma pequena minoria, depois da criação em 1967, se processou uma das mais intensas movimentações nas artes plásticas, tornando a imponente cidade “Rainha da Borborema”, um dos centros artísticos do Nordeste, e por que não dizer, do Brasil.”

4.2. CINEMA

Com relação ao cinema em Campina Grande a cidade pouco produziu em sua história em termos de filmes, entretanto durante estas duas décadas delimitadas houve a atuação destacada do jornalista e fotógrafo Machado Bittencourt, autor de dezenas de filmes, entre eles destaque para os documentários: A Feira, O Ultimo Coronel, Campina Grande da prensa do algodão, á prensa de Gutenberg e as ficções Maria Coragem (1977) e o caso Carlota, de 1983. Jureni Machado Bittencourt Pereira nasceu no Piauí em 1942, mas foi, como costumava dizer, “adotado” por Campina Grande.
O jornalista e fotógrafo instalou na cidade um dos raros estúdios cinematográficos na bitola 16 do país, a “Cinética Filmes Ltda”. Ele era um publicitário nato que atuava em jornais, rádio, TV, revistas e na elaboração de dezenas de filmes. A Cinética filmes Ltda. foi fundada por Machado em 1974. Segundo Leal (2007) a concretização deste empreendimento “só foi possível pela necessidade que tinha Machado de por em prática duas idéias que corriam juntas equipara-se para produzir filmes para a TV e, eventualmente, documentários culturais, e permitir a existência de um local para aprendizado dos seus alunos de jornalismo.”

Além dos filmes de Machado Bitencourt, houve algumas experiências coletivas, como as do cines jornais na década de 1960, a do documentário institucional Natal 70, dos jovens cineclubistas do Campina Grande, os curtas de Romero Azevedo na década de 1970, além do curta metragem experimental SYLCYZ de Regina Coeli, realizado em 1969.

4.2.1. CINECLUBISMO

A gênese do cineclubismo campinense aconteceu no ano de 1964, com a fundação do Cineclube Campina Grande, por iniciativa dos engenheiros Luiz Carlos Virgulino e Hamilton Freire, ficando a entidade responsável pelas sessões de cinema de arte no cine Capitólio. Antes disso, por diversas vezes, houve tentativas de se implantar um clube de cinema na referida cidade, no entanto, estas nunca se objetivaram. Em 1966, Luis Carlos Virgulino falece devido a um acidente de automóvel, e o cineclube acaba fechando as suas portas, só voltando a funcionar em Maio de 1967, quando o então critico de cinema Dorivan Marinho (ex-membro da entidade), realizando um curso sobre linguagem cinematográfica no Centro Estudantil Campinense no mês de Abril, percebeu o interesse de diversos jovens, propondo a eles então que assumissem o cineclube Campina Grande. Estes toparam a idéia. Esses jovens eram: Bráulio Tavares, Luis Custódio da Silva, Marcus e Jackson Agra, Romero e Rômulo Azevedo, José Umbelino Brazil, entre outros.

Neste mesmo ano do ressurgimento do Cineclube Campina Grande, houve a fundação do Cineclube Glauber Rocha, por iniciativa de José Nêumanne Pinto, Iremar Maciel, Agnaldo Almeida e Regina Coeli. Nele ainda participaram nomes como Arnaldo Xavier, Adalberto Barreto, Antonio Moraes Neto, Aderaldo Tavares e José Souto. Segundo Agnaldo Almeida, hoje um dos mais importantes articulistas políticos da Paraíba, este cineclube era uma entidade extremamente politizada: “O Cineclube surgiu como espaço para se discutir o cinema de arte. Claro, que havia um componente político. Estávamos em meio a uma ditadura e era inevitável que quiséssemos nos reunir e conversar”.

Uma das conseqüências da existência destes cineclubes na cidade na década de 1960 foi o crescimento continuo de colunas de critica especializada nos jornais e programas de Rádio. Dorivan Marinho, Iremar Maciel, Luis Custódio, Humberto de Campos, entre outros, se destacaram nestas funções.

Em 1969 deixa de funcionar o cineclube Glauber Rocha e em 1970 fecha suas portas de vez também o cineclube Campina Grande. Que motivações contribuíram pra estas desativações? Tanto para os componentes do Glauber Rocha, como do Campina Grande, o que fica claro é que houve uma espécie de atmosfera inviável para este tipo de atividade no período.

Uns dos aspectos mais importantes das trajetórias destes dois cineclubes foram às produções que ambos realizaram. O cineclube Campina Grande, por exemplo, chegou a produzir em 1970 um documentário institucional produzido para a prefeitura da cidade intitulado Natal 70. O filme filmado em 16 mm teve o roteiro e a direção coletiva. Já o cineclube Glauber Rocha produziu através de Regina Coeli o curta metragem SYLCYZ, que competiu no Festival JB em 1969 no Rio de Janeiro.

Após o termino dos dois primeiros cineclubes na cidade, parte dos componentes de ambos, principalmente do cineclube Campina Grande, acabaram exercendo a atividade cineclubista no museu de Arte Assis Chateaubriand. Isso entre os anos de 1970 e 1979. Segundo Umbelino Brazil, hoje professor de Comunicação na UFBA e diretor premiado, “agregamos o cineclube ao Museu de Arte por sugestão do artista plástico e diretor do Museu Chico Pereira, ele criou o Departamento de Cinema, funcionava como um ‘guarda-chuva’ para as nossas atividades cinematográficas, não tinha o mesmo caráter do cineclube, pois passamos a ser regidos, mas sem censura pela Universidade, aliás, tivemos respaldo para exibir filmes na época considerados com “objetos subversivos” como os filmes de Serguei Eisenstein. Além de Umbelino Brazil, que depois se tornou diretor de arte do museu até 1976, participaram: Rômulo e Romero Azevedo, Mica Guimarães, Roberto Coura, Arly Arnaud entre outros.

Para Arnaud, hoje uma importante atriz brasileira, os mais assíduos participantes da entidade eram chamados de garotos do museu, “nós éramos os garotos que amavam os Beatles e os Rolling Stones”, - declarou. Quanto ao cinema Arly Arnaud lembra de filmes de Pasolini, Fellini, Buñuel, Polanski etc. e revelou que nunca mais foi à mesma depois desta experiência. A arte estava presente nestes jovens, principalmente através do cinema.

A década de 1970 é a dos cineclubes em Campina Grande, várias destas associações foram criadas em escolas e cursos universitários da cidade. Destacam-se a fundação do cineclube Humberto Mauro em 1974 (da escola PIO XI), o Paulo Pontes (do curso de Engenharia da UFPB) e o 11 de Agosto (do curso de medicina da UFPB) em 1976. Estes cineclubes na maioria das vezes duraram pouco tempo, com exceção do Humberto Mauro, que ficou ativo até o ano de 1979.

Na mesma década de 1970 foi fundado um dos mais importantes cineclubes da história de Campina Grande, não só pelo seu longo período de duração (cerca de dez anos), mas principalmente por sua expressiva atividade em prol do cinema de arte na cidade. Foi o cineclube Ruy Guerra, fundado em 1976, por iniciativa do jornalista Ronaldo Dinoá. Esta associação funcionou durante muito tempo no auditório no INSS, no centro da cidade.

4.3. LITERATURA

Na literatura em Campina Grande, dos tempos áureos nas primeiras cinco décadas do século XX, maçado por recitais e clubes literários, passou-se por momentos mornos, cujos fios de sentidos poucos se expressaram. Dois momentos foram os mais importante, do ponto de vista literário e editorial: o primeiro, foi durante Centenário de Campina Grande em 1964, houve a Publicação dos seguintes livros: História de Campina Grande, de Elpídio de Almeida e História Eclesiástica de Campina Grande, de Boulanger Uchoa. Dentro deste mesmo contexto foi criada COMCENT (comissão Executiva do centenário de Campina Grande), o que viabilizou a publicação de mais livros como: primeiramente ”Coletânea de Autores campinenses”, diversos autores, Obra literária, de Felix Araújo, “Horas de Enlevo”, de Mauro Luna, em 1964 e os títulos: “Um cronista do sertão no século passado”, de Geraldo Joffily e “Jornal de Arte”, de Ruben Navarro, em 1965. Ainda em 1964 inicia-se a publicação dois primeiros números da famosa Revista Campinense de Cultura, editada pela já referida comissão, que tinha entre seus membros nomes como: Elpídio de Almeida, Raymundo Asfora, Severino Bezerra de Carvalho, entre outros.

Em relação a Severino Bezerra de Carvalho há um fato muita interessante. No ano do centenário o médico pernambucano radicado em Campina Grande publica uma grande sátira a alguns nomes da cultura e da política campinense, em seu livro “Memórias de Casmurrindo Vespa”, com o pseudônimo de Seno Bocalho.

Ainda na década de 1960 e principalmente na década de 1970 dois irmãos constroem as suas literaturas de formas totalmente diferentes e se destacam nacionalmente inclusive. Um, um político e poeta boêmio: Figueiredo Agra, autor de várias coletâneas de poesias, entre eles: “Guarda estes poemas Luciene” e “Os Hemisférios Loucos” Elizabeth Marinheiro, educadora, ensaísta e responsável pelos Corais Falados Manuel Bandeira e Cecília Meireles, que fizeram muitos sucessos nas décadas de 1970.

Já no final da década de 1970 surge uma revista que coloca nos dizeres de Astier Basílio “Campina na ordem do dia do debate estético nacional”. Foi a revista Garatuja (1977), editada por um grupo constituído por José Antônio Assunção, Antônio Morais de Carvalho, Bráulio Tavares, os irmãos Jackson e Marcos Agra, entre outros.

4.4. TEATRO

Das artes enredadas aqui nestes escritos inegavelmente o teatro se destaca, seja pelas quantidades de obras, seja pelas qualidades de grupos e peças criadas e encenadas na cidade durante as décadas de 1960 e 1980. Alguns fatores podem explicar essa tendência, a principal delas, foi eclosão do golpe militar de 1964, quando um bom número de atores e dramaturgos impossibilitados de encenar suas peças censuradas no sul do país acabaram sendo chamados para Campina Grande.

Mas antes do golpe de 1964, Campina Grande já tinha uma movimentação teatral, a melhor fase anterior a este período, é a fase da implantação da rádio Teatro Borborema nos anos 1950 pelo cearense Fernando Silveira, com a criação do grupo “os comediantes”, com atores destacados como a famosa Nair Belo.

Entretanto, o maior acontecimento relativo à história do Teatro campinense foi à criação do Teatro Municipal Severino Cabral em 1963, portanto antes mesmo do golpe militar. A inauguração ocorreu em 30 de Novembro, com a apresentação do ator e na época humorista José de Vasconcelos. O projeto em forma de apito ou flauta foi criado pelo engenheiro Geraldinho Cruz.

A existência do novo e grande espaço estimula as novas vocações e revigora as antigas. Nascem grupos, numerosos atores e autores são revelados. É criado o Teatro Universitário Campinense, que teve diretores como Wilson Maux, Milton Baccarenlli e Walter Pessoa. Antonio Alfredo Câmara funda o grupo “Raul Pryston”, Adhemar Dantas adota o “grupopovo”, que se tornaria “Cacilda Becker”, Hermano José reúne jovens idealistas no GEVAR – grupo Experimental de várias artes, e Elizabeth Marinheiro tiram do âmbito colegial os seus grupos, criando a Fundação Artístico Cultural Manoel Bandeira. Foi ainda no Teatro Municipal que se realizou os Festivais de Poesia (de 1966 a 1972), organização da mesma Elizabeth Marinheiro.

Adhemar Dantas consegue trazer grupos de outros estados em suas semanas de teatro e institui as semanas de Teatro Colegial (1970/71) que revelariam vários atores. Muitas peças proibidas acabam sendo encenadas aqui. O grupo de Teatro Universitário Campinense faz a encenação de obras como “Via sacra”, de Henry Gehon e “Eles não usam Black Tié”, de Gianfrascesco Guarnieri. Outro marco foi à encenação da Peça “Liberdade, Liberdade”, de Millôr Fernandes e Flávio Rangel, pelo Grupo Raul Physton.

Em 1973, a educadora Eneida Agra Maracajá assume a direção do teatro Municipal onde já promovera seus festivais infatins, e em 1974 é autora do I FENAT – Festival Nacional de Teatro Amador, que muito influiria no intercambio entre artistas de todos os estados brasileiros, para elevar o nível do teatro local.

E foi justamente da ampliação do FENAT que nasce o Festival de Inverno de Campina Grande, considerado na época um dos mais importantes do Brasil. Nomes como Regina Duarte, Ariano Suassuna, Ana Botafogo, Márcio Sousa, tornara-se figuras comuns dos corredores do Teatro municipal neste período. Campina Grande tornou-se assim o encontro dos grupos teatrais do norte, sul e oeste que se encontravam no Nordeste debatendo todos os aspectos do teatro como fator cultural. Nesta mesma época, década de 1970, Revela-se a dramaturga Lourdes Ramalho, ganhadora de diversos prêmios nacionais, e autora de obras como A Feira.

Desta maneira, concluímos que havia todo um movimento de agitação cultural, criada por indivíduos como Eneida Maracajá, Rômulo e Romero Azevedo, Wilson Maux, Bráulio Tavares, Hermano José, entre outros, que colocaram as suas idéias em prática, ou seja, teceram os seus fios de sentidos em seus tecidos de sonhos.

5. UM QUADRO ATUAL DAS ATIVIDADES ARTISTICAS-CULTURAIS EM CAMPINA GRANDE

Avaliando de forma diríamos superficial, com um olhar crítico e sedutor, perceberemos certa apatia na produção artística e cultural campinense nos dias atuais, se compararmos evidente com as décadas passadas de nosso estudo (anos 1960 e 1970). Tudo que é produzido atualmente nesta cidade parece não ser compartilhada pela sociedade em geral, não que a arte nas décadas de 1960 e 1970 era popular, longe disso, mas os festivais possibilitavam um dialogo maior entre as elites intelectuais com a população da cidade. Hoje isso não acontece de forma alguma.

Mas apesar desta tímida presença cultural nos dias atuais possuímos algumas especificidades, artistas ainda engajados e espaços de cultura abertos, com seus problemas é verdade, mas a disposição da comunidade em geral. Vejamos nossas venturas e desventuras, ou grandezas e misérias culturais, em nossos fios de sentidos em tecidos de sonhos:

* Temos um cenário musical alternativo forte, com nomes como Val Donato, Jorge Ribbas, Fidélia Cassandra, Toninho Borbo e diversas bandas de pop rock que se apresentam semanalmente em calouradas e barzinhos espalhados na cidade.

* Temos o projeto Seis e Meia, com preços accessíveis e com atrações de ótima qualidade;

* Temos uma produção cinematográfica considerável, sendo os nossos produtores pouco a pouco sendo reconhecidas nacionalmente, como é o caso de Taciano Valério, Rodrigo Nunes, André da Costa Pinto, Breno César, Helton Paulino, entre outros.

* Temos um Movimento cineclubista renascendo, mesmo que com características completamente diferentes de épocas passadas, com a criação dos Cineclubes Machado Bittencourt, Mário Peixoto, entre outros.

* Apesar de nada comparado as décadas de 1960 e principalmente 1970, temos algumas companhias de Teatro, como os Grupos da Universidade Estadual da Paraíba e a do Teatro Municipal.

* Temos grupos musicais sui generis como Couroencanto (coral da UFCG), Duduca e os chorões (Grupo de Choro), o Grupo Cabruera, a Orquestra Sanfônica, do maestro Edgar Miguel.

* Temos o SESC Centro que se destaca nacionalmente no apoio as artes. Trazendo peças, espetáculos de música e danças de todo o Brasil para o município de Campina Grande.

* Temos eventos mesmo que com diversos problemas estruturais como O Festival de Inferno, Encontro da Nova Consciência, o Comunicurtas e o Congresso de Violeros. E por que não falar na Micarande, as vaquejadas e o São João, considerado o maior do mundo.

* Temos O FUMUC (Fundo Municipal de Incentivo a Cultura de Campina Grande). Um dos poucos programas de financeiro para os artistas locais, a exemplo do FIC (Fundo de Incentivo a cultura Augusto dos Anjos). Do Governo Estadual.

* Temos ainda os problemáticos espaços como O Teatro Municipal, o Teatro Elba Ramalho, o Museu Assis Chateaubriand, o Museu Luiz Gonzaga, o Centro Cultural Lourdes Ramalho, o CUCA, O Sueli Carolini, o Museu do Algodão, o Café e Poesia, a Academia Campinense de Letras, o Museu Histórico e Geográfico de Campina Grande. Problemáticos justamente pelas qualidades dos usos destes espaços.

Fica a pergunta sobre as limitações de nossos artistas e dos espaços culturais existentes e a clara apatia de nossa população em relação às artes nos dias atuais. Seremos mesmo uma cidade sem vocação para arte? Ou tudo não passa de uma invenção da modernidade, uma tendência atual, que nos fazem sermos sujeitos que foge das matérias reflexivas?

BIBLIOGRÁFIA BÁSICA:

ARANHA, Gervácio Batista. Seduções do Moderno na Parahyba do Norte: Trem de Ferro, Luz Elétrica e Outras Conquistas materiais e simbólicas (1880-1925). IN: A Paraíba no Império e na Republica: estudos de História Social e Cultural. João Pessoa: Idéia, 2005.p.79-132.

BASÍLIO, Astier. A Poesia em Campina Grande. Revista Cordeletras. Ano 1, nº 1, junho de 2007.

BAUDALAIRE, Charles. Sobre a Modernidade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2001.

BITTENCOURT, Machado. Revisão Crítica da Atividade Cultural em Campina Grande 1950-1975. In: Revista Campinense de Cultura, s/e, s/d.

GAUDÊNCIO, Bruno; BURITI, Catarina. A Crítica em Tempos de Repressão: movimento cineclubista em Campina Grande nos anos 60, 70 e 80. Cajazeiras, XIII ANPUH Paraíba, 2006.

GAUDÊNCIO, Bruno. Da Cinética á Arte Mídia. Breve História do cinema em Campina Grande. A Margem, Ano 1, nº. 1, Setembro de 2007.

GAUDÊNCIO, Bruno. O Reino das Cabeças pensantes: uma história do movimento cineclubista em Campina Grande. A Margem, Ano 1, nº.3. novembro de 2007.

PEREIRA JÚNIOR, Francisco; CÓRDULA FILHO, Raul. Os Anos 60: Revisão das Artes Plásticas da Paraíba. Campina Grande: Grafet /Nac –UFPB/ Funarte, 1979.

NASCIMENTO, João Luiz do. Museu de Arte Assis Chateaubriand. Monografia Apresentada para conclusão do curso em Licenciatura Plena em História, da Universidade Estadual da Paraíba, 2000.

SANTANA, Márcio. Garatuja: vida, morte e eternidade em seis edições. Revista Cordeletras. Ano 1, nº 6, Outubro de 2007.

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Frases sobre o Casamento e o Divórcio.

Maio 9, 2008 at 3:47 pm (Relicário de Frases)

CASAMENTO

O casamento é uma tragédia em dois atos: civil e religioso.

Barão de Itararé (1895-1971) Jornalista e Humorista Gaúcho (Máximas e Mínimas de Barão de Itararé).

Casar é cômico, e não casar, é trágico.

Julio Camargo (1930-2007) Jornalista e Aforista Pernambucano (A Arte de Sofismar).

O casamento é como um número de trapézio, um precisa confiar no outro até de olhos fechados.

Luis Fernando Veríssimo (1936-) Cronista Gaúcho (As Mentiras que os Homens Contam).

Há pessoas que se casam em comunhão de males.

Marisa Raja Gabaglia (1942-2003) Escritora e Jornalista Paulista (O Pirol Brasileiro).

A diferença nos sexos é que produz a união.

Marquês de Marica (1773-184 8) Pensador Carioca (Máximas Reflexões e Pensamentos).

A felicidade conjugal é extremamente difícil. Mas, quando existe, é extraconjugal.

Millôr Fernandes (1924-) Escritor e Humorista Carioca (Millôr Definitivo: A Bíblia do Caos).

A felicidade conjugal só é possível a três.

Millôr Fernandes (1924-) Escritor e Humorista Carioca (Millôr Definitivo: A Bíblia do Caos).

Casamento ainda é a melhor forma de duas pessoas descobrirem que casamento não dá certo.

Millôr Fernandes (1924-) Escritor e Humorista Carioca (Millôr Definitivo: A Bíblia do Caos)

DIVÒRCIO

Não foi só para os desonestos que se inventou o divórcio.

Artur Azevedo (1855-190 8) Dramaturgo e Jornalista Maranhense (Os Melhores Contos de Artur Azevedo).

No casamento a expressão mais usada entre os dois é “meu bem”. No divórcio é “meus bens”.

Eno Teodoro Wanke (1929-2001) Poeta Paranaense (Numa Naice).

O divorcio é uma chance que se dá ao indivíduo para errar outra vez.

Leon Eliachar (1922-1987) Jornalista e Humorista Egípcio Radicado no Brasil (O Homem ao Quadrado).

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REPRESENTAÇÕES DO FEMININO NO TEATRO DE QORPO SANTO.

Maio 9, 2008 at 3:36 pm (Ensaios)

I. Qorpo Santo: um corpo que queria ser santo.

O propósito desta comunicação é investigar as representações de gênero feminino no universo do Teatro de Qorpo-Santo, compreendendo assim como esse escritor construiu em suas peças teatrais os diversos processos de relações dinâmicas de gênero. José Joaquim de Campos Leão, mais conhecido como Qorpo-Santo, (1829-1883), pseudônimo que ele próprio se deu, nasceu na Vila do Triunfo, na então província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Suas peças levaram quase um século para serem encenados, sendo tanto elas, como seus dados biográficos terem chegados aos nossos dias de forma fragmentada. O motivo, segundo os estudiosos, - dentre eles Eudinyr Fraga, foi à invenção de uma dramaturgia irreverente e de um absoluto desprezo as convenções, ao contrário do Teatro produzido em sua época, marcado pelos costumes convencionais burgueses.

Mestre-escola em diversas vilas e cidades do interior do Rio Grande do Sul, Qorpo-Santo casou-se em 1856, tendo três filhas e um filho. Entre 1862-1864 começou a ter problemas com a justiça, sendo acusado de alienação, o que terminou por conduzi-lo até o Rio de Janeiro, sendo examinado no hospício D. Pedro II (1868). Os médicos diagnosticaram uma exaltação cerebral e uma monomania (caso específico da escrita).

Sua obra foi descoberta a cerca de 50 anos por alguns intelectuais do Rio Grande do Sul, sendo construída e intitulada com o nome de Ensiqlopédia qorposantense, que se componha de nove volumes, súmula do seu pensamento e de suas idéias. Nelas habitam vários poemas, reflexões, sobre política, moral, ética jornalística, anúncios, bilhetes, máximas, tudo amontoado sem nenhuma preocupação com a organização. Dos noves volumes que foram editadas nos idos de 1870, apenas seis chegaram até o momento até nós. Entre estes escritos descobertos está o material de nossa pesquisa, que é considerado a melhor parte de sua obra: suas peças teatrais.

As dezessete peças existentes encontram-se no volume IV da Ensiqlopédia, e foram escritas entre os dias 31 de janeiro e 16 de maio de 1866. Boa tarde dos textos jamais foi montado, sendo que a primeira encenação das peças da história ocorreu apenas no ano de 1966, portanto, cem anos depois de serem escritas. Destaque maior para as peças: Mateus e Mateusa, A Impossibilidade da Santificação e Hoje sou um; e amanhã outro.

Um dos aspectos mais interessantes da obra de Qorpo-Santo foi sua proposta de reforma ortográfica, daí a grafia do seu nome Qorpo e do vocabulário Ensiqlopédia. Abordando temas ousados em relação aos que correntes no seu tempo, tais como: o incesto, o homossexualismo, o adultério, seus personagens, tanto homens, como mulheres, são sujeitos presos em contradições terríveis, amparadas por uma atmosfera caótica e profundamente demarcada por situações de injustiça e angústia. Segundo Fraga (2001)

Na Dramaturgia de Qorpo-Santo inexiste qualquer preocupação de coerência psicológica na construção das personagens: são personalidades intercambiáveis que mudam de nome sem qualquer necessidade visível, deambulando por espaços inexplicáveis, nos quais o tempo se torna, ele próprio, uma ficção. Por conseguinte, desaparece qualquer tipo de verossimilhança mimética com o que se convenciona denominar “realidade quotidiana”, decorrência, na verdade, da falta de contorno das personagens e do mundo em que transitam.(FRAGA, 2001, p.11)

De acordo com Guilhermino César (1971), seu maior defensor, Qorpo-Santo teria sido o criador do chamado Teatro do absurdo em pleno século XIX, pois as características de sua obra são consideradas modernas e se comparam a Ionesco, ou mesmo Jarry. Vejamos como César (1971) se refere ao dramaturgo gaúcho:

É com toda certeza, o criador do “Teatro do Absurdo” ; veio muito antes de um Jarry e de um Vian, precedeu Ionesco na ousadia das soluções. Não conhecemos, em língua portuguesa, ninguém que lhe compare. Embora em muitas vezes não chegue a ser congruente, a ação que imagina, em termos de aliciante inventiva, deixa entrever uma concepção que está atual em qualquer época. (CÉSAR, 1971, p.26 8)

Na contramão deste pensamento o próprio Fraga (2001) discorda desta afirmativa. Para o ensaísta as peças teatrais de Qorpo-Santo se assemelham mais as características do surrealismo de André Breton e Duchamp, do quê o do Teatro de Absurdo, de Ionesco e Vian. “ Pois no mundo dos sonhos recuperados, do mergulho no insciente, é que deve ser encaixada a obra de Qorpo-Santo” (FRAGA, 2001) . Todavia, longe destas definições o que fica claro é o sentido de representar em escrita uma crise existencial íntima, apontando os paradigmas e os valores morais da sociedade como fatores principais da crise do homem, em meio à loucura e a razão.

II. Representações do feminino no Teatro do século XIX.

O debate sobre as representações vem rendendo várias divisões nas ciências sociais e humanas nestes últimos tempos. Alguns vêem a representação como “verdades escritas” dentro de um contexto discursivo, como o filósofo francês Michel Foucault (2004). Outros têm a posição de que a representação é uma construção de parte de uma realidade, que pode corresponder ou não com certas determinações do real, como é o caso do sociólogo BECKER citado por ANDRADE (2000). Para Pesavento (2005), uma das mais destacadas estudiosas da história cultural brasileira, representar significa estar no lugar de algo (representação como imagem presença) ou algum ou alguém que está ausente (representação como objeto ausência), mas ao mesmo tempo é um apresentar de um novo. Este novo é o chamado reescrever a realidade. E conclui a historiadora: “a representação não é uma cópia do real, sua imagem perfeita, espécie de reflexo, mas uma construção feita partir dele” (PESAVENTO, 2005, p.26), o que envolve desta maneira processos de percepção, identificação, reconhecimento, classificação, legitimação e exclusão.

Não é com esta compreensão que utilizamos o conceito de representação. Entendemos que as representações criadas dentro do campo discursivo criam imagens do mundo, não importando serem reais ou não, se verdadeiras ou inverídicas. A realidade assim pode ser compreendida como uma unidade fragmentária e indefinida, sem compromissos com coerências e convecções formais, em um mundo a parte constituído de sentidos e significados múltiplos. (CHIANPPARA, 2007).

Vamos agora a um pequeno passeio pelas representações de gênero feminino no universo do Teatro de Qorpo-Santo.

III. Qorpo Santo: O discurso feminino como representação da conquista de um espaço manifestação.

Na obra de Qorpo Santo(2001) o lugar privilegiado das ações dramáticas é o espaço da casa, ou seja, a residência familiar, sendo um lugar de múltiplos conflitos nos quais seus personagens se mostram em verdadeiros dilemas de relações interpessoais. A maior parte das tramas é construída dentro de uma relação familiar (pai /mãe / filho (as)), em uma lógica quase sempre de teor moral e religioso, onde a desrazão se sobressai a razão nos discursos.

A prioridade sempre é o conflito entre o marido e a esposa nas ações familiares. Na peça O Hóspede Atrevido ou o Brilhante Escondido, o autor revela através da voz do personagem principal Ernesto qual deveria ser a função do homem e da mulher na sociedade de sua época. Depois de referir-se ao homem como um ser que deveria produzir serviços ligados pela pena, pela palavra e pela espada, assim Ernesto distingue as mulheres em relação aos homens:

Quanto às mulheres, elevam-se e brilham por sua conduta moral, pela obediência, respeito e afeto para com seus pais; pelo recato e honestidade em suas maneiras e em seus vestidos, pela brandura, suavidade e encanto pela sua palavra; pela escolha dos trabalhos mais delicados e dos prazeres inocentes, pelo gosto e pela perseverança nos estudos das pelas artes , belas –artes e de tudo o mais que lhe é próprio e que pode concorrer para que sejam sociais; inteligentes, boas filhas, boas mães, boas esposas e respeitáveis senhoras. (QORPO-SANTO, 2001, p.29)

Em uma outra peça intitulada A Separação de Dois Esposos, Esculápio (protagonista) em mais um conflito de casais refere-se à função primordial da mulher: “È dever das mulheres cuidarem de tudo quanto se acha das portas para dentro, inclusive os maridos”. (QORPO-SANTO, 2001, p. 209). Todavia, esta função de cuidar dos afazeres domésticos, de criar os filhos, de ser dedicada ao marido dificilmente acontece entre as mulheres personagens de Qorpo-Santo. Pois suas posturas radicalizam em suas indignações de falas, a mulher reage a cada discurso do marido, impõe pensamentos, questiona-o a autoridade, inclusive se referindo a prática da infidelidade, como acontece na Peça Mateus e Mateusa, uma das mais interessantes produzidas pelo dramaturgo gaúcho. Nesta comédia, o mote mais uma vez é o conflito de casais. A traição conjugal parece ser comum numa lógica de escape às perturbações das relações me várias da obras. Mateusa é a mulher que se mostra, se revela, e que principalmente que “bate de frente” com o marido. Segundo Franco de Sá (2007) “Para um autor como Qorpo-Santo, que abriu espaço para as minorias em seu teatro, a personagem Mateusa ganhou em qualidade ao fazer essa atualização da mulher do século XIX, para a mulher do século XX. “ (p.3)

Em outra obra, intitulada Relações Naturais o teatro carnavalizado de Qorpo-santo (no sentido de Bakhtin) cria seu espaço social. O lar pode ser bordel e a casa , assim como a rua, mostra-se lugar de perdição. As mulheres da vida não são apenas as prostitutas, mas todas aquelas que conseguem romper com o espaço da casa. Na realidade muitas vezes a mulher segundo Corpo-Santo é uma portadora de pegados, e causa principal da não santificação dos homens, como é caso da peça considerada a mais autobiográfica de todas (A Impossibilidade de Santificação). O personagem C.S diz assim “Eu te suspenso, mulher maligna, a maldição de eu foste digna. Retira-te, porém, de minha presença; e nunca mais ouses vir insultar a quem só se ocupa em promover o bem geral de todos” (QORPO-SANTO, 2001, p.53). O discurso autobiográfico do personagem que tem as mesmas iniciais do autor demonstra o fato e o processo de interdição movido por sua esposa, e de outro a perseguição que sofreu por suas idéias em relação a arte e que não eram aceitas pelos grupos intelectuais de seu tempo.

Desta maneira, podemos assim compreender que a mulher no universo teatral de Qorpo-Santo não se situa como virgem romântica, nem como rainha do lar. Longe de encarnar o papel de vítimas do dever, as personagens femininas constroem gestos de briga e de abrigo dentro do espaço terrestre da casa. O discurso feminino toma corpo através da representação da conquista de um espaço manifestação.

A casa como o lugar essencialmente mantenedor (sustenta, defende, protege) da família é também de indignação, de revolta. Outro aspecto a se fazer notar é que no conjunto da obra de Qorpo-Santo, a casa apresenta-se também como espaço da sedução, além de conflito. Seja homem ou mulher, o espaço é utilizado para o ato da ação amorosa, da tentativa de converter a relação sexual. Portanto, longe das já conhecidas representações do gênero feminino na dramaturgia e na literatura no século XIX, a mulher na obra teatral de Qorpo-Santo possui um discurso feminino como representação da conquista de um espaço manifestação.

Referencias Bibliográficas

ANDRADE, Luciano Teixeira. Literatura e Ciências sociais. Revista Lócus, 2000, vol. 6, nº. 2: 65-73.

CÉSAR, Guilhermino. História da Literatura do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Editora Globo, 1971.

CHIAPPARA, Juan Franco. Michel Foucault: Ficção, real e Representação. In: RAGO, Margareth, MARTINS, Adilton Luis. Revista Aulas, Dezembro/2006, Março/2007, Vol.5. nº. 3,: 1-18

FRANCO DE SÁ, Lileana Mourão. A Casa Qorposantense. In: Encontro Regional da ABRALIC 2007. São Paulo, USP, 2007.

PESAVENTO, Sandra Jatahy. História & História Cultural. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.

QORPO-SANTO. Teatro Completo. Coleção Clássicos do teatro Brasileiro. Fixação. Estudos críticos e notas por Guilermino César. Rio de Janeiro: Serviço nacional l do Teatro/FUNARTE, 1980.

­­_____________. Teatro Completo. Apresentação por Euclynir Fraga. São Paulo: Iluminuras, 2001.

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Desencantos pós-modernos?!

Abril 14, 2008 at 2:50 pm (Poemas Avulsos)

DESENCANTOS

I

Vivemos uma revolução conservadora

Marcada pela industrialização das almas,

Colonização dos espíritos,

Capitalização dos corpos

E socialização dos preconceitos.

Tempos de um individualismo de massa,

Assinalado numa ridúcula absolutização do relativo

e inadequada relativização do absoluto.

Temos um “templo” de sonhos

Em límpidas paredes de carne

Com um imenso e maciço intelecto de confusão e barbárie,

Sem preferências e sentimentos gratuitos

Sem poesia e sonhos reais.

II

Procura-se uma direção,

Um sentido,

Pois esta aceleração temporal

que destroem com suas máquinas de tédio

Deixam-nos embriagados e falhos de glória,

Cheios de um silêncio atento e inocente

De perplexidade e mutismo.

Procura-se uma crença,

Um sujeito, um discurso,

O que for…

Que sobreviva neste mundo descontinuo

Porém que não esteja impregnado

De algum valor.

III

Sem sujeito

E sem discurso

A perplexa sombra

Da invenção maldita

Paira no ar.

Crenças morrem em casas de madeira

Em um círculo e circuito de destruição sonora

Esta banalidade nos consome

Esta fábula sem sonhos nos agride

Feitas de tão intoleráveis e indiscutíveis virtualismos.

Não previne idéias solitárias estes meios

E sim produzem um suicídio coletivo e calmo

Inconsciente

Inconseqüente

Impertinente.

Oh seres!

O passado não ensina nada

E o futuro não realiza tudo.

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QUATRO NOTAS DE ESCRITA AUTOMÁTICA.

Março 31, 2008 at 5:52 pm (Escritos Errantes)

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Por Bruno Gaudêncio.

Happy end

O meu amor e eu
nascemos um para o outro

agora só falta quem nos apresente

Cacaso

 

Descobri vantagens em ser louco. Adentrar caminhos desfolhados. Sóbrias palavras ao gosto de álcool nu. Viverei pensando nas filas e vilas da minha alma, esperando tetos e netos, de uma família imbecil. Cacos de vidros de minha janela balbuciam despautérios, não só a mim, mas aos meus vizinhos calmos de ira. O ruim de causar transtornos é não agredir a todos, alguns só ficam vendo as sombras e as sobras das falhas, julgam em fuxicos metidos feitas de palavras azuis. Isso de ser poeta e moderno, ainda me causa lágrimas.

 

Os fatos nem sempre são fatos. Podem ser intestinos inteiros, tripas que bem assadas e consumidas com cachaça podem lhe tirar a vida e com saúde. Que gostoso! Argentinas não sabem o que é isso. Preciso olhares verdes. Ah isso de escrever trauma causa e calma tramas.

 

Inútil é querer ser branco, sendo todos negros e falhos quando claros de incertezas. Claros como a luva que nos retira da barriga de nossas mães infelizes em dor. Caldo grosso e amargo! Prefiro Vodka ou Rum. Mas essa história de cor ainda a de virar filosofia, nem que seja curta, daquelas de botequim ou Senzala. Baudelaire não pensou nisso quando trepou com uma bela negra em Paris, perto ou longe da Revolução. Jackson do Pandeiro era azul, eu sei disso, e Machado de Assis mais rosa dos que as bochechas do presidente da Bielorússia.

 

 

Diga o que quiser prefiro a loucura lúcida a lúcida loucura. Que minhas palavras possam nascer de meu sangue, seja de que cor ser. Pois da lucidez a bandeira o hino não me diz nada. Pois não sou brasileiro, sou de lugar nenhum. Minha terra seca eu como com farrinha. Ilusão é pensar em ler Ilusões Perdidas e não ser perdido. Vá faça…prove baratas como Clarice Lispector fez, trepe com as matas como Policarpo fez, ame a sua terra e a sua poesia, mas não se esqueça de esquecer que a loucura lúcida é superior ou não a lúcida loucura.

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FRASES DE AMOR E SEXO

Março 11, 2008 at 1:24 pm (Relicário de Frases)

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AMOR E SEXO

 

Amor é prosa. Sexo é poesia.

Arnaldo Jabor (1940-) Jornalista e Cineasta Carioca (Amor é Prosa, Sexo é Poesia).

 

O amor precisa do pensamento. No sexo, o pensamento atrapalha.

Arnaldo Jabor (1940-) Jornalista e Cineasta Carioca (Amor é Prosa, Sexo é Poesia).

O amor é um circuito elétrico que só se satisfaz com ligação direta.

Eno Teodoro Wanke (1929-2001) Poeta Paranaense (Numa Naice).

 

O amor é uma emoção importante, o sexo também; mas só o amor somado ao sexo constitui a emoção fundamental do ser humano.

Marina Colasanti (1937-) Escritora e Jornalista Etíope radicada no Brasil (E Por Falar em Amor).

 

O sexo é a satisfação impossível. O amor é que justifica o fato de o homem ter nascido.

Nelson Rodrigues (1912-1980) Dramaturgo e Jornalista Pernambucano (Flor da Obsessão).

SEXO

 

Dois corpos são duas possibilidades. E, se souberem, podem entre si, num ponto do dia, desencadear a aurora.

Affonso Romano de Sant’Anna (1937-) Poeta e Cronista Mineiro(O Homem que Conheceu o Amor).

 

Os pais praticam o coito e nascemos nós, os coitados.

Fausto Woolf (1941-)Critico Teatral e Escritor Gaúcho (ABC do Fausto Woolf)

 

Os ricos transam. Os pobres procriam.

Millôr Fernandes (1924-) Escritor e Humorista Carioca (Millõr Definitivo: A Bíblia do Caos).

Comida é bom, bebida é ótimo, música é admirável, literatura é sublime, mas só o sexo provoca ereção.

Millõr Fernandes (1924-) Escritor e Humorista Carioca (Millõr Definitivo: A Bíblia do Caos).

 

Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém.

Nelson Rodrigues (1912-1980) Dramaturgo e Jornalista Pernambucano (Flor da obsessão)

 

Ou a mulher é fria ou morde.Sem dentada não há amor possível.

Nelson Rodrigues (1912-1980) Dramaturgo e Jornalista Pernambucano (Flor da obsessão)

 

Dois corpos inseridos um no outro - e a sensação de que nada mais existe na terra.

Carlos Drummund de Andrade (1902-1987) Poeta e Cronista Mineiro (O Avesso das Coisas)

 

Na mulher o sexo corrige a banalidade; no homem, agrava.

Machado de Assis (1839-190 8) Escritor Carioca (Esaú e Jacó)

 

Os que fazem amor não estão fazendo apenas amor: estão dando corda ao relógio do mundo.

Mário Quintana (1906-1994) Poeta Gaúcho (A Preguiça como Método de Trabalho)

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Programação Bossa Usada Cineclube (Março)

Fevereiro 26, 2008 at 10:52 pm (Ditos e Notas)

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Programação dos cineclubes que eu participo, da associação Bossa Usada Cineclube.


PROGRAMAÇÃO: CINECLUBE MACHADO BITENCOURT

Sábado: 15/03 – Superoutro de Edgard Navarro

Sábado: 29/03 – Week-End Jean-Luc Godard

LOCAL: Sala de Cinema da AABB (por trás do ginásio)

HORA: 16H

REALIZAÇÃO: GRUPO BOSSA USADA + UEPB - DECOM + AABB

PROGRAMAÇÃO: CINECLUBE MARIO PEIXOTO

Quarta: 12/03 - O Atalante de Jean Vigo

Sexta: 14/03 – Ritual dos Sádicos de José Mojica Marins

Quarta: 19/03 - Cria Cuervos de Carlos Saura

Quarta: 26/03 – Uma Mulher é Uma Mulher de Jean-Luc Godard

Sexta: 28/03 – Pierrot Le Fou de Jean-Luc Godard

LOCAL: Auditorio do Dart UFCG

HORA: 16H

REALIZAÇÃO: GRUPO BOSSA USADA + MINC + UFCG – UAAMI

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FALHOS E FALHAS

Fevereiro 24, 2008 at 6:39 pm (Escritos Errantes)

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Pensei ser destino de peixe, mas meu coração derruba flores demais, não há nada além de um grito de dor, certa agonia, desesperos de perdas. Tomei um caldo que me fez feliz agora a pouco, aprendi a ler Bach de um jeito divino e maravilhoso, apesar disso enganei meu coração sensível de ares indeléveis. Tenho plena certeza que ninguém disse que me amava um dia. É difícil ser realista e acreditar nas ilusões que nos salvam. Não tenho competências de gato pra isso. Aprendi demais sendo bonzinho, hoje vejo falhas nas certezas e as certezas nas falhas. Estes escritos trazem uma calma de circo sem animais, trazem o amor de um espírito dolorido de Kafka. A alegria suicida de Woolf. Oh Deus! Oh Deus!.È tão bom sofrer, e tão difícil - não tirar da cabeça aqueles sentidos de violão, aquelas memórias de beijo, aqueles toques de praça. É tão irrelevante querer, melhor fingir não é? Não sei, talvez. O que sei só são palavras ao vento, meros descaprichos desmerecidos e dementes de dama. Meu espírito é sensível, tenho extremo cuidados a aqueles que amo. Odeio menos a aqueles que não gosto. A eles dou um prato raso de indiferença e privilégios de sorrisos. Falho ás vezes em não ser bonito, mas meu olhar transmite paz, eu sei, apesar de ser maldito. Diga a quem tu amas e eu ti direi quem és. Escrevo errado por ser errante. Suspiro sonhos. Decepo mentiras. Devo ser grande, apesar de ser pequeno ainda. Há uma nuvem de gênio em meus ouvidos. Espíritos de pássaros vagam em minha pele branca de pombo. Calmo transpareço flores de maio. Ainda serei gente, daqueles profetas sem bíblia, ainda serei… um poeta? Talvez, tudo que ganho é experiência e aprendizagem. As dores são boas pra isso. Descobrem-nos dos lençóis de mentira. E isso é muito bom. A vida é tão rara. Falhos e falhas. Choro a perda, mas entendo os motivos, mas não esquecerei um só minuto os momentos felizes. Pois amor é sofrer, e não amar é sofre mais. Falhos e falhas.

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